Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, afirmou nesta terça-feira (1º) que a autoridade monetária, chefiada por Gabriel Galípolo, adotou boas medidas para se defender contra novas fraudes financeiras, vindas da digitalização dos meios de pagamento com o Pix.
Campos Neto ressaltou que o movimento de tornar o ambiente financeiro mais virtual abre brecha para uma mudança no perfil de crimes, que também passam a ocorrer pela internet.
Quando você muda o sistema de pagamentos, de papel e moedas, todo o crime que estava nas malas de dinheiros passam a ser crimes digitais, ficam mais visíveis. Tem incentivo às pessoas para buscarem formas digitais de fazer fraude.
E acho que o Banco Central foi correto de saber a hora de atacar, saber também a hora de defender", disse o colunista da Folha no Zetta Summit, evento de inovação financeira em Brasília.
Campos Neto, hoje vice-chairman e chefe global de Políticas Públicas do Nubank, afirmou também que as iniciativas de prevenção a crimes virtuais do BC incluem o lançamento de novos produtos para competir no mercado.
Na avaliação do economista, ainda há espaço para inovação nesse âmbito.
Entra em vigor nesta terça nova regra que prorroga o prazo para contestar devoluções do Pix. O objetivo é evitar que o sistema de devolução seja usado por golpistas para roubar dinheiro de comerciantes.
A Folha mostrou que as fraudes usando o meio de pagamento digital dobraram desde a chegada da IA generativa, segundo casos na Justiça de São Paulo. O crime de estelionato engloba as fraudes cometidas via Pix, que a Polícia Federal costuma classificar como "cangaço digital.
No total das decisões dadas pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) sobre estelionato em 2025, os números saltaram de 1. 073 para 2. 270, um aumento em linha com o avanço no registro de boletins de ocorrência por fraudes bancárias.
O ex-presidente do BC comentou ainda sobre a tokenização, mecanismo que transforma ativos como ações, títulos públicos e imóveis em registros digitais negociáveis.
Segundo Campos Neto, ele esperava que a economia estaria mais tokenizada do que está hoje em dia, mas que a pauta avançou por mudanças recentes impulsionadas pelos EUA.
Hoje, investidores americanos tem tokenizado seus ativos.
O evento contou ainda com a participação de outros integrantes do BC, incluindo o diretor de fiscalização, Ailton de Aquino.