Áudios obtidos pela coluna Na Mira revelam como era operado o esquema do império dos anabolizantes que produzia e traficava anabolizantes em grande escala no DF e em pelo menos 8 estados.
Nas conversas, os envolvidos debocham dos clientes e falam sobre a produção dos medicamentos ilícitos. No último dia 12 de agosto, 43 suspeitos que faziam parte da organização criminosa foram presos durante a Operação Narciso deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
O conteúdo mostra os traficantes zombando dos clientes que adquiriram os produtos e tiveram efeitos colaterais. Em um dos áudios, um dos suspeitos cita pessoas que relataram mal-estar e homens que tiveram ginecomastia, condição que causa aumento da glândula mamária.
Em outro áudio, enquanto discutem a forma de fazer os produtos, um dos suspeitos questiona se é normal a reação química de borbulhar. “Um monte de gente está tendo inflamação”, relata.
Termogênico com broncodilatador para cavalo.
Além de anabolizantes, os traficantes produziam termogênicos, substância voltada para acelerar o metabolismo e aumentar a queima de calorias. Para fazer os termogênicos, eles utilizavam clembuterol, um remédio broncodilatador usado na veterinária para tratar problemas respiratórios em cavalos.
DF As investigações da Polícia Civil apuraram que o uso dos produtos ilegais não era informado para os clientes. As conversas interceptadas mostraram que os compradores chegaram a passar mal após consumir o termogênico.
O diálogo dos traficantes mostra também como eles acobertavam todo o esquema. Eles chegaram a utilizar chip de telefone da Suíça para despistar qualquer tipo de investigação policial.
Em um dos áudios, o líder do esquema, Roberto Carlos Pereira, o “Jiraiya das Bombas”, dá uma bronca em um dos funcionários por detalhar que os anabolizantes eram feitos em fundo de quintal.
Investigações da PCDF apontaram que a matéria-prima usada na fabricação dos produtos entrava clandestinamente no Brasil pela fronteira com o Paraguai. Em um áudio, Carlos Henrique Rodrigues de Abreu detalha que ele transportava os produtos ao comprar uma peça de moto por meio da plataforma Mercado Livre.
Fica tipo assim, irreconhecível”, disse Carlos.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), deflagrou em 12 de agosto a Operação Narciso, considerada a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e outras substâncias proibidas no Brasil.
O esquema contava com conexões em oito estados, além do DF, e uma ponte direta com a fabricação clandestina no Paraguai. As ações ocorrem nos seguintes estados: Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba, Paraná e Minas Gerais.
A investigação revelou uma complexa engrenagem criminosa voltada à fabricação caseira, ao fornecimento de insumos, à rotulagem, à divulgação e à comercialização de anabolizantes, medicamentos controlados, produtos veterinários e suplementos com substâncias ocultas.
Mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados, 10 veículos de luxo apreendidos e mais de 30 sites de venda ilegal acabaram sendo tirados do ar. A organização criminosa contava com a participação de nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais.
De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Rodrigo Carbone, o coração do esquema operava sob o termo “cozimento”: a fabricação artesanal de substâncias injetáveis e orais em fundos de quintal, cozinhas residenciais, depósitos e locais improvisados, em fogo alto e sem qualquer assepsia ou controle sanitário.
Fontes
Informação baseada em material público de Metrópoles, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.