As vendas de carros elétricos devem atingir níveis recordes neste ano, com 29% de todos os carros novos comprados no mundo previstos para serem modelos totalmente movidos a bateria ou híbridos plug-in, segundo um relatório recente da IEA (Agência Internacional de Energia).
O percentual representa um forte aumento em relação aos apenas 4% registrados em 2020.
O crescimento das vendas foi, em certa medida, inesperado. Alguns analistas haviam previsto um mercado mais lento para veículos elétricos neste ano —até que a guerra dos EUA com o Irã e o fechamento do estreito de Hormuz fizeram os preços do petróleo e da gasolina dispararem.
Isso provocou uma corrida aos carros elétricos em diversas partes inesperadas do mundo.
Na África do Sul, as vendas de carros elétricos mais que quintuplicaram no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. No Laos, as importações de veículos movidos a bateria da China estão disparando.
E em países tão diferentes quanto Austrália, Colômbia e Coreia do Sul, a participação dos elétricos no total de carros novos vendidos quase dobrou desde o início dos combates no Oriente Médio.
A ascensão dos veículos elétricos está transformando os mercados automobilísticos internacionais. As vendas totais de carros tradicionais com motores a combustão vêm caindo de forma constante e, neste ano, devem atingir o menor nível desde o início dos anos 2000.
O que torna o aumento das vendas de carros elétricos especialmente significativo é que as compras de veículos elétricos, na verdade, caíram neste ano tanto na China quanto nos Estados Unidos, os dois maiores mercados automobilísticos do mundo.
Na China, responsável por cerca de metade de todas as vendas de veículos elétricos no mundo, o enfraquecimento da economia e a redução dos subsídios governamentais levaram a uma queda nas compras totais neste ano.
Embora os veículos elétricos tenham aumentado sua participação de mercado, o número total de carros vendidos caiu no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025.
A China ainda tem aproximadamente a mesma quantidade de veículos elétricos em circulação que o restante do mundo combinado, uma tendência que reduziu de forma significativa o consumo de petróleo do país.
O governo de Joe Biden havia defendido a ampliação do benefício para ajudar no combate às mudanças climáticas, já que os veículos elétricos produzem menos emissões que seus equivalentes movidos a gasolina ou diesel.
Ainda assim, os preços mais altos do petróleo levaram consumidores a optar por veículos elétricos em muitos outros mercados.
Desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro, o preço do petróleo Brent, referência global, subiu mais de 25%. Nesse período, as vendas de veículos elétricos aproximadamente dobraram na Austrália, no Brasil, na Índia e na Coreia do Sul em comparação com o mesmo período de 2025.
As vendas de carros oscilam por diversos motivos —incluindo políticas governamentais, condições econômicas e disponibilidade de novos modelos—, mas há bons motivos para acreditar que pelo menos parte do crescimento das vendas de elétricos neste ano está relacionada ao aumento dos preços do petróleo e da gasolina.
As buscas online por veículos elétricos aumentaram significativamente desde o início da guerra, segundo uma análise da BloombergNEF, com alguns dos maiores avanços registrados em países que tiveram os maiores aumentos nos preços dos combustíveis.
Andrew Grant, analista da BloombergNEF, disse que parte do aumento das vendas neste outono pode ser atribuída a consumidores que já planejavam comprar um carro elétrico e simplesmente anteciparam a compra.
Ainda assim, afirmou que, "à medida que vemos preços do petróleo sustentados ou mais altos, provavelmente teremos vendas de elétricos maiores do que teríamos de outra forma.
Mais de uma dúzia de governos também anunciaram novas políticas para estimular a adoção de veículos elétricos desde o início do conflito, enquanto os países buscam reduzir as importações de petróleo caro.
Irlanda e Holanda lançaram programas para incentivar motoristas a trocar veículos mais antigos com motores a combustão por modelos elétricos. O Chile criou incentivos para que ônibus e táxis adotem a eletrificação.
A Espanha prorrogou créditos tributários para veículos elétricos destinados aos consumidores. A China estabeleceu novas metas para eletrificar seus caminhões.