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Brasil Revisado por ULTRA AI

Mestres da cultura popular evocam tradição e encanto a novos públicos

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Brasil — imagem padrão

Francisca Dias, conhecida na comunidade como a Rainha Ginga Preta, explica que o maçambique é uma congada gaúcha, de tradição de matriz africana bantu, mantida na região desde o século 19.

Lista completa

  • 19h - Moçambique de Santa Efigênia (DF).
  • 20h - Maçambique de N.Sra do Rosário de Osório (RS).
  • 21h - Adiel Luna convida João Arruda e Alexandre.
  • 23h - Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro (DF).
  • 01h - Carimbó Beija-Flor de Marudá (PA).

A manutenção de tradição, arte, fé e memória encanta a comunidade e forma uma aliança de resistência de diferentes faixas etárias participantes. Os artistas vão de crianças a idosos.

Tudo do grupo é produzido pela própria comunidade, incluindo os instrumentos.

Além dos tambores, a comunidade faz a maçacaia, que é um cestinho de taquara com sementes de caetés, que garante o ritmo para o congado do maçambique de Osório.

O elemento da fé católica enaltece a imagem de Nossa Senhora do Rosário. “A bandeira é muito sagrada para a gente”, afirma.

Além do elemento de fé, a rainha entende que a arte ensina contra preconceitos, incluindo o racismo. “A gente prepara também as nossas crianças para se defenderem com palavras”.

Para a rainha, apresentar a tradição de sua comunidade na capital do país a emociona. “Esse é um momento muito feliz, um sonho de levar a nossa cultura pelo Brasil.

É muito triste para a gente, quando falamos da congada, existe quem estranhe a presença das pessoas negras no Rio Grande do Sul”.

Garantir visibilidade à multiplicidade de manifestações culturais, ir na contramão de preconceitos e formar novos públicos fazem parte dos objetivos do encontro de mestres em Brasília, que começou na quinta-feira (27).

Segundo o curador e coordenador do evento, Anderson Formiga, há artistas de 11 estados e do Distrito Federal na programação que se encerra neste sábado.

Além das apresentações no palco, o evento contempla também oficinas.

O curador entende que é preciso chamar atenção dos mais jovens para conhecerem as mais variadas manifestações da rica cultura brasileira. “O jovem precisa ser encantado”, acredita.

Ao mesmo tempo, ele acrescenta que os artistas mais velhos têm conseguido fazer herdeiros dispostos a honrar as tradições dos ancestrais.

Respeitar as tradições é a regra que tem sido seguida à risca pela comunidade gaúcha do maçambique.

Segundo a rainha, seu maior desejo é honrar os ancestrais. A mãe, Severina Dias, última rainha, morreu em 7 de outubro de 2016, justamente no dia de Rosário, a padroeira.

Severina pediu à filha Francisca que lutasse por manter viva a tradição artística. Isso faz também a atual rainha se emocionar em subir ao palco pelo país.

Neste ano, a celebração do maçambique não ocorrerá no dia 7 por causa das eleições, mas no dia 24 de setembro. O quilombo conta hoje com 1. 750 famílias.

Cuidar do legado e das futuras gerações também é preocupação do mestre e músico maranhense Tião Carvalho, de 71 anos. Ele contabiliza apresentações frequentes na Europa e mistura ritmos, como samba, coco, bumba-meu-boi, forró e baião.

Carvalho, que é professor na educação básica, fundou o grupo Cupuaçu, que se dedica ao estudo e à prática de brincadeiras populares.

Ele entende que ainda hoje artistas com mais recursos são mais contemplados em shows nas cidades brasileiras. “Se você mostrar a cultura para o jovem, ele vai gostar”, considera.

Fontes consultadas

  • Agência Brasillink

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