Neste sábado (29), as campanhas dos candidatos à Presidência exibiram os primeiros programas da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV.
Lista completa
- Flávio Bolsonaro (PL): 4 minutos e 20 segundos.
- Ronaldo Caiado (PSD): 2 minutos e 2 segundos.
- 10% do tempo é distribuído igualmente entre as siglas que cumprem a cláusula de desempenho (meta de votos que partidos devem atingir para ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda — clique para saber mais).
- Os outros 90% são distribuídos proporcionalmente à representação de cada partido na Câmara dos Deputados.
Apenas quatro candidatos têm direito a tempo, conforme a lei eleitoral.
Campanhas apostam em estratégias diferentes.
O programa eleitoral de Lula também ataca Flávio Bolsonaro, seu principal adversário. A propaganda apresenta um "currículo" com críticas ao adversário, com fatos como sua relação com o miliciano Adriano da Nóbrega e o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro investigado por fraudes bilionárias no Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse.
Flávio optou por uma abordagem focada na economia e na segurança pública. O candidato do PL se apresenta como "advogado e empresário, casado com a Fernanda, pai da Luísa e da Carol" e faz uma apresentação de seu currículo.
O restante do tempo de seu programa eleitoral é voltado a apresentar sua família, com especial atenção para as mulheres. Flávio tem como um dos objetivos da campanha atrair o voto feminino.
Sua mulher, Fernanda, chega a dizer que reeducou e que ele é o "mais moderado dos Bolsonaros.
Caiado, ex-governador de Goiás, também se apresentou ao eleitor no primeiro programa eleitor, mas sem deixar de criticar os governos do PT. O candidato do PSD destacou seus "quarenta anos de vida pública" e a gestão como governador de Goiás.
Augusto Cury se apresentou como um "agente da despolarização" da política. Na peça publicitária, o candidato faz um trocadilho com seu nome e a palavra cura, e diz: "Cury este país.
Propaganda eleitoral no rádio e na TV começa nesta sexta-feira (28).
A propaganda eleitoral gratuita conta com dois blocos de 12 minutos e 30 segundos.
Neste sábado, primeiro dia, os programas são veiculados na seguinte ordem, definida por sorteio pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Avante, PSD, PL e Coligação Brasil Pronto pra Mais (PT).
A partir do segundo dia, o sistema será de rodízio: o partido ou coligação que veicular seu programa por último será o primeiro no dia seguinte.
Há revezamento com a propaganda de candidatos a governador, em dias alternados. Parte do tempo é reservada a candidatos a cargos do Legislativo (deputado e senador).
Como funciona a distribuição de propaganda.
Há regras para a distribuição do tempo de propaganda eleitoral gratuita.
Lula tem o maior tempo porque o PT é uma das maiores bancadas na Câmara e se aliou a PSB, PDT e à federação PSOL/Rede nestas eleições.
Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e os demais candidatos à Presidência não vão aparecer na propaganda porque seus partidos não cumpriram os critérios da clásula de desempenho, mas podem fazer campanha nas redes sociais e nas ruas, o que está liberado desde o dia 16 de agosto.
Veja, a seguir, mais detalhes das primeiras propagandas.
Os materiais de propaganda petista apresentam duas estratégias diferentes da campanha de Lula: reforçar pautas do governo, como o fim da escala 6 x 1, e atacar Flávio Bolsonaro.
Em um dos vídeos, o presidente se dirige ao telespectador e diz: "juntos, nós reconstruímos o Brasil. Agora, queremos dar um salto de qualidade, porque o Brasil está pronto para mais.
O início do programa foca em críticas contra Flávio Bolsonaro, citando investigações como o caso das rachadinhas, em que ele foi denunciado em 2020 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
As provas da investigação foram anuladas porque tribunais decidiram que Flávio tinha direito a foro privilegiado, por ser parlamentar. Também há menções ao pedido de dinheiro ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro.
Em post nas redes sociais, o Secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, disse que o início do programa na TV é o momento em que a sociedade começa a prestar atenção nas eleições.
Neste sentido, avaliamos ser importante mostrar quem é Flávio, qual é sua história e apresentar seu currículo", escreveu.
A campanha de Flávio Bolsonaro preparou para a estreia uma propaganda voltada à apresentação do senador. Segundo integrantes da campanha ouvidos pelo g1, a primeira peça busca retratar o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro como um "homem de família.
A estratégia foi começar com uma abordagem mais leve e deixar para os programas seguintes ataques mais diretos a Lula, com citações ao caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seu filho mais velho, investigado sob a suspeita de tráfico de influência.
A equipe ainda discute em qual momento o assunto será levado ao horário eleitoral.
Nas próximas peças, o senador também deve abordar temas como segurança pública e custo de vida, com foco na perda do poder de compra dos brasileiros. Nas palavras de um interlocutor do candidato: "apresentar o problema e, depois, a solução.
Em dois minutos e dois segundos, o ex-governador escolheu falar de sua trajetória política e de segurança pública.
A campanha associa "coragem" à atuação de Caiado como médico e também no enfrentamento ao PT. A peça faz menção a grupos que invadem terras "de quem plantava". O candidato iniciou sua trajetória política como uma liderança ruralista, ligada ao agronegócio.
Foi candidato à Presidência em 1989, e depois deputado, senador e governador.
No decorrer da peça, a campanha cita o casamento de 35 anos com Gracinha Caiado e credita ao candidato o enfrentamento de facções criminosas em Goiás, além de avanços em hospitais, escolas, transporte e inteligência artificial no estado.
Na segunda metade, o tom muda com ataques ao PT. A peça diz que há uma crise de segurança no país e atribui a situação a "20 anos" de gestões petistas.
Nos 35 segundos, Cury se coloca como uma opção contra a polarização. O candidato do Avante utiliza clipes de reportagens sobre o escândalo de corrupção conhecido como mensalão e do ataque do 8 de janeiro.
Sem TV, candidatos apostam nas redes sociais.
Ao g1, a coordenadora da campanha de Renan Santos, vereadora Amanda Vettorazzo (União-SP), afirmou que a estratégia é produzir conteúdo para as redes de forma constante e aproveitar a rotina do candidato para fazer as gravações.
Segundo ela, Renan grava vídeos durante viagens, eventos e até dentro do carro. "Como a gente não tem tempo de TV, não gravou em estúdio", afirma.