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Justiça decreta falência de grupo de supermercados por dívida de quase R$ 700 milhões

A decisão é de 28 de agosto e cabe recurso.

5 min de leitura
Justiça decreta falência de grupo de supermercados por dívida de quase R$ 700 milhões

A sentença do processo, que tramitava desde o final de 2025, foi proferida pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

  • CEI conclui que morte de funcionário soterrado em Tatuí não foi acidental e pede investigação de secretário por homicídio.
  • Ex-funcionários da Fepasa se reúnem e criticam abandono em Itapetininga: 'Uma pena.
  • Polícia Civil de Boituva investiga dono de empresa de bebidas por fraude de R$ 15,8 milhões.
  • Arrecadação de bens: apreensão e proteção do patrimônio do grupo.
  • Varredura patrimonial: bloqueio de contas, investimentos, veículos e imóveis, além do envio das últimas declarações do Imposto de Renda (IR).
  • Inabilitação empresarial: acrescentar o termo "falido" na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) e na Receita Federal, impedindo a atividade como empresa.
  • Habilitação de créditos: os ex-funcionários dos supermercados do grupo e os credores da dívida deverão encaminhar os pedidos diretamente à administradora judicial.
  • Motorista é socorrido em estado grave após perder controle da direção e bater carro em rodovia de Itapetininga.
  • Jovem que participou de reality musical estudou no Conservatório de Tatuí: 'Deixou muitas raízes em mim.

A decisão é de 28 de agosto e cabe recurso.

A decisão determina que todos os bens e contas bancárias vinculadas aos CNPJs do grupo sejam bloqueados.

O plano de recuperação judicial foi submetido à Assembleia Geral de Credores em 14 de julho de 2025, e foi rejeitado. O plano alternativo dos credores também não atingiu o quórum de 35% para votação.

Assim, convolo a recuperação judicial em falência", decidiu a juíza.

Segundo o documento, o Grupo Ricoy acionou a Justiça em janeiro de 2026, devido ao corte de água em uma das unidades do Vencedor Atacadista, em Várzea Paulista (SP), por faturas atrasadas antes da recuperação judicial.

A rede alegou perigos para operar e conseguiu uma liminar, proibindo cortes por débitos antigos.

Além disso, o processo aponta que uma fiscalização conduzida por uma administradora judicial constatou o fechamento repentino de, ao menos, 19 lojas. O relatório denunciou, ainda, o desvio de faturamento das unidades para impedir a penhora por credores.

Segundo o relatório, o grupo também utilizava outras duas empresas para receber pagamentos dos consumidores por meio das máquinas de cartão de crédito dos estabelecimentos.

Em Itapetininga, o grupo era proprietário da rede Pão de Mel, que possuía três unidades na cidade, com a última encerrando as atividades em maio deste ano. O Grupo Ricoy chegou a ter 96 lojas e mais de 5 mil funcionários em 76 municípios do estado.

Na petição, as empresas do grupo aatribuíram ocolapso financeiro a três fatores, entre eles, a concorrência dos atacarejos, as incertezas fiscais após a incorporação de outro grupo em 2012 e a alta da taxa Selic a partir de 2022, encarecendo o valor a ser pago.

Os fundadores do grupo venderam todas as ações ao empresário Cícero Santos Guedes em março deste ano, quando ele assumiu a administração de todo o conglomerado.

Sob a nova gestão, as empresas pararam de enviar à Justiça documentos financeiros considerados importantes, como demonstrativos, extratos, livros contábeis e folhas de pagamento.

Cícero chegou a tentar suspender o processo, acusando os antigos sócios de ocultarem o valor da dívida, alegação que foi rejeitada pela juíza.

O requerente, na qualidade de controlador pessoa física do Grupo Ricoy, não tem legitimidade física para requerer os pedidos relacionados à regularidade da recuperação judicial.

Como controlador e administrador das sociedades do grupo, o requerente pode e deve ter acesso à documentação contábil e societária, as quais, inclusive, comumente são feitas durante o processo de compra e venda", apontou a magistrada.

Com a falência oficialmente decretada, a Justiça determinou uma série de medidas. Confira todas abaixo.

O fundador da Rede Pão de Mel em Itapetininga, Zecaborba Soares Hungria, morreu em 10 de janeiro deste ano. Ele vendeu a marca ao Grupo Ricoy em 2009.

A expressão "fazer compras no Borba" fazia parte do vocabulário dos moradores mais antigos da cidade até o fechamento da rede. Isso se deve à mercearia que o empresário tinha, a partir da qual iniciou a rede de supermercados que recebeu o nome de "Pão de Mel" e foi responsável por gerar centenas de empregos na cidade.

Além da atuação empresarial, ocupou cargos de liderança na Associação Comercial e no Sindicato Varejista de Itapetininga. Também colaborou com instituições sociais como a Apae, o Lar São Vicente, grupos de apoio a pessoas com deficiência e entidades de proteção animal, como a Uipa.

Na vida pública, recebeu a Medalha de Mérito da Câmara Municipal e participou de clubes de serviço como Rotary e Lions. Deixou a esposa Helena Munhoz Cardozo Hungria, os filhos Fernanda e Arnaldo, além de genro e netos.

O g1 entrou em contato com o Grupo Ricoy, responsável por todas as empresas citadas, e com a Prefeitura de Jundiaí, mas não obteve retorno até a a última atualização desta reportagem.

VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM.

Em números

  • O Grupo Ricoy chegou a ter 96 lojas e mais de 5 mil funcionários em 76 municípios do estado
  • Justiça decreta falência de grupo de supermercados por dívida de quase R$ 700 milhões

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