Apesar da declaração do secretário de Estado, Marco Rubio, afirmando que o governo americano não participou diretamente, ainda há muita discussão sobre quando foi planejada a fuga e quem ajudou o senador a deixar o país.
O presidente Donald Trump, que chamou a eleição de "uma vergonha", disse no sábado (31) que Flávio pode ficar no país o tempo que quiser, mas afirmou não haver planos de encontrá-lo.
Mais de um terço dessas mensagens envolvia os Estados Unidos, e Trump, sozinho, aparecia em 1 de cada 6. Quase um quarto da conversa tratava da saída do senador, e em 73% desses casos o assunto estava atrelado aos americanos de alguma forma.
A palavra "fuga" aparece mais que o dobro de vezes que "exílio", dando um pouco do tom de como ocorreram as discussões nos grupos de mensageria.
Entre as mensagens que se posicionaram a favor de Flávio, o argumento central é o de fraude, presente em 12% de tudo que circulou. Ao analisar esse argumento mais detalhadamente, verifica-se que 4 em cada 10 mensagens miram a prorrogação da votação até as 19h, apoiadas num "relatório", com falsas conclusões, atribuído a um ativista pró-Trump segundo o qual Flávio venceria até as 17h.
É importante destacar que o TSE publica os microdados que podem ser verificados por qualquer pessoa através do site oficial.
Outra narrativa que ganhou tração foi a de que haveria fraude por conta das seções sem nenhum voto para o senador, que o TSE diz serem 106 entre quase 500 mil. Nos grupos bolsonaristas, prevalece a ideia de que "não é sobre não saber perder, é sobre não aceitar ser roubado.
Há, ainda, aqueles que tratam a viagem como resistência, repetindo que "Flávio Bolsonaro é o presidente legítimo.
Nos grupos públicos de mensageria, o tema ganha força principalmente em decorrência da desmobilização da esquerda no pós-eleição e com a concentração da direita nesse tópico, fazendo com que pouco menos de 65% sejam favoráveis à ideia de fraude.
Quando há um posicionamento fora da direita, Flávio é tratado como foragido, com apelidos como "galinha voadora", e a saída é tida como um "ato vergonhoso.
Ainda há expectativa de quais serão as ações dos Estados Unidos e de Donald Trump. Nesta terça (3), ocorrem as eleições para o Congresso americano, e será um importante indicador de como serão os próximos passos dos EUA com relação ao Brasil e à condução da política externa, uma vez que as pesquisas apontam um predomínio democrata.
Até o momento, Trump procurou manter distância de Flávio e não realizar um posicionamento confirmando a vitória de Lula. Essa atitude vacilante mantém viva a esperança bolsonarista de algum tipo de reviravolta, mas serve também para que o discurso de soberania possa ser ativado contra qualquer tipo de investida americana.
Fora do "zap", a realidade se impõe e a discussão sobre as reformas tributária e fiscal devem dominar a agenda política das próximas semanas.
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Em números
- Por conta das seções sem nenhum voto para o senador, que o TSE diz serem 106 entre quase 500 mil
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