Foi pesarosa a única manifestação de Cármen Lúcia na turbulenta sessão em que seria discutida a abertura de investigação sobre a relação entre seu colega Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Antes de votar acerca da questão de ordem que dominou o dia, ela se desculpou à população por não evitar o teatro desfiado pelos ministros ante um cenário que, se era bastante previsível, foi franco em termo de declarações do que ela chamou de "torcidas e lados.
Teatro, pois as jogadas do dia, mesmo as menos esperadas, se encadearam de forma lógica e reveladora do "modus operandi" de Brasília.
O vazamento do envolvimento sugerido de parentes de ministros com a Vorcarosfera abateu de saída Kassio Nunes Marques, amparado numa alegação de que não poderia se meter naquele assunto enquanto presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Luiz Fux, de casca mais grossa, seguiu desafiador, negando quaisquer irregularidades de seu filho. Mas a baixa nas hostes associadas ao bolsonarismo foi decisiva para o empate que se desenhou na análise do pedido de Gilmar Mendes para que o caso do aliado Moraes fosse analisado com o do rival André Mendonça.
Com o cenário colocado, coube a Gilmar, que lembrou seus momentos mais inflamados em debates ao longo dos anos no STF, fazer a provocação final a Mendonça. Ele reagiu, e isso deu a deixa para que Flávio Dino pedisse vista em nome de uma decência que não havia transparecido na sessão.
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