Uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro voltou a colocar o caso do Banco Master em evidência.
Lista completa
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- Como funcionou o esquema do Banco Master.
- Por que o Banco Master foi liquidado e Vorcaro, preso.
- Quais são os principais pontos da investigação.
- Por que a delação de Vorcaro foi rejeitada.
- O que foi revelado sobre a relação de Vorcaro com Moraes.
- 🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).
- Lavagem de dinheiro: a PF apura transações simuladas que teriam movimentado recursos de investidores e fundos de pensão e beneficiado o patrimônio pessoal de Vorcaro.
- Corrupção: investigadores apuram o pagamento de propina a ex-dirigentes e supervisores do Banco Central para obter informações sobre fiscalizações e processos administrativos.
- Vazamento de informações: agentes públicos são investigados por consultas indevidas a sistemas sigilosos e pelo repasse de informações sobre operações policiais.
- Ameaças e vigilância: a PF identificou uma estrutura que teria monitorado e intimidado jornalistas, autoridades e adversários comerciais.
- Ataques cibernéticos: hackers ligados ao grupo são investigados por invasões de sistemas da PF, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais.
As conversas indicam que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.
O conteúdo foi revelado pelo jornal o Estado de S. Paulo. A TV Globo teve acesso às informações.
Segundo a PF, o coração do esquema era inflar artificialmente o valor do Banco Master para fazer a instituição parecer muito mais rica e sólida do que realmente era.
A investigação aponta que isso permitia atrair bilhões de reais de investidores e realizar operações financeiras mesmo sem garantias reais.
Segundo a PF, o banco mantinha uma espécie de “linha de produção” de documentos artificiais. Funcionários criariam contratos, extratos, planilhas e procurações usados para simular empréstimos e operações financeiras que nunca existiram.
Em diversos casos, pessoas apontadas como clientes afirmaram não reconhecer os empréstimos registrados em seus nomes.
A suspeita é que essas carteiras de crédito falsas eram usadas para registrar patrimônio inexistente dentro do banco. Segundo os investigadores, o grupo criava uma aparência artificial de riqueza.
(entenda no infográfico no fim desta reportagem).
O Banco Central do Brasil (BC) também identificou falhas graves em certificados de depósito bancário (CDBs) e inconsistências incompatíveis com operações reais.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado Banco Master em 18 de novembro do ano passado.
A instituição apontou “grave deterioração financeira, risco de insolvência, descumprimento de regras e de determinações da autoridade monetária”.
Na noite anterior, em 17 de novembro, Daniel Vorcaro havia sido preso pela PF no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino final a Dubai.
Vorcaro foi inicialmente investigado por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa, mas acabou solto por decisão do TRF-1.
Em 4 de março de 2026, voltou a ser preso preventivamente por ordem do ministro do STF André Mendonça.
Segundo as decisões judiciais, a análise dos celulares apreendidos na primeira prisão revelou novos elementos sobre a atuação do grupo.
O material teria indicado risco de destruição de provas, continuidade da lavagem de dinheiro e interferência nas investigações.
BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Master.
Além das suspeitas de fraude financeira, a investigação sobre Vorcaro passou a apontar para uma estrutura mais ampla, que teria atuado para movimentar recursos, obter informações sigilosas e dificultar a ação das autoridades.
Entre os principais pontos investigados estão.
A defesa de Daniel Vorcaro procurou a Polícia Federal em março deste ano para manifestar interesse em um acordo de delação premiada. O primeiro material foi entregue às autoridades em maio, mas a PF rejeitou a proposta no final de maio.
Segundo os investigadores, a primeira versão era considerada insuficiente porque apresentava informações que já eram conhecidas pela polícia e não avançava sobre pessoas que, na visão dos investigadores, ocupavam posições relevantes na estrutura investigada.
Uma segunda versão da proposta foi apresentada no início de junho, mas também acabou rejeitada pela PF.
Relatórios de agosto também apontaram dúvidas dos investigadores sobre a capacidade de Vorcaro de apresentar documentos para comprovar suas declarações, já que ele havia perdido o acesso aos arquivos internos do Banco Master após a liquidação do banco.
No dia 15 de novembro de 2025, sábado, Vorcaro questiona Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora.
Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.
Em outra mensagem, também no dia 16, Vorcaro sugere um encontro com Moraes: "às 14h então, na sua casa ou na minha.
Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu Deus.
Os diálogos estão em um relatório enviado pela PF STF, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. O material também foi enviado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).