Ir para o conteúdo
Regionais Revisado por ULTRA AI

Traficantes debochavam de clientes com reações ao tomar anabolizantes

Produtos eram confeccionados em laboratórios clandestinos; esquema foi desarticulado em megaoperação da PCDF

3 min de leitura
Traficantes debochavam de clientes com reações ao tomar anabolizantes

Áudios obtidos pela coluna Na Mira revelam como era operado o esquema do império dos anabolizantes que produzia e traficava anabolizantes em grande escala no DF e em pelo menos 8 estados.

Nas conversas, os envolvidos debocham dos clientes e falam sobre a produção dos medicamentos ilícitos. No último dia 12 de agosto, 43 suspeitos que faziam parte da organização criminosa foram presos durante a Operação Narciso deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

O conteúdo mostra os traficantes zombando dos clientes que adquiriram os produtos e tiveram efeitos colaterais. Em um dos áudios, um dos suspeitos cita pessoas que relataram mal-estar e homens que tiveram ginecomastia, condição que causa aumento da glândula mamária.

Em outro áudio, enquanto discutem a forma de fazer os produtos, um dos suspeitos questiona se é normal a reação química de borbulhar. “Um monte de gente está tendo inflamação”, relata.

Termogênico com broncodilatador para cavalo.

Além de anabolizantes, os traficantes produziam termogênicos, substância voltada para acelerar o metabolismo e aumentar a queima de calorias. Para fazer os termogênicos, eles utilizavam clembuterol, um remédio broncodilatador usado na veterinária para tratar problemas respiratórios em cavalos.

DF As investigações da Polícia Civil apuraram que o uso dos produtos ilegais não era informado para os clientes. As conversas interceptadas mostraram que os compradores chegaram a passar mal após consumir o termogênico.

O diálogo dos traficantes mostra também como eles acobertavam todo o esquema. Eles chegaram a utilizar chip de telefone da Suíça para despistar qualquer tipo de investigação policial.

Em um dos áudios, o líder do esquema, Roberto Carlos Pereira, o “Jiraiya das Bombas”, dá uma bronca em um dos funcionários por detalhar que os anabolizantes eram feitos em fundo de quintal.

Investigações da PCDF apontaram que a matéria-prima usada na fabricação dos produtos entrava clandestinamente no Brasil pela fronteira com o Paraguai. Em um áudio, Carlos Henrique Rodrigues de Abreu detalha que ele transportava os produtos ao comprar uma peça de moto por meio da plataforma Mercado Livre.

Fica tipo assim, irreconhecível”, disse Carlos.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), deflagrou em 12 de agosto a Operação Narciso, considerada a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e outras substâncias proibidas no Brasil.

O esquema contava com conexões em oito estados, além do DF, e uma ponte direta com a fabricação clandestina no Paraguai. As ações ocorrem nos seguintes estados: Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba, Paraná e Minas Gerais.

A investigação revelou uma complexa engrenagem criminosa voltada à fabricação caseira, ao fornecimento de insumos, à rotulagem, à divulgação e à comercialização de anabolizantes, medicamentos controlados, produtos veterinários e suplementos com substâncias ocultas.

Mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados, 10 veículos de luxo apreendidos e mais de 30 sites de venda ilegal acabaram sendo tirados do ar. A organização criminosa contava com a participação de nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais.

De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Rodrigo Carbone, o coração do esquema operava sob o termo “cozimento”: a fabricação artesanal de substâncias injetáveis e orais em fundos de quintal, cozinhas residenciais, depósitos e locais improvisados, em fogo alto e sem qualquer assepsia ou controle sanitário.

Fontes

Informação baseada em material público de Metrópoles, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Metrópoleslink

Leia também

Mais em Regionais
BH institui coleta domiciliar de sangue para pessoas com autismo
Regionais

BH institui coleta domiciliar de sangue para pessoas com autismo

Para agendar, será necessário apresentar laudo médico que comprove o diagnóstico de TEA, solicitar a coleta em uma UB, apresentar consentimento informado do responsável legal ou cuidador e indicar os melhores horários pa

Em Regionais