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Economia Revisado por ULTRA AI

'Gato solar' vira nova frente de guerra no setor elétrico

Expansão irregular de painéis fotovoltaicos acende alerta, mas projeções de impacto vão de 0,1% a uma Itaipu

5 min de leitura
Economia — imagem padrão

Uma nova forma de burlar o sistema de energia em troca de vantagem financeira vem acendendo o alerta no setor elétrico brasileiro.

A expansão irregular de sistemas fotovoltaicos próprios ganhou apelido, entrou no radar do governo e inaugurou frente na guerra entre geração centralizada e distribuída.

Geração distribuída (GD) é a modalidade em que o próprio consumidor residencial ou empresarial produz sua energia e pode vender o excedente para o sistema. No Brasil, o tipo mais comum é com energia solar.

O chamado "gato solar" nada mais é do que o aumento da potência instalada em uma casa, comércio ou pequena usina sem autorização da distribuidora local. Essa ampliação pode ser feita com a aquisição de mais painéis solares ou alterações em equipamentos.

Isso se tornou um desafio para o setor porque, além de ser uma forma de usufruir de subsídios irregularmente —bancados pela conta de luz dos demais consumidores—, a injeção de energia extra sem o devido planejamento põe em risco a estabilidade e a segurança do sistema elétrico.

Mas o que ainda não está claro é o tamanho do problema. Nesse ponto, as estimativas divergem: enquanto algumas apontam que as placas fotovoltaicas irregulares somam a mesma potência instalada da usina de Itaipu (14 gigawatts), outros cálculos sugerem que os "gatos solares" não chegam a 1% disso (88 megawatts).

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Integrantes do setor de geração distribuída desconfiam das projeções elevadas e dizem que o tema está sendo instrumentalizado para atacar a modalidade, já imersa em polêmicas.

Beneficiada por subsídios, a GD viveu uma expansão acelerada nos últimos anos e passou a ser responsabilizada por encarecer a conta de luz e agravar problemas do sistema elétrico, como o "curtailment" (o corte em fontes renováveis).

Distribuidoras de energia, por sua vez, dizem estar preocupadas com a proliferação desses "gatos". Na versão de integrantes desse setor, há muitos casos, já impactam a conta de luz e arriscam a estabilidade e a segurança do fornecimento.

O termo oficial do "gato solar" é alteração à revelia da micro e minigeração distribuída (MMGD). Um estudo feito pelo Instituto Acende ajuda a entender a complexidade por trás do problema.

O documento lembra que a expansão acelerada da geração distribuída —que saltou de menos de 1 GW em 2018 para mais de 50 GW agora— ocorreu em sua maioria devido ao subsídio embutido no arranjo tarifário.

Quem tem painéis solares abate da conta de luz não só o custo da energia que ele substitui com a própria produção, mas também todos os outros componentes da tarifa que custeiam o uso das redes de transmissão e distribuição, encargos e tributos.

A lei garante às instalações mais antigas (classificadas como "GD 1") manter subsídios originais até 2045. Já os sistemas mais recentes (GD 2) entram em uma regra de transição que reduz gradualmente os benefícios.

Uma das lógicas de quem faz o "gato solar" é conseguir aumentar o valor do crédito na conta de luz sem arriscar perder os subsídios.

O problema, segundo o Instituto Acende, é que a injeção de energia extra também altera os padrões nas redes de distribuição e transmissão, o que desafia a segurança e a qualidade do fornecimento de energia elétrica.

Na prática, os gatos obrigam o sistema a operar com mais potência do que estava preparado.

Uma das primeiras estimativas sobre o tamanho do problema veio de um relatório do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) de abril deste ano. Ao observar o comportamento do sistema no meio do dia, o órgão estimou uma potência irregular que poderia variar de 11,8 GW a 14,6 GW (cerca de 30% de toda a geração distribuída regular hoje).

Após esse levantamento, a Aneel (agência reguladora do setor elétrico) determinou que as distribuidoras fizessem uma inspeção para identificar os casos.

Foram recebidos dados das 19 maiores concessionárias do país, que atendem a 43 milhões de unidades consumidoras. Ainda assim, apesar do alto índice de confirmação (59% das inspeções constataram problemas), a potência irregular encontrada foi de só 88 MW, o que equivale a 0,1% de toda a geração distribuída regular hoje —e 0,6% da estimativa feita pelo ONS.

Em nota, o ONS disse que a avaliação feita sugere a hipótese da existência de uma parcela adicional não medida, mas ressaltou que isso não pressupõe, de partida, uma causa única.

Tampouco implica atribuição automática e integral à MMGD não registrada", afirmou. "O ONS reafirma que a existência dessa capacidade adicional ainda deve ser tratada como uma hipótese técnica, sem comprovação causal definitiva", acrescentou.

Patrícia Audi, presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), diz estar preocupada com os impactos financeiros e operacionais da geração não registrada.

Segundo ela, os cálculos internos da associação estão alinhados com os divulgados pelo ONS.

As distribuidoras vêm sendo surpreendidas com um volume 20% maior de energia", diz. "Nós estimamos que são duas as origens do problema. Uma é a falta de conhecimento; as pessoas instalam os painéis sem saber as regras.

Em Minas Gerais, um dos estados com maior quantidade de geração distribuída, a Cemig diz ter feito 2. 400 inspeções em clientes suspeitos nos últimos dois anos, e identificado 1.

636 casos irregulares, que somam cerca de 12 MW. Outros 15 mil casos serão objeto de análise.

Em números

  • Foram recebidos dados das 19 maiores concessionárias do país, que atendem a 43 milhões de unidades consumidoras
  • Outros 15 mil casos serão objeto de análise

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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