Dizem que foguete não dá ré, mas o da SpaceX dá — e a fortuna de Elon Musk também. O empresário, que já era o homem mais rico do mundo, tornou-se o primeiro trilionário da história graças, em grande parte, à valorização da empresa espacial.
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Por isso, quando o valor da companhia cai, a participação do empresário também passa a valer menos — e sua fortuna encolhe.
O primeiro balanço divulgado desde a abertura de capital mostra uma empresa em forte expansão, mas que é formada por negócios com características diferentes entre si.
As três principais áreas da companhia crescem em ritmos distintos. A internet via satélite já é lucrativa, enquanto inteligência artificial e lançamentos espaciais ainda priorizam expansão e investimentos.
É essa diferença que Andrew Menzies, diretor de operações da Openbook Analytics, considera central para entender as contas da SpaceX.
Para Nicolas Owens, analista de ações da Morningstar, o resultado mostra uma empresa que está crescendo enquanto faz uma aposta pesada no futuro.
Segundo ele, o mercado precisa decidir quanto está disposto a pagar hoje por negócios que ainda terão de provar seu potencial nos próximos anos.
IA e Starship: as apostas bilionárias.
A maior parte dos investimentos da SpaceX no segundo trimestre foi direcionada à inteligência artificial. Entre os movimentos estão.
É esse movimento que Menzies resume como uma fase de “reinvestimento agressivo”.
O desafio, segundo Owens, é fazer com que toda essa infraestrutura comece a gerar receita e justifique o dinheiro investido.
Mas a inteligência artificial não é a única aposta de longo prazo da SpaceX. O desenvolvimento do Starship, principal projeto da área espacial, também consome bilhões.
Para o mercado, portanto, não basta que a SpaceX cresça. É preciso saber se os investimentos feitos agora serão capazes de criar negócios grandes o suficiente para justificar o dinheiro gasto.
Starlink paga a conta — mas também enfrenta pressão.
É nesse ponto que a importância do Starlink ganha mais destaque. O serviço de internet via satélite é hoje um dos principais negócios da SpaceX e ajuda a financiar a expansão das outras áreas.
Segundo Menzies, a própria SpaceX espera que esse valor continue recuando à medida que avance para mercados de menor renda e ofereça preços mais competitivos.
Por enquanto, o crescimento do número de clientes compensa a queda da receita média por usuário. Mas, se o Starlink precisar crescer cada vez mais para sustentar os investimentos nas demais áreas, a evolução de sua rentabilidade passa a ser uma questão importante para o mercado.
Uma queda contínua na receita por assinante, se não for compensada pelo crescimento do volume, comprimiria as margens do segmento de conectividade — a única parte do negócio que atualmente gera lucro operacional significativo.
Para os especialistas, a empresa ainda tem dinheiro para continuar investindo e expandindo seus negócios. O que mudou é a percepção do mercado sobre essas apostas: quanto elas vão valer — e quanto tempo vão levar para dar retorno.
A resposta pode determinar não apenas o valor da SpaceX, mas também o rumo da fortuna de Musk.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Economia, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.