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Economia Revisado por ULTRA AI

Banco Master e BRB: PF aponta pagamentos antecipados, compras fracionadas e falhas nos controles

Laudo da PF identificou pagamentos antes de pareceres técnicos, concentração de negócios no Master e compras mantidas pela diretoria do BRB após alertas sobre r

9 min de leitura
Banco Master e BRB: PF aponta pagamentos antecipados, compras fracionadas e falhas nos controles

A relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) ganhou novos contornos nesta semana, após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo das principais investigações sobre o caso.

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  • BRB já havia recebido alertas sobre riscos no Master.
  • BRB pagou antes de analisar o que havia nas carteiras.
  • Compras foram divididas para ficar no limite da diretoria.
  • Documentos, repasses e cobranças sob suspeita.
  • PF aponta um padrão de ‘gestão fraudulenta’.
  • 🔎 Em outubro de 2023, a Fitch Ratings, agência especializada em avaliar a capacidade de empresas e governos de pagar suas dívidas, melhorou a nota atribuída ao Banco Master. Apesar disso, ela destacou a volatilidade dos resultados, a complexidade do modelo de negócios e a exposição a ativos de baixa liquidez.
  • 🚨 Os técnicos também classificaram como “muito baixo” o Índice de Basileia do Master, indicador que mostra a capacidade de um banco de absorver riscos e eventuais perdas. Além disso, destacaram que o caixa correspondia a menos de 10% dos depósitos e que o Master dependia fortemente de plataformas de investimento para captar dinheiro.
  • 🔎 Essas análises permitiriam conferir se os créditos existiam e estavam devidamente documentados, avaliar o risco de calote, verificar se o preço cobrado era adequado, exigir garantias ou até recomendar que a compra não fosse realizada.
  • 👉 Isso significa que mais de uma em cada quatro compras foi paga antes do término de todas as análises. Em valores, essas operações representaram 43,41% dos R$ 17,58 bilhões desembolsados pelo BRB nas compras examinadas.
  • a existência dos créditos e a qualidade das carteiras.
  • a possibilidade de os empréstimos não serem pagos.
  • o impacto da compra sobre o dinheiro disponível no caixa do BRB.
  • a necessidade de exigir garantias do vendedor.
  • a existência e a regularidade dos contratos.
  • a forma correta de registrar as operações nas contas do banco e calcular os impostos envolvidos.
  • O pagamento, em novembro de 2024, de R$ 209,32 milhões por uma operação com o Master um dia antes de a diretoria autorizar o negócio.
  • Outro pagamento de R$ 473,49 milhões, feito em janeiro de 2025. As áreas de Contabilidade e Risco só concluíram suas análises 11 e 14 dias depois do pagamento, respectivamente.
  • Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, presidente do BRB.
  • Cristiane Maria Lima Bukowitz, diretora-executiva de Gestão de Pessoas, que também respondeu temporariamente pela Presidência e pela Diretoria de Operações.
  • Dario Oswaldo Garcia Junior, diretor-executivo de Finanças e Controladoria.
  • Luana de Andrade Ribeiro, diretora-executiva de Controle e Riscos.
  • Diogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor-executivo de Atacado e Governo.
  • José Maria Correa Dias Junior, diretor-executivo de Tecnologia.
  • dados fictícios e controles feitos manualmente em planilhas.
  • falta de acesso aos documentos que formalizavam os empréstimos.
  • ausência de comprovação de que as parcelas seriam descontadas na folha de pagamento dos clientes.
  • contratos gerados e assinados pelo próprio Master, sem a assinatura dos clientes, na amostra analisada.
  • divergências financeiras que chegavam a R$ 1,39 bilhão em valores brutos.
  • pagamentos feitos antes da conclusão das análises técnicas.
  • pareceres finalizados depois que o dinheiro já havia sido liberado.
  • compras divididas em valores menores para permanecer dentro do limite de decisão da diretoria.
  • falta de uma avaliação ampla e independente sobre os riscos de negociar com o Master.
  • concentração excessiva das compras em uma única instituição.
  • continuidade dos pagamentos mesmo depois de alertas financeiros e de problemas encontrados nas carteiras.
  • 🔎 Segundo a PF, a conclusão não se baseia apenas no risco ou no possível prejuízo das operações, mas em mecanismos que teriam sido usados repetidamente para reduzir a eficácia dos controles internos do BRB.

Nos documentos, a Polícia Federal (PF) apresenta novos elementos que sustentam a linha de investigação segundo a qual grande parte dos créditos comprados pelo BRB do Banco Master estaria ligada a operações irregulares.

Os investigadores também apontam que as negociações continuaram mesmo diante de sinais de fraudes e inconsistências nas carteiras.

Na prática, o laudo aponta que o BRB pagava por carteiras de crédito antes mesmo da conclusão das análises técnicas obrigatórias que deveriam avaliar a qualidade desses ativos.

Segundo os peritos, a diretoria do banco continuou aprovando novas operações mesmo após alertas internos sobre problemas de documentação, liquidez e inconsistências identificadas nas carteiras negociadas.

Entenda a cronologia dos fatos e como se desenrolou a relação entre Master e BRB.

Quando o BRB começou a ampliar a compra de carteiras de crédito do Banco Master, já existiam sinais de alerta sobre a situação da instituição.

As primeiras advertências não apontavam necessariamente para uma situação de insolvência, mas indicavam que o crescimento acelerado, a estrutura financeira e o modelo de negócios do Master deveriam ser examinados com atenção.

A decisão abriu uma série de novas compras, que cresceriam nos meses seguintes.

Nesse mesmo período, a própria área técnica do BRB passou a registrar sinais que exigiam atenção.

Outro relatório, produzido pela RISKBank/Eleven em novembro de 2024, apontou que o volume de crédito do Master equivalia a 7,4 vezes seu patrimônio líquido. O documento também chamou a atenção para o caixa reduzido e para a estratégia comercial agressiva do banco.

Segundo a perícia da PF, embora essas informações estivessem disponíveis dentro do BRB, não foram encontrados documentos que comprovassem uma avaliação ampla, independente e organizada dos riscos de concentrar tantos negócios no Banco Master.

Além dos riscos que já haviam sido identificados no Banco Master, a Polícia Federal apontou outro problema na relação entre as duas instituições: o BRB liberou dinheiro para comprar carteiras de crédito antes que suas áreas técnicas terminassem de examiná-las.

O procedimento esperado seria o contrário. Antes de efetuar o pagamento, as equipes responsáveis por analisar riscos, preços, documentos e impactos financeiros deveriam verificar o conteúdo das carteiras e avaliar se a compra era segura e vantajosa para o BRB.

Segundo a perícia, porém, essa lógica foi invertida em parte das operações com o Banco Master: o BRB desembolsava os recursos primeiro e concluía apenas depois as análises que deveriam embasar a decisão de compra.

As avaliações concluídas com atraso tratavam de pontos essenciais para decidir se o negócio deveria ou não ser realizado, como.

Para os peritos, uma análise concluída depois do pagamento perde sua principal função. Quando o dinheiro já saiu, não é mais possível impedir o negócio, reduzir seu valor, renegociar o preço ou exigir garantias antes da compra.

Outros casos em que o BRB pagou antes das aprovações e análises necessárias.

Segundo a PF, o BRB dividiu as compras de carteiras do Banco Master em operações menores. Dessa forma, cada negócio permanecia dentro do valor que a diretoria do banco podia autorizar sem consultar o Conselho de Administração.

Para os peritos, a repetição do mesmo valor, o curto espaço de tempo entre as compras e o fato de todas envolverem o Banco Master indicam que os negócios faziam parte de uma estratégia única.

Analisadas separadamente, as operações permaneciam dentro do limite da diretoria. Consideradas em conjunto, deveriam ter sido submetidas ao Conselho de Administração.

A PF também analisou as atas das reuniões da Diretoria Colegiada para identificar quem estava presente, quem tinha direito a voto e como cada operação foi aprovada.

Segundo a perícia, as decisões examinadas foram tomadas por unanimidade entre os diretores presentes que podiam votar. As atas não registram votos contrários nem abstenções.

Entre os dirigentes citados pela PF como participantes das decisões estavam.

O nome do diretor jurídico Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo também consta nas atas das reuniões. Ele estava presente, mas não tinha direito a voto. Por isso, a perícia afirma que os documentos analisados não permitem vinculá-lo às decisões que autorizaram as compras.

Em fevereiro de 2025, o BRB criou um grupo de trabalho para verificar as carteiras de crédito compradas do Banco Master.

O primeiro relatório, concluído em abril do ano passado, apontou problemas que dificultavam confirmar se os empréstimos existiam, estavam devidamente documentados e poderiam ser cobrados.

O documento final, concluído em 19 de maio, mostrou que as pendências eram ainda maiores.

A perícia cita nominalmente Luana de Andrade Ribeiro, então diretora-executiva de Controle e Riscos, por ter assinado os comunicados formais sobre a piora do indicador de liquidez e participado de decisões posteriores sobre novas compras.

Segundo o laudo, Luana votou favoravelmente em operações aprovadas depois desses alertas, inclusive em decisões tomadas durante a flexibilização temporária dos limites de risco do BRB.

Com as novas compras, o BRB ficou cada vez mais dependente do Master.

A liberação de recursos com documentos ainda pendentes continuou aparecendo nas comunicações internas.

Uma mensagem enviada às 17h56 informava que a operação já havia sido registrada na B3, mas que o termo ainda aguardava assinatura. Quatro minutos depois, Dario Oswaldo Garcia Junior, então diretor-executivo de Finanças e Controladoria, respondeu: “Pode seguir com a liquidação”.

Segundo a perícia, Dario chefiava a área que apresentava as propostas de compra à diretoria e era o destinatário institucional dos relatórios produzidos pelo grupo de trabalho.

O parecer da área de Risco sobre essa operação só foi concluído seis dias depois.

Para a Polícia Federal, os episódios descritos no laudo não representam falhas isoladas. Ao analisar as operações em conjunto, os peritos concluíram que os mesmos problemas se repetiram em diferentes etapas da relação entre o BRB e o Banco Master.

A perícia identificou uma sequência de práticas que se repetiram ao longo das operações.

Na avaliação dos peritos, as compras continuaram enquanto etapas criadas para analisar os riscos, autorizar as operações e controlar a saída de dinheiro eram contornadas ou concluídas somente depois dos pagamentos.

A repetição dessa prática levou a perícia a afirmar que havia elementos técnicos e documentais suficientes para caracterizar “gestão fraudulenta” no processo de compra das carteiras do Master.

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Fontes consultadas

  • G1 Economialink

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