A equipe do candidato do PL, por sua vez, afirmou que a vaquinha virtual tem um componente importante de mobilização e "ajuda a criar um sentimento de participação efetiva de todos apoiadores e eleitores.
Vale lembrar que existe um teto de gastos para a campanha presidencial e o partido decide, dentro desse limite, o valor a ser repassado", diz trecho da nota.
Apesar de os dois presidenciáveis estarem entre os principais arrecadadores por financiamento coletivo nestas eleições, o mecanismo se espalha também por candidaturas a outros cargos.
O exemplo de Flávio evidencia o uso do financiamento coletivo como ferramenta de engajamento mesmo quando o candidato tem acesso a recursos públicos de campanha.
Apoiadores contribuem com pequenas quantias, divulgam as doações e reforçam sua identificação com candidatos e movimentos políticos.
Pagamentos podem ser feitos por Pix, cartões ou transferência bancária; dados do doador são enviados à Justiça Eleitoral.
A mobilização pelas redes sociais é ampliada com as contribuições, embora em valores menores", diz a cientista política Tathiana Chicarino, coordenadora da graduação em Sociologia e Política da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).
Para ela, essa prática tem mais apelo em campanhas da direita, que têm forte presença nas redes sociais e maior ligação com setores de renda mais alta. "Segue uma lógica dos eleitores que, por exemplo, sejam contra programas de transferência de renda e prefiram doar e ser filantropo de seus candidatos.
É outra estética, outro jeito de fazer política", diz a cientista política. "Enquanto isso, historicamente, a esquerda tem mais mobilização de base por meio de panfletagem, por exemplo", afirma.
Após a expectativa em 2018, o financiamento coletivo perdeu espaço entre empresas interessadas em operá-lo.
Aquele foi o primeiro ano de uso do mecanismo em uma eleição geral, após sua incorporação à legislação eleitoral em 2017, dois anos depois de o STF proibir as doações empresariais a campanhas.
Em 2018, a Justiça Eleitoral deferiu ao menos 59 registros de plataformas. Em 2022, esse número caiu para 18. Desde maio deste ano, dez empresas foram autorizadas a operar.
Para o professor de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV) Fernando Neisser, a redução reflete a dificuldade de os candidatos levantarem valores relevantes por meio desse mecanismo.
Demanda forte repercussão em redes sociais, com engajamento muito acima da média.
Outro entrave, segundo o professor, é conciliar transparência e LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais). Sites ocultam parte do CPF ou sobrenome para evitar fraudes.
Não há definição do TSE de como esses dados são disponibilizados, por isso, há uma espécie de modalidade semi-anônima, embora os dados completos sejam encaminhados à Justiça Eleitoral", diz.
Em números
- Vaquinhas eleitorais arrecadam mais de R$ 10 mi, e Renan arrecada quase o dobro de Bolsonaro e
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.