Uma câmera de segurança mostra um quinto envolvido no espancamento e morte de Cláudio Rafael Landeiro, o ciclista agredido depois de ser acusado de roubo de uma bicicleta.
A Polícia Civil tenta identificar o homem. Quatro pessoas já foram presas.
Nas imagens, ele aparece dando chutes na vítima, que tinha 37 anos e morreu no dia seguinte por hemorragia e traumatismo. A bicicleta era da irmã de Cláudio Rafael.
Essa é mais uma etapa da investigação, que já prendeu quatro homens: dois entregadores e dois seguranças. Um dos seguranças não teria agredido a vítima. O outro segurança é Davi dos Santos Machado, que horas depois do crime retornou ao local para conferir câmeras.
Ele gravou um vídeo na rua Felipe de Oliveira, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Nas imagens, que estão sendo analisadas pela 12ª DP (Copacabana), Davi Santos Machado tenta tranquilizar alguém, afirmando que as câmeras não filmaram a sessão de espancamento que terminou com a morte da vítima.
Foi aqui. Ó, câmera, não tem câmera aqui, para tu ver, não tem câmera. Tá virada para lá. Foi aqui", diz um ofegante Davi Santos Machado.
Nesta semana, a polícia quer ouvir quem contratou o segurança que espancou a vítima. A pessoa que deu o pedaço de madeira para Davi também será ouvida. A 12ª DP também tenta encontrar um homem que não ofereceu socorro a Rafael durante as agressões.
O segurança preso pelo crime deu dois depoimentos à Polícia Civil. No primeiro, ele diz que apenas deu um soco em Rafael, mas que os responsáveis pelo espancamento da vítima foram os entregadores de Ifood.
Já no segundo, Davi Santos Machado confessou o crime e disse que as pauladas foram um "ato insano". Ele afirmou não saber explicar o que o levou a agir daquela forma.
No depoimento, ele diz que ligou para o chefe da segurança, identificado como Aluísio, informando o que estava acontecendo e solicitando orientação. Davi afirma que recebeu a orientação de fotografar a bicicleta.
Davi também declarou que não havia qualquer informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada.
Ainda segundo o depoimento, Rafael não ofereceu resistência e obedeceu às ordens dos homens. Davi afirmou que não ouviu a vítima pedir socorro.
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Segurança usou bicicleta da vítima dias depois do crime.
Dias depois do caso, Davi chegou à 12ª DP, na rua Hilário de Gouvêa, com a bicicleta de Rafael para prestar depoimento na segunda-feira (17).
O veículo tinha sido levado na noite do crime por outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, como mostram imagens analisadas pela polícia e obtidas pela TV Globo.
Eles disseram pensar que estavam recuperando uma bicicleta roubada – o que se mostrou ter sido um engano.
Segundo depoimentos, Rafael chegou a uma loja em Copacabana por volta das 23h20 do dia 11 de agosto para pedir um cigarro. Como não tinha dinheiro, não recebeu o produto.
Minutos depois, o segurança Davi chegou e perguntou sobre a bicicleta que estava ao lado de Rafael, que respondeu apenas que "não" – pelo fato de a bicicleta pertencer à sua irmã.
Segunda a família, Rafael tem problemas cognitivos que afetam sua comunicação.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.