Suponha que, numa dessas pesquisas sobre eleições, pergunte-se ao entrevistado em quem ele prefere votar: no político que vai destinar dinheiro público para a festa junina ou no político que promete salvar vidas, diminuindo a fila do SUS.
Tenho fé no bom caráter dos brasileiros. Acho que a esmagadora maioria escolheria a segunda alternativa. Mas, na prática, vota na primeira. Essencialmente porque não sabe que é preciso fazer escolhas, pois os recursos públicos são limitados.
Não sabe que, enquanto os impostos servirem para viabilizar a corrupção e os gastos supérfluos, o essencial continuará claudicante. Não sabe que, para o Brasil funcionar melhor, é preciso acabar com emendas parlamentares abusivas e isenções tributárias injustificáveis e rever gastos constitucionalmente obrigatórios.
Não sabe que precisamos eleger para o Congresso Nacional pessoas capazes de empreender uma discussão equilibrada sobre tributação e alocação dos escassos recursos públicos, como ocorre nas democracias funcionais.
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