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Economia Revisado por ULTRA AI

O mercado mudou, e Brasil precisa buscar mais valor para a soja

País tem de seguir os EUA, que tem cultivo maior de soja com alto valor oleico

4 min de leitura
Economia — imagem padrão

O Brasil mudou de patamar de produção nas últimas duas déacadas. De 2005 a 2025, a produtividade da soja subiu 35% no Brasil e 20% nos Estados Unidos. No milho, a variação foi de 75% e de 23% para os dois países, enquanto no algodão o diferencial foi ainda maior, subindo 65% no mercado brasileiro e apenas 1% no americano.

Mas o mercado está mudando. O tradicional começava na semente, dependia da produtividade, da oferta mundial e da reação de Chicago frente a esses números. A nova etapa de mercado busca também qualidade, diferenciação do produto e prêmio extra.

A evolução brasileira ocorreu devido ao melhoramento genético, biotecnologia, agricultura de precisão, manejo, avanço da segunda safra e gestão, segundo Ismael Menezes, da MD Commodities.

O consumo de sementes acompanha esse aumento. Só que em 2005/06, o avanço era devido a novas fronteiras agrícolas e início da transgenia, mas com baixo valor agregado.

Em 2025/26, essa expansão ocorre tanto pela inteligência artificial, edição gênica, agricultura digital, fenotipagem digital, como pelos bioinsumos integrados. Mas o cenário agora traz novos desafios, e o Brasil precisa ficar atento a eles, segundo o analista.

A mudança de paradigma é que o foco deve mudar de apenas produzir mais para produzir com valor.

O Brasil precisa ficar atento ao que o novo modelo de mercado está exigindo. A soja de alto teor oleico oxida menos, tem um perfil nutricional melhor e atrai o interesse da indústria alimentícia.

Segundo o analista, hoje o país vende toneladas, mas amanhã terá de colocar no mercado uma soja mais oleica, com proteína elevada, de baixo carbono, com créditos ambientais e rastreabilidade.

Um dos mercados para essa nova variedade é o SAF (combustível para aviação) que terá uma expansão de mercado nos próximos anos. Ele poderá vir de várias matrizes, mas a soja é a mais competitiva.

Durante o 23º congresso de sementes dca Abrates, que se realiza em Foz do Iguaçu, Menezes avaliou também as condições de safra 2026/27. Arroz, trigo e algodão poderão ter alta de preços, mas milho e soja exigem atenção do produtor.

No caso do arroz, a Índia, grande produtora e exportadora, poderá ter queda na safra e provocar redução dos estoques mundiais. A oferta de trigo da Rússia e da Ucrânia também será menor.

Os americanos têm grande perda nesta safra, que cai para 41 milhões de toneladas, o mesmo ocorrendo com Argentina e Brasil. Com isso, os estoques mundias caem, o que dá sustentação aos preços.

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O algodão, com a alta do petróleo provocada por questões geopolíticas, ganha força. Os fundos, diante do cenário atual e da disputa entre fibra têxtil e sintética, voltaram ao mercado, retomando suas posições compradas.

O momento de alta precisa ser aproveitado, segundo o analista.

O cenário do milho depende do andamento da safra americana, que vem apresentando uma situação menos regular neste mês. A safra dos Estados Unidos deverá ficar próxima de 398 milhões de toneladas, provocando uma redução dos estoques.

O mercado do cereal exige muita atenção. Segundo Menezes, os fatores baixistas desta safra são a redução das importações chinesas, exportações fracas do Basil, estoques de passagem elevados no país e indefinição do comportamento dos fundos.

Entre os fatores de alta no milho, o analista destaca o mercado climático e redução de safra nos Estados Unidos, demanda aquecida no mercado interno brasileiro e possívels movimentos de alta do câmbio com as eleições.

O comportamento dos preços da soja vai depender da safra americana, ainda com números contraditórios. O El Niño é um fator de preocupação no Brasil, mas até agora ele tem se mostrado mais para um fenômeno similar ao de 2025/16 do que para o tão esperado aquecimento propalado.

Os fatores altistas da soja podem vir da demanda chinesa, do comportamento do câmbio no Brasil e da definição do mercado climático nos Estados Unidos. Já a pressão de baixa fica por conta de uma possível oferta maior do que a demanda mundial, aumento de área nos Estados Unidos, estoques elevados no mercado americano e no mundo e a posição dos fundos de investimentos.

O jornalista viajou a Foz do Iguaçu a convite da Abrates.

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Em números

  • Os americanos têm grande perda nesta safra, que cai para 41 milhões de toneladas, o mesmo ocorrendo com Argentina e B
  • A safra dos Estados Unidos deverá ficar próxima de 398 milhões de toneladas, provocando uma redução dos estoques

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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