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Economia Revisado por ULTRA AI

Elite precisa compreender o real custo da desigualdade no Brasil, defendem autores

Em livro, economistas propõem diálogo com ponto mais alto da pirâmide em busca de sociedade em que todos ganham

4 min de leitura
Economia — imagem padrão

Quando lançamento: 19.ago, às 19h30, em São Paulo; 20.ago, às 19h, no Rio de Janeiro.

Onde na Livraria da Travessa (r. dos Pinheiros, 513, São Paulo) e na Livraria Blooks (praia de Botafogo, 316, Rio de Janeiro).

Autoria Michael França e Daniel Duque.

Em "Os Custos das Desigualdades: Uma Carta às Elites Econômicas", os economistas Michael França e Daniel Duque propõem um diálogo com o topo da pirâmide a partir de uma pergunta central: por que sociedades muito desiguais tendem a oferecer menos para todos.

O argumento é que países profundamente desiguais crescem menos, desperdiçam talentos, convivem com mais instabilidade e pagam, ao longo do tempo, um custo que nem sempre é percebido de imediato.

Segundo os autores, essa conta aparece de formas concretas no Brasil: um mercado consumidor mais restrito, famílias e empresas obrigadas a gastar cada vez mais com segurança, produtividade estagnada e crises políticas recorrentes, que corroem a previsibilidade necessária para planejamento de longo prazo.

Para França, que é coordenador no Insper e colunista da Folha, há uma abertura para dialogar com a elite a respeito da desigualdade, ainda que de forma fragmentada.

Há setores da elite econômica brasileira que já perceberam que a desigualdade extrema não afeta apenas quem está na base. Ela reduz produtividade, limita a formação de capital humano, aumenta a violência, enfraquece a confiança entre as pessoas e torna o próprio ambiente de negócios menos favorável.

A proposta não é estabelecer uma relação de antagonismo com as elites econômicas, nem culpabilizar individualmente quem ocupa determinada posição social. Queremos provocar a seguinte reflexão: que tipo de país interessa inclusive às pessoas que estão no topo?", questiona França, que é ganhador por duas vezes do Prêmio Jabuti Acadêmico.

O privilégio que a elite tem é óbvio, mas ele é um benefício relativo. Ela de fato está melhor do que a maioria da população brasileira, mas será que está melhor do que poderia, se a gente tivesse uma sociedade menos desigual?", disse Duque, doutor em economia pela Norwegian School of Economics, na Noruega.

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O livro questiona também a ideia de mérito quando os pontos de partida são desiguais. Para os autores, comparar trajetórias sem considerar a origem social de cada pessoa acaba funcionando como uma maneira elegante de justificar privilégios herdados.

Dessa forma, a armadilha da meritocracia não afetaria apenas os indivíduos que começam em desvantagem, mas a sociedade como um todo, que perde talentos ainda no nascedouro.

Uma sociedade que se pretende meritocrática, argumentam, deveria se concentrar menos em recompensar quem já nasceu em vantagem e mais em nivelar as condições de largada.

Eu não diria que o discurso da meritocracia tenha perdido força. Ele continua muito presente porque oferece uma explicação intuitiva para o sucesso: a ideia de que quem se esforça mais chega mais longe", diz França.

Esforço é algo muito relevante, só que ele opera sobre pontos de partida profundamente diferentes. Uma criança que nasce em uma família com patrimônio começa a corrida muitos metros à frente de outra que precisa enfrentar uma insegurança econômica.

Outro eixo da obra é econômico: à medida que a renda se concentra no topo, o consumo se volta a bens de luxo e produtos importados, restringindo o mercado interno.

Já a distribuição mais ampla da renda fortalece o consumo recorrente, estimula empresas locais e amplia o tamanho efetivo da economia —o que, para os autores, torna a redução das desigualdades também uma estratégia de crescimento, não apenas uma pauta de justiça social.

França e Duque chamam atenção ainda para o efeito cumulativo entre gerações: vantagens obtidas por uma família se transformam em vantagens de partida para os filhos, que por sua vez ampliam o patrimônio a ser transmitido adiante.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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