O fim da escala de trabalho 6x1 e o imposto zero sobre a cesta básica são as promessas de campanha que os brasileiros consideram prioritárias no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa Quaest divulgada neste domingo (8).
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Diante de uma lista com 15 compromissos assumidos pelo petista na eleição, 17% dos entrevistados escolheram a redução da jornada como mais importante, e 16%, a desoneração dos alimentos básicos.
Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, as duas estão empatadas tecnicamente.
Em seguida aparecem a valorização do salário mínimo (11%), o Pacto Contra o Feminicídio (10%) e a ampliação do Farmácia Popular, com teleconsultas e exames gratuitos (8%).
Nenhuma das outras promessas passa de 7%.
Uma das duas mais citadas já tem data para entrar em vigor: com a reforma tributária, a cesta básica passa a ter imposto zero a partir de 1º de janeiro de 2027.
A outra avançou às vésperas do segundo turno. Em 14 de outubro, o Senado aprovou a PEC (proposta de emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, com duas folgas obrigatórias, sem corte de salário e com regra de transição.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa, criticava a proposta, mas mudou de posição e votou a favor.
A Quaest também quis saber o que mais preocupa os eleitores em relação ao novo governo. A pergunta foi feita só a quem se declarou mais preocupado do que otimista com o futuro do país, grupo que soma 48% da amostra.
Nessa parcela, 27% apontam a economia, os gastos e a dívida pública e os juros. Segurança pública e violência vêm em seguida, com 17%. Corrupção e governabilidade, incluída a relação com o Congresso, empatam com 12% cada.
A preocupação com a economia é maior entre os que se dizem de direita, mas não bolsonaristas. Desse grupo, 44% citam o tema.
A discussão sobre contas públicas dominou o início da transição para o Lula 4. Segundo o Banco Central, a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em setembro, e o Tesouro projeta 83,7% no fim do ano, alta de 5,1 pontos percentuais em relação a 2025.
Desde o resultado da eleição, o dólar subiu e a Bolsa caiu.
Na quarta-feira (4), o BC manteve a Selic em 13,75% ao ano e interrompeu uma sequência de cinco cortes. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as medidas de ajuste só serão apresentadas na segunda quinzena de novembro, quando Lula voltar da agenda internacional.
Na segurança pública, a principal aposta do governo é a PEC que amplia o papel da União na área. O Senado aprovou o texto na terça-feira (3) e ele segue para promulgação.
Lula havia condicionado a criação do Ministério da Segurança Pública, outra promessa de campanha, à aprovação da proposta. Na pesquisa, a nova pasta foi apontada como prioridade por 2% dos eleitores.
O petista começa o novo mandato com 48% de aprovação e 44% de desaprovação, um saldo positivo de quatro pontos. Na comparação da própria Quaest com levantamentos do Datafolha feitos logo após cada reeleição, é o menor saldo entre os presidentes reeleitos.
Em dezembro de 2006, depois da primeira reeleição, Lula tinha saldo de 38 pontos. Dilma Rousseff (PT) tinha 18 pontos em dezembro de 2014, e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), 10 pontos em dezembro de 1998.
Até 2014 a pergunta medida era de avaliação, de ótimo a péssimo, e o instituto converteu os resultados em aprovação.
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