A redução significativa de requerimentos represados no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi motivo de muita comemoração por Lula, pelo ministro Wolney Queiroz (Previdência Social) e pela presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira.
Em seis meses, a fila de 3,1 milhões foi anunciada como oficialmente zerada. Era um sonho do trio. O que não entrou na comemoração é a quantidade de brasileiros que ficaram para trás.
A porcentagem de pedidos negados no primeiro semestre de 2026 é a maior dos últimos 20 anos.
Poderia se pensar que, assim como houve muitas negativas, proporcionalmente aumentaram as concessões. Não foi o que aconteceu.
A quantidade de indeferimentos prevaleceu no processo de emagrecimento da fila. Não se discute aqui se as negativas foram bem fundamentadas ou não. Pela velocidade com que tudo aconteceu, a sensação é que não.
Pela análise dos números absolutos, o enxugamento da fila –embora controverso, pois o governo mudou o critério– ocorreu. Mesmo havendo 235 mil pedidos esperando resposta há mais de 45 dias, o INSS garante que zerou a fila, pois o número de pendências está abaixo da quantidade de novos pedidos.
A lei fixa prazo de resposta em até 45 dias.
Ao se analisar em termos percentuais, e considerando a média dos anos anteriores, o INSS bateu recorde de negativas. De janeiro a julho de 2026, data do último boletim estatístico divulgado pelo INSS, e período em que a fila regrediu com severidade, há um número espantoso de negativas.
No período, o a porcentagem de benefícios indeferidos foi de 51% —5,2 milhões de brasileiros levaram um "não". O mesmo período em 2025 teve 41% (3 milhões de segurados).
Em todo o ano passado 42% dos pedidos foram negados.
A situação é pior nos benefícios por incapacidade. No primeiro semestre de 2026, foram negados 54% de todos os pedidos. No mesmo período em 2025 foram 41%.
Nas duas décadas, se revezaram no Palácio do Planalto Lula (2003-2010), Dilma Rousseff (2011-2016), Michel Temer (2016-2018), Jair Bolsonaro (2019-2022) e Lula (2023-2026).
Nenhuma gestão previdenciária negou tanto benefícios como a atual.
Conforme levantamento desta coluna, Dilma aparece como quem criou menos problemas na hora de o brasileiro se aposentar. Em 2014, foram 38% de negativas. Depois vêm Lula, em 2006 (40%) e Temer, em 2018 (43%).
Em nota, o Ministério da Previdência Social e o INSS afirmam que as concessões e os indeferimentos "têm amparo legal rigoroso e seguem mecanismos internos de controle permanentes.
Todas as decisões passam por amostragem contínua de auditoria técnica, mantendo a taxa de erro em níveis residuais. Concessão fora dos critérios legais seria também prejudicial à sociedade.
Além disso, todo cidadão tem assegurado o direito de apresentar recurso administrativo no prazo de 30 dias pela revisão da decisão.
Essa estratégia de redução acelerada apenas dissipou a fila, mas não resolveu. Novas filas vão surgir: dos recursos, de novos requerimentos, da defensoria pública, do Judiciário, dos gastos públicos e da agenda do futuro presidente da República.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Em números
- Em seis meses, a fila de 3,1 milhões foi anunciada como oficialmente zerada
- Mesmo havendo 235 mil pedidos esperando resposta há mais de 45 dias, o
- No período, o a porcentagem de benefícios indeferidos foi de 51% —5,2 milhões de brasileiros levaram um "não
- O mesmo período em 2025 teve 41% (3 milhões de segurados)
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…