A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou nesta terça-feira (1°) o acordo de petróleo do país com os EUA, antes da visita do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, a Caracas, marcada para esta quarta-feira (2).
Dominada pelo partido governista, a Assembleia concordou com o texto que dará aos norte-americanos o acesso a um quinto das reservas de petróleo da Venezuela sob coordenação da Nabep (North American Blue Energy Partners), empresa privada comandada por um controverso venezuelano.
A empresa terá o direito de conceder licenças ou criar joint ventures para 17 campos de petróleo pelo prazo de 100 anos. Os EUA terão direito de comprar, a preço de custo de produção, uma parcela garantida de 20% de todo o petróleo extraído dos campos atuais e futuros operados pela empresa.
Washington também teria direito de preferência para comprar os 80% restantes da produção, a fim de garantir o abastecimento em situações de emergência. O governo norte-americano ainda se comprometeu a adquirir 35% de participação na Nabep.
A Casa Branca afirmou que "a maioria dos campos de petróleo adicionais a serem operados pela Nabep" havia sido anteriormente controlada ou operada por grupos russos e chineses.
A intenção de criar uma empresa privada apoiada pelos EUA, com as segundas maiores reservas petrolíferas entre as companhias privadas do mundo, atrás da Saudi Aramco, surpreendeu a indústria petrolífera norte-americana, que não havia sido informada sobre o plano antes do anúncio de Trump.
Os três maiores grupos petrolíferos dos EUA —ExxonMobil, ConocoPhillips e Chevron— se abstiveram de comentar o acordo, que pretende superar a relutância das empresas norte-americanas em investir capital em um país que expropriou bilhões de dólares em ativos dos EUA nas últimas décadas.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, viajará à Venezuela para assinar o acordo com a Nabep nesta quarta-feira, afirmou uma autoridade americana.
Também está previsto que a Chevron deverá anunciar a expansão de suas operações no país sul-americano no mesmo dia.
Com informações da Reuters e do Financial Times.