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'Como puderam autorizar?': deputada argentina questiona governo Milei sobre fuga de Flávio

Marcela Pagano aponta possíveis irregularidades no controle migratório, na escolta policial e no uso de veículos diplomáticos durante a passagem do senador pela

5 min de leitura
'Como puderam autorizar?': deputada argentina questiona governo Milei sobre fuga de Flávio

A deputada argentina Marcela Pagano cobrou explicações sobre a possível participação de autoridades do governo de Javier Milei na operação que permitiu a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos.

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Fuga de Flávio Bolsonaro: documentos exclusivos revelam a logística.

Em entrevista ao Fantástico, exibida neste domingo (1º), a parlamentar afirmou que testemunhos e imagens apontam possíveis irregularidades na passagem de Flávio e sua família pela Argentina, incluindo o uso de escolta policial e veículos diplomáticos.

A irregularidade na passagem pelo controle de imigração argentino, a escolta de policiais e, depois, o transporte em carros diplomáticos do Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

São esses os elementos que eu apresento pra que a Justiça cobre explicações das autoridades argentinas sobre como puderam autorizar essa operação", afirmou a deputada.

A operação também passou a ser alvo de questionamentos na Justiça argentina, que determinou a preservação de imagens das câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto de Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu, no Paraná.

O Fantástico questionou o governo argentino sobre uma eventual colaboração na saída de Flávio do Brasil e na viagem do senador aos Estados Unidos.

O secretário de Comunicação da Presidência da Argentina, Fabian Fernandez, respondeu que o governo não tinha nada a declarar.

Registros migratórios e escolta policial.

A reportagem do Fantástico teve acesso a documentos do sistema de imigração argentino que integram uma investigação realizada em cooperação internacional. Os registros revelam detalhes da operação montada para a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

Segundo os documentos, duas vans da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda. cruzaram a fronteira de Foz do Iguaçu em direção à Argentina na noite de terça-feira (27).

Em uma delas, que havia saído de Cascavel, no oeste do Paraná, estavam registrados os dados da mulher de Flávio, Fernanda, e das duas filhas do casal.

O sistema também registrou três entradas de Flávio Bolsonaro na Argentina, na mesma van, em um intervalo de 34 minutos.

A primeira ocorreu às 22h37, com passaporte italiano. Três minutos depois, houve outro registro, desta vez com dados da carteira de identidade. Às 23h11, uma terceira entrada foi registrada com o passaporte brasileiro.

Os dois registros com documentos brasileiros foram posteriormente cancelados, permanecendo válido apenas o registro com o passaporte italiano.

A segunda van havia cruzado a fronteira cerca de sete minutos antes. Nela estavam registrados o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel.

Na frente, vamos dizer assim, da comitiva vinha uma caminhonete da Polícia de Segurança Aeroportuária, que é responsável pelos aeroportos da Argentina. Depois, vimos sair duas caminhonetes brasileiras, com placas do Brasil e motoristas brasileiros.

E, em seguida, mais duas caminhonetes argentinas, uma delas com placa diplomática", contou.

A presença de uma escolta policial e de veículos com placas diplomáticas está entre os pontos questionados pela deputada Marcela Pagano, que também citou supostas irregularidades no controle migratório.

Segundo a parlamentar, os carros diplomáticos utilizados na operação seriam do Ministério das Relações Exteriores da Argentina. Ela cobra que a Justiça esclareça como as autoridades do país puderam autorizar a operação.

Como Flávio Bolsonaro chegou à Argentina.

Apesar de os documentos migratórios indicarem que Flávio entrou na Argentina por terra, fontes ouvidas pelo Fantástico afirmam que a principal linha de investigação aponta para uma chegada de avião.

Nessa versão, o senador teria deixado Brasília às 5h05 de terça-feira (27), em um jato ligado ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. A aeronave pousou às 8h40 em San Fernando, na região de Buenos Aires.

De lá, Flávio teria seguido em outro voo privado até Puerto Iguazú, onde, segundo a investigação, permaneceu por horas dentro do avião à espera da mulher e das filhas.

Investigadores também apuram relatos de funcionários do aeroporto que teriam visto o senador dentro da aeronave.

Já Fernanda e as duas filhas teriam deixado Brasília em outro avião, com destino a Cascavel. No aeroporto da cidade paranaense, embarcaram em uma van que seguiu até a fronteira com a Argentina.

O advogado Willer Tomaz negou, por meio de sua assessoria, que uma aeronave pertencente a ele ou a empresas vinculadas à sua família tenha sido utilizada por Flávio ou seus familiares para deixar o Brasil.

Após a chegada da família a Puerto Iguazú, Flávio, a mulher e as filhas seguiram para os Estados Unidos em um jato de luxo Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly.

A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, para reabastecimento, antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos.

A família desembarcou na manhã de quarta-feira (28), no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, na Flórida.

Flávio deixou o Brasil após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que ele entregasse seus passaportes à Polícia Federal.

O advogado Frederick Wassef, que representa o senador, afirmou ao Fantástico que nenhuma informação sobre a viagem é oficial ou foi confirmada. Ele também negou que a saída do país tenha sido uma fuga.

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