Ir para o conteúdo
Economia Revisado por ULTRA AI

Impactos de fim da escala 6x1 dividem empresários, sindicatos e economistas

Produtividade, contratações e viabilidade de empresas são apontados como pontos de preocupação

4 min de leitura
Economia — imagem padrão

Enquanto avança em Brasília, o debate sobre os impactos do fim da escala 6x1 ainda divide economistas e empresários.

A PEC (proposta de emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho e adiciona um dia de descanso semanal, sem redução no salário, ainda precisa ser votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o que está previsto para ocorrer nesta quarta-feira (2).

A discussão ganhou um novo fôlego pouco mais de um mês antes das eleições, cujo primeiro turno está marcado para 4 de outubro. A medida é uma das bandeiras encampadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em busca da reeleição.

O petista tem associado o fim da escala 6x1 a mais disponibilidade de tempo para os trabalhadores ficarem com suas famílias, em um movimento para aumentar a pressão pela aprovação do projeto.

Tem gente que joga contra os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, mas o nosso governo está mobilizado para a aprovação do fim da escala 6x1, sem redução do salário", declarou o presidente em seu perfil no X (ex-Twitter).

Os articuladores políticos do governo, no entanto, já traçam um novo cenário para votação do projeto caso não seja possível resolver o assunto no Senado ainda nesta semana.

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, por sua vez, interrompeu as agendas de campanha e permaneceu em Brasília nesta terça-feira (1º), de onde acompanhou as articulações no Congresso em torno da proposta.

O senador fluminense evitou dizer como deve votar em relação ao fim da escala 6x1, mas reforçou que defende proposta alternativa à apoiada pelo governo Lula (PT).

Segundo ele, o trabalhador deve ter liberdade para escolher a própria jornada.

Um posicionamento semelhante ao do senador do PL foi defendido pelo empresário Luciano Hang, das Lojas Havan, em um evento de inauguração em Caldas Novas (GO).

Quer trabalhar oito horas sábado, domingo, feriado. Tem a folga, que vocês têm de ter. Vai da pessoa. A liberdade do trabalho é de vocês, não do Congresso Nacional", disse a funcionários.

Em suas redes sociais, Hang se defendeu de críticas e disse que o recorte em que aparece falando com os trabalhadores foi distorcido e tirado de contexto.

Apenas dei minha opinião sobre uma pauta que está no Congresso e que impacta trabalhadores e, principalmente, pequenos empreendedores. Quem quiser trabalhar mais e ganhar mais, que possa.

Quem quiser trabalhar menos e descansar mais, também.

A visão de Hang contrasta com outra fala, que também ganhou repercussão nas redes nos últimos meses, em uma reunião sindical realizada em São Paulo.

A empresária do setor de alimentos e bebidas Isabela Raposeiras defendeu a mudança da jornada de trabalho e destacou os benefícios da transição da tradicional escala 6x1 para o modelo 4x3 (de quatro dias de trabalho e três de descanso, como era defendido anteriormente na proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

A priori eu sou a força contrária, dizem. Sou uma empresária do setor de alimentos e bebidas, do varejo de alimentos e bebidas, que é um dos mais complexos, é um dos que mais emprega na escala 6x1, funciona todos os dias, jamais fui 6x1, e agora sou 4x3.

Produtividade é uma coisa, capacidade de produção é outra", disse a responsável pelo Coffee Lab, de São Paulo, afirmando que seu faturamento cresceu 35% com a escala menor.

E a produtividade aumenta imensamente quando as pessoas são vistas, ouvidas, descansadas e bem tratadas. Porque o nosso principal ativo numa empresa é o nosso recurso humano.

E o empresário que não entendeu isso ainda, não deveria ser empresário. Porque aqui eu represento mais de 10 mil empresários que estão a favor e já estão em outras escalas.

O texto aprovado na Câmara dos Deputados prevê que o direito a um dia mais de descanso passe a valer 60 dias depois da promulgação da emenda.

Primeiro, a redução da jornada semanal será de 44 horas, como é hoje, para 42 horas. Uma segunda e última fase define a redução para 40 horas e será aplicada 12 meses depois.

A oposição protocolou 14 emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara, a maioria delas visando aumentar o período de transição ou garantir que o efeito da proposta não atinja quem trabalha na escala 12x36.

Em números

  • Porque aqui eu represento mais de 10 mil empresários que estão a favor e já estão em outra

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

Leia também

Mais em Economia