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Economia Revisado por ULTRA AI

China mostra que é a potência mundial do petróleo com guerra no Irã

8 min de leitura
China mostra que é a potência mundial do petróleo com guerra no Irã

Logo depois que as munições iranianas tornaram o estreito de Hormuz intransitável, deixando retidos 14 milhões de barris de petróleo bruto por dia (bpd) no golfo Pérsico, as petromonarquias de Abu Dhabi e Riad direcionaram 5 milhões de bpd adicionais por oleodutos que contornam a passagem.

Ministros em Washington e Tóquio liberaram um volume recorde de 2 milhões de bpd dos estoques de emergência; o racionamento comandado pelo Estado em países mais pobres reduziu uma parcela da demanda.

Isso equivale a mais da metade da queda global registrada durante os lockdowns da Covid-19, quando a demanda mundial despencou em 9 milhões de bpd.

E, ao contrário do que ocorreu na pandemia, quando a economia mundial entrou em recessão, o PIB (Produto Interno Bruto) da China seguiu avançando sem grandes dificuldades.

O país não está comprando menos petróleo bruto estrangeiro porque sua economia esteja sofrendo.

Essa capacidade de ligar e desligar a demanda por petróleo, aparentemente com baixo custo econômico, permite ao maior importador de petróleo do mundo influenciar os preços da mesma forma que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e seus aliados fazem há muito tempo, devido ao controle de metade da produção mundial.

E, à medida que o cartel se enfraquece com a recente saída dos Emirados Árabes Unidos e com a limitada capacidade de produção dos membros restantes do Golfo, o poder de mercado da China cresce.

Como diz o chefe de uma empresa de comercialização de petróleo: "A China é a nova Opep.

Há quatro décadas, a Opep se empenha em manter os preços elevados por meio de cotas de produção. Os importadores, por sua vez, não conseguem manter os preços baixos racionando a demanda, porque os compradores são muito mais fragmentados que os vendedores e porque a demanda interna de energia resulta das decisões de inúmeros agentes.

A enorme e estatizante China é a exceção. E, ao contrário da Opep+, cujas decisões exigem o acordo de 21 países, seus planejadores centrais podem agir unilateralmente sob as ordens de um único homem: Xi Jinping.

A China movimenta os mercados de petróleo por meio de três instrumentos principais. O primeiro são seus estoques nacionais do commodity. Nos 12 meses até o início de 2026, enquanto o espectro de uma "superoferta" reduzia os preços do petróleo bruto, a China comprou 200 milhões de barris a preços baixos, reforçando reservas já volumosas de 1 bilhão de barris.

Dos 11,6 milhões de bpd importados pela China em fevereiro, até 1 milhão de bpd correspondiam a compras excedentes das quais o país poderia posteriormente abrir mão, reduzindo a formação de estoques.

Depois que as últimas cargas do Golfo contratadas antes da guerra chegaram, no fim de abril, a China começou a consumir essas reservas abarrotadas. Em julho, seus estoques haviam caído 70 milhões de barris, segundo a Vortexa, empresa de dados, sem contar as retiradas de depósitos flutuantes e cavernas ocultas.

Incluindo esses volumes, a China recorreu a 150 milhões de barris nesses três meses, ou cerca de 1,5 milhão de bpd.

A maior parte desse volume veio de estoques comerciais —mantidos pelos braços de armazenamento das grandes petrolíferas, que buscam lucro—, e não das reservas estratégicas.

Normalmente, as refinarias precisam repor em até um mês aquilo que retiram, observa Tom Reed, da Argus Media, agência de informações sobre preços. Mas, como essas empresas são estatais e o Estado pode requisitar estoques comerciais, presume-se que tenha sido concedida uma exceção.

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Somando o 1 milhão de bpd que deixou de ser estocado aos 1,5 milhão de bpd retirados dos estoques, a gestão das reservas pode explicar 2,5 milhões de bpd da queda de 5,5 milhões de bpd nas importações.

A China poderia manter essa estratégia por mais quatro meses antes que os líderes em Pequim começassem a se preocupar com níveis de estoque desconfortavelmente baixos, estima Emma Li, da Vortexa.

O segundo instrumento dos planejadores centrais chineses são os controles de exportação. Como segunda maior refinadora de petróleo do mundo, a China costuma ser uma grande fornecedora de combustíveis para seus vizinhos asiáticos.

Em março, porém, o governo ordenou que as refinarias do país parassem de firmar novos contratos de exportação e desfizessem muitos dos já acertados.

Entre fevereiro e abril, as exportações chinesas de produtos refinados caíram quase pela metade, para 430 mil bpd. Isso incluiu 180 mil bpd de combustível de aviação altamente refinado, o que poupou às refinarias chinesas entre 1,2 milhão e 1,8 milhão de bpd de petróleo bruto.

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Limitar as vendas ao exterior permite à China usar internamente uma parcela maior da produção de suas refinarias. Também possibilita que os refinadores utilizem parte do petróleo bruto que normalmente seria transformado em produtos para exportação na fabricação de outros itens essenciais, alguns dos quais a China costuma obter do golfo Pérsico para consumo interno.

Entre os exemplos estão a nafta e o GLP (gás liquefeito de petróleo), duas matérias-primas petroquímicas, e o óleo combustível, que refinarias pequenas e com pouco caixa costumam processar em vez do petróleo bruto.

A redução das margens das refinarias, que são maiores nas exportações do que nas vendas internas, é algo que o Partido Comunista consegue tolerar.

No entanto, estoques abundantes e exportações restritas não bastam para explicar a gigantesca redução das importações chinesas.

O país também acionou um terceiro instrumento: a contenção da demanda interna. Em junho, as refinarias chinesas processaram 2,7 milhões de bpd de petróleo bruto a menos que um ano antes.

A produção de gasolina caiu 14%; a de diesel e a de combustível de aviação recuaram 21% cada.

Uma olhada sob os dados confirma uma queda acentuada no uso de combustíveis automotivos na China. Como as autoridades permitiram que os preços dos combustíveis subissem, muitos moradores das cidades deixaram de ir de carro ao trabalho, optando pelo metrô, pela bicicleta ou por táxis —muitos deles movidos a bateria.

Durante um feriado nacional de uma semana em maio, o carregamento de veículos elétricos nas rodovias cresceu quase 55% em relação ao ano anterior. Os trens estão suprindo a lacuna deixada pelos voos domésticos, cujo número foi drasticamente reduzido.

Autoridades locais adiaram obras de infraestrutura, economizando diesel. Ciarán Healy, da Agência Internacional de Energia, estima que a China tenha queimado 10% menos gasolina e querosene nos primeiros meses da guerra do que no mesmo período do ano anterior.

A indústria petroquímica chinesa, a maior do mundo, também está se adaptando às circunstâncias mais difíceis. No ano passado, ela transformou milhões de barris por dia de nafta e GLP, grande parte proveniente do golfo, em polímeros —materiais que vão do PVC e da borracha sintética ao náilon e ao poliéster—, usados às toneladas pelas fábricas chinesas.

Sem matérias-primas oriundas do golfo e diante de uma ordem governamental para priorizar combustíveis em detrimento de insumos petroquímicos, as empresas do setor passaram a desenvolver maneiras de produzir alguns polímeros usando carvão e etano, um subproduto gasoso do refino de petróleo.

O impacto geral de todo esse aperto sobre a economia chinesa parece administrável. Anos de investimentos estatais em energias renováveis e transporte sustentável tornaram o sistema energético mais flexível.

Anos de "involução", nos quais a concorrência feroz levou ao excesso de capacidade em setores como o petroquímico, deixaram a China com grandes estoques não vendidos de polímeros e dos produtos nos quais eles são utilizados.

Essas reservas ajudam a explicar por que os preços ao produtor não estão disparando e os preços ao consumidor permanecem sob controle.

Embora o PIB tenha crescido 4,3% no segundo trimestre, o ritmo mais lento desde o fim de 2022, isso se deve mais à fraqueza dos investimentos e aos efeitos persistentes de uma crise imobiliária do que à escassez de petróleo.

E o governo ainda pode recorrer às reservas estratégicas de petróleo, que mal foram tocadas, comenta Michal Meidan, do centro de estudos Oxford Institute for Energy Studies.

Os estoques chineses de petróleo bruto, combustíveis e polímeros, embora maiores do que os observadores externos imaginavam, são finitos. Um distribuidor afirma ter acabado de vender uma carga de polietileno que estava em seu armazém desde 2021.

Ao contrário da Opep, que pode, em princípio, manter cortes de produção durante anos, a China não pode continuar indefinidamente importando 5,5 milhões de bpd a menos que o habitual.

Mas a guerra no Irã mostrou que, na prática, a China consegue estabilizar sozinha o mercado mundial de petróleo por muitos meses. Os líderes do cada vez mais conflituoso cartel do petróleo só podem sonhar em fazer o mesmo.

Texto de The Economist, traduzido por Fernando Narazaki, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado em www.economist.com.

Em números

  • O Pérsico, as petromonarquias de Abu Dhabi e Riad direcionaram 5 milhões de bpd adicionais por oleodutos que contornam a p
  • Ministros em Washington e Tóquio liberaram um volume recorde de 2 milhões de bpd dos estoques de emergência; o racionamento
  • Global registrada durante os lockdowns da Covid-19, quando a demanda mundial despencou em 9 milhões de bpd
  • Volumosas de 1 bilhão de barris

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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