O GloboNews Debate recebeu nesta segunda-feira (19) os coordenadores das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), Edinho Silva e Rogério Marinho, respectivamente, para discutir as estratégias dos candidatos na reta final da eleição presidencial.
- Estratégias de campanha: Edinho Silva disse que Lula vai destacar as diferenças entre os projetos dos candidatos. Rogério Marinho afirmou que Flávio Bolsonaro seguirá criticando o governo.
- Bolsa Família e direitos trabalhistas: Marinho negou mudanças para retirar beneficiários do programa. Edinho criticou o histórico de Flávio em votações sobre direitos trabalhistas.
- Segurança pública: Edinho questionou o discurso de Flávio Bolsonaro na área, acusando-o de condecorar milicianos e apoiar medidas que dificultariam o rastreamento de munições. Marinho chamou as acusações de "narrativas sem nexo com a realidade", rebateu as críticas à proposta sobre munições e defendeu mudanças no Estatuto do Desarmamento.
- Tentativa de golpe: Marinho questionou a caracterização dos atos de 8 de janeiro como tentativa de golpe. Edinho citou as investigações e defendeu a democracia.
- Gastos públicos e economia: Marinho acusou Lula de não tratar as contas públicas com respeito. Edinho afirmou que o governo herdou um país sem recursos em caixa.
- Meta na eleição: Edinho acusou a empresa de favorecer uma campanha. Marinho defendeu a igualdade de condições e a liberdade de expressão nas plataformas.
- Ajuste fiscal: Marinho defendeu a redução da estrutura do Estado. Edinho destacou medidas tributárias do governo Lula e criticou desonerações da gestão Bolsonaro.
- Caso Master e reforma do Judiciário: Marinho classificou a proposta de reforma do Judiciário defendida pelo PT como oportunismo eleitoral. Edinho rebateu as críticas, citou o caso do Banco Master e as fraudes no INSS e atribuiu ao governo Lula o combate às irregularidades.
- Reta final do 2º turno: Lula aposta em medidas populares para virar, e Flávio quer reforçar que manterá programas sociais.
- No 1º debate, Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações e provocações.
- Quando será o debate presidencial da Globo? Veja a data e o horário.
Coordenadores das campanhas de Flávio e de Lula falam sobre foco na reta final.
Durante o programa, os dois trocaram críticas e divergiram sobre temas como Bolsa Família, direitos trabalhistas, segurança pública, gastos públicos, economia e a tentativa de golpe de Estado.
Com mediação da jornalista Julia Duailibi, Edinho afirmou que a campanha de Lula vai reforçar as diferenças entre os projetos políticos dos dois candidatos e disse que o governo herdou um país sem dinheiro em caixa para arcar com despesas.
Já Marinho afirmou que a campanha de Flávio Bolsonaro continuará destacando os problemas enfrentados pela população e acusou Lula de não tratar as finanças públicas com respeito e cuidado.
Veja os temas abordados pelos dois coordenadores de campanha.
Coordenador da campanha de Lula, Edinho afirmou que o candidato à reeleição vai focar em mostrar as diferenças entre os projetos dos dois presidenciáveis na reta final da disputa.
Segundo ele, o petista vai destacar propostas para a saúde, a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico do país.
Edinho reconheceu que a saúde pública ainda enfrenta dificuldades, mas destacou a existência de programas para reduzir as filas de cirurgias, exames e consultas com especialistas.
Nós sabemos que a saúde no Brasil está muito longe daquilo que nós queremos, mas hoje o SUS funciona. Nós temos programas para que a gente enfrente as filas de cirurgias eletivas, filas de consultas com especialistas, filas de exames.
Portanto, tem um programa hoje para atender a população brasileira.
Já o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, afirmou que a estratégia nesta reta final será enfatizar os problemas enfrentados pela população e intensificar as críticas ao governo Lula.
Na avaliação de Marinho, o PT apresenta há quase duas décadas propostas semelhantes sem conseguir solucionar problemas estruturais do país.
Bolsa Família e direitos trabalhistas.
Questionado sobre uma declaração de Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, que repercutiu nesta segunda-feira (19), Rogério Marinho, coordenador da campanha do candidato, negou que a proposta seja retirar do Bolsa Família beneficiários que completarem dois anos de emprego com carteira assinada.
Segundo ele, a fala de Daniella foi distorcida.
Marinho explicou que a proposta apresentada por Daniella, em entrevista à rádio CBN, na Bahia, prevê ampliar de 18 para 24 meses o período de transição para beneficiários do programa que conseguirem um emprego formal.
Já o coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, questionou o compromisso de Flávio Bolsonaro com a manutenção de benefícios sociais e direitos trabalhistas.
Segundo ele, a desconfiança se deve ao histórico de votações do senador e às políticas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Edinho criticou a atuação parlamentar de Flávio em temas relacionados à licença-maternidade e à aposentadoria. Também acusou o candidato de mudar de posição sobre o fim da escala 6x1 por motivos eleitorais.
O coordenador da campanha de Lula questionou as propostas de Flávio Bolsonaro para a segurança pública e criticou uma mudança na legislação que, segundo ele, dificultaria o rastreamento de munições.
Ele também criticou o histórico de Flávio Bolsonaro na área de segurança pública, acusando o senador de ter condecorado milicianos e de ter integrado como advogado a defesa de um policial acusado de matar uma criança de cinco anos.
Em resposta, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro criticou o que chamou de "narrativas sem nexo com a realidade" e afirmou que a mudança relacionada à identificação das munições faz parte de um projeto de alteração do Estatuto do Desarmamento, relatado na Câmara pelo deputado Alexandre Leite.
Segundo ele, a proposta chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não foi votada.
Marinho argumentou que as críticas de Edinho dão a entender que Flávio Bolsonaro seria o autor da proposta, quando, segundo ele, a alteração questionada corresponde a apenas um dos quase 40 dispositivos do texto.
O coordenador de Flávio explicou que a mudança atenderia a uma demanda de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs), ao facilitar o reaproveitamento de munições e reduzir os custos de recarga.
Segundo Marinho, a intenção não seria impedir o rastreamento.
Questionado se Flávio Bolsonaro apoia as alterações propostas para o Estatuto do Desarmamento, Marinho respondeu que sim.
O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, questionou a caracterização dos atos de 8 de janeiro de 2023 como tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, o episódio ainda precisa ser esclarecido pela sociedade e pela Justiça.
Durante o debate, a mediadora Julia Duailibi ponderou que o julgamento da tentativa de golpe não se limitou à invasão e à depredação das sedes dos Três Poderes, mas também abordou articulações anteriores, incluindo reuniões no Palácio da Alvorada com integrantes da cúpula militar.
Em resposta, o coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, contestou a interpretação de Marinho e afirmou que a gravidade dos acontecimentos não pode ser minimizada.
Ele citou as investigações sobre um plano para assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes.
Edinho também defendeu que a preservação da democracia deve estar acima das divergências políticas.
O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, criticou a condução das contas públicas pelo governo Lula e acusou o presidente de aumentar despesas sem garantir receitas suficientes para cobri-las.
Segundo ele, o governo tem recorrido à elevação de impostos em vez de reduzir gastos.
Nós estamos tendo aí uma demonstração de como não se trata com respeito e com cuidado das finanças públicas do país", afirmou Marinho.
Marinho também criticou o crescimento da dívida pública e argumentou que a falta de controle das contas do governo prejudica a população, com reflexos nos preços dos alimentos, nos juros e na inflação.
Em resposta, o coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, afirmou que o atual governo herdou uma situação fiscal difícil em 2023, com um déficit de 2,6% do PIB e dificuldades para arcar com despesas como precatórios e Bolsa Família.
Nós estamos falando de um país que nós pegamos literalmente quebrado e nós estamos entregando um país estável [...] Mas, também, nós herdamos o Brasil sem dinheiro para pagar precatórios, sem dinheiro para pagar o Bolsa Família, sem dinheiro para pagar as despesas continuadas", afirmou Edinho.
Edinho também defendeu a atuação internacional do governo Lula e afirmou que o Brasil recuperou a credibilidade no exterior e ampliou seus mercados comerciais. O petista ainda criticou Flávio Bolsonaro por declarações feitas nos Estados Unidos sobre as reservas brasileiras de terras raras.
Marinho, por sua vez, defendeu a gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 e afirmou que o Brasil teve uma recuperação econômica superior à média mundial nos dois anos seguintes à crise sanitária.
Questionado pela mediadora Julia Duailibi sobre as cerca de 700 mil mortes por Covid-19 no Brasil, Marinho respondeu que “morreram como morreu no mundo inteiro”.
Questionado sobre como Flávio Bolsonaro pretende promover o ajuste fiscal, o coordenador de sua campanha, Rogério Marinho, defendeu a redução da estrutura do Estado e criticou a gestão das empresas estatais.
O senador negou que o candidato pretenda equilibrar as contas públicas à custa da população mais pobre.
Marinho criticou a indicação de sindicalistas e aliados políticos para cargos de direção nas estatais e defendeu o que chamou de “Estado necessário”, em vez de um Estado mínimo.
O coordenador também cobrou transparência nos gastos com cartões corporativos e criticou os pagamentos acima do teto salarial do funcionalismo público. Segundo ele, a defesa de uma reforma do Judiciário pelo governo Lula representa “oportunismo eleitoral”.
Em resposta, o coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, defendeu a política tributária do governo e afirmou que foram adotadas medidas para aumentar a cobrança de impostos sobre os mais ricos e recompor a renda das famílias.
Edinho também criticou as desonerações concedidas durante o governo Jair Bolsonaro e questionou a manutenção de benefícios fiscais a determinados setores da economia após a pandemia.
Sobre as críticas aos gastos com viagens, Edinho argumentou que a oposição atribui ao presidente despesas realizadas por todo o governo ao longo de quase quatro anos.
Também defendeu as agendas internacionais de Lula, afirmando que contribuíram para a abertura de mercados às empresas brasileiras e para a recuperação da credibilidade do país no exterior.
Meta e igualdade entre as campanhas.
Os coordenadores também comentaram a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, nesta segunda-feira (19), deu prazo de 24 horas para a Meta comprovar as medidas adotadas para garantir a igualdade de condições entre as campanhas presidenciais.
O coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, afirmou que o PT recorreu ao tribunal para assegurar condições iguais na disputa eleitoral.
Já o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, defendeu a liberdade de expressão e a igualdade de condições entre os candidatos nas plataformas digitais.
Segundo ele, a campanha não busca favorecimento por parte da Meta ou de outras empresas de tecnologia.
O que está acontecendo hoje no Brasil é que o governo tem o condão de tentar suprimir a liberdade de expressão das pessoas", afirmou Marinho.
Oportunismo' na reforma do Judiciário e Caso Master.
Em outro momento do programa, Rogério Marinho voltou a criticar os gastos públicos do governo Lula, o aumento do número de cargos comissionados e a falta de transparência nas despesas com cartões corporativos.
Também questionou a proposta de reforma do Judiciário defendida pelo PT, classificando-a como uma medida de caráter eleitoral.
Em resposta, Edinho Silva afirmou que privilégios também foram concedidos durante o governo Jair Bolsonaro. Ele citou o caso do Banco Master e as fraudes em benefícios do INSS, atribuindo à atual gestão o enfrentamento dessas irregularidades.
Quando a gente fala de privilégios, o Banco Master nasce em que governo? As fraudes do INSS nascem em que governo? O governo do presidente Lula desmonta o Banco Master, manda prender o Vorcaro e o presidente Lula desmonta todo o esquema de fraude do INSS, que roubava dinheiro dos aposentados.
Em números
- Questionado pela mediadora Julia Duailibi sobre as cerca de 700 mil mortes por Covid-19 no Brasil, Marinho respondeu
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…