O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, enviou mensagem de visualização única ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) um dia antes de ser preso, afirma reportagem do portal UOL.
Segundo o texto publicado nesta terça-feira (3), o ex-banqueiro afirmou ter enviado duas parcelas da "grana", mas disse que estava com dificuldade de concretizar as transferências.
A mensagem foi recuperada pelo portal a partir de uma análise do log (arquivo que guarda registros de atividade de dispositivos eletrônicos) do telefone de Vorcaro.
Tá muito difícil, mas vamos vencer. Se eu passar da semana que vem aí resolvemos tudo em seguida", prosseguiu o empresário. A reportagem indica que Vorcaro já sabia da operação que resultaria na própria prisão, e por isso teria citado que precisaria sobreviver até a semana seguinte.
O banqueiro utilizava imagens de visualização única para esconder rastros ao conversar com Flávio e com outras autoridades, como o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Segundo o UOL, a mensagem sobre as transferências foi enviada em resposta ao congressista. O candidato derrotado na eleição para a Presidência da República enviou duas fotos temporárias seguidas da mensagem "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.
O dono do Master detalha ao senador a dificuldade para transferir recursos. "Vai dar certo essa semana. O cara que mandei a grana não liquidou, e eu estou num momento difícil demais.
Foram duas parcelas que mandei e ele não liquidou. Muito foda. Mas já organizei pra fazer de novo na terça.
A última mensagem de Flávio Bolsonaro, conforme a reportagem, foi enviada às 15h46 de 16 de novembro de 2025 —Vorcaro estaria em Brasília aguardando possível encontro com Moraes.
No minuto seguinte, Flávio responde "amém.
A reportagem procurou as defesas de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que não se manifestaram.
Segundo o UOL, a conversa leva a entender que as mensagens tratavam do financiamento do filme "Dark Horse", que retratava a trajetória política de Jair Bolsonaro, em especial o tempo dele no Palácio do Planalto.
A Polícia Federal investiga Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas no caso do filme.
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