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Corumbá - MS | Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 | 15:23

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Facção “comprava” policiais para eliminar rivais e ocultar provas

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Facção “comprava” policiais para eliminar rivais e ocultar provas

Investigação aponta participação de agentes de MS e MT em ataques, vazamentos e proteção a traficantes.

Três policiais civis e um militar de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal aposentado de Mato Grosso são investigados por receber dinheiro e bens para fornecer informações sigilosas a uma organização criminosa envolvida com tráfico internacional de drogas e armas.

Segundo apuração, os agentes ajudavam a localizar rivais do grupo, monitoravam veículos e celulares e repassavam dados utilizados para planejar ataques, incêndios e até homicídios.

A Polícia Federal deflagrou a Operação Ifrit e investiga três policiais civis, um militar de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal aposentado por venderem informações sigilosas a uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e armas.

O investigador Douglas Tobias, também implicado na Operação Infiltrados, é um dos agentes citados no contexto da Operação Ifrit, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal e Receita Federal, com cumprimento de mandados em sete estados.

Os outros dois policiais civis são o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e o investigador especial Andrey Elesbão Silva. Tobias teve a prisão preventiva no âmbito da Operação Infiltrados revogada ontem e hoje foi alvo de outra cautelar.

Andrey também foi preso hoje. O nome do policial militar implicado no caso não foi revelado.

De acordo com a investigação, os policiais não se limitavam a vender informações. Eles também atuavam para afastar adversários da organização criminosa, inclusive por meio de prisões, o que ajudava o grupo a ampliar seu domínio sobre territórios e atividades ilegais.

Os agentes ainda são suspeitos de avisar os criminosos sobre operações policiais, dificultar investigações e eliminar provas que poderiam comprometer integrantes da organização.

A estrutura de proteção incluía a liberação irregular de veículos apreendidos e drogas que, segundo a PF, voltavam ao mercado ilegal sob controle do próprio grupo.

As informações obtidas pelos policiais também eram utilizadas para identificar a localização e os deslocamentos de rivais. Com esses dados, a organização planejava ações de intimidação, ataques a tiros contra imóveis e execuções.

A investigação aponta que a participação dos servidores públicos era uma das ferramentas utilizadas para manter o controle territorial, especialmente na faixa de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa comandou a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e a Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros).

Conforme apuração da reportagem, o delegado mantinha uma relação estável com a cúpula criminosa e permitia o acesso de traficantes ao depósito de drogas da Denar.

Para esconder os desvios, os criminosos substituíam a cocaína apreendida por uma mistura de baixa pureza, preparada com produtos como maisena e fermento. O material adulterado permanecia no depósito até ser encaminhado para destruição, enquanto a droga original voltava ao tráfico.

Douglas Tobias e Hoffman já haviam sido alvos da Operação Infiltrados, deflagrada em setembro pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

A investigação apura o desvio de drogas apreendidas por policiais e a posterior comercialização dos produtos no mercado ilegal.

Douglas estava lotado no GOI (Grupo de Operações e Investigações) e foi afastado das funções pela Corregedoria da Polícia Civil.

O investigador também aparece nas apurações sobre uma apreensão de cocaína em Bela Vista, em maio de 2024. Na ocasião, segundo o Gaeco, aproximadamente 400 quilos da droga teriam sido desviados antes do registro oficial da ocorrência.

A ofensiva desta quarta-feira mobilizou 500 policiais federais e 44 servidores da Receita Federal para cumprir 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária.

Também foram determinadas medidas de monitoramento eletrônico e afastamento das funções de três policiais civis de Mato Grosso do Sul.

A Justiça Federal determinou ainda o compartilhamento de provas com o Ministério Público e as corregedorias das instituições policiais envolvidas, para apuração das responsabilidades dos servidores.

A organização criminosa investigada é comandada, segundo a PF, por um núcleo familiar formado por três irmãos e outros parentes, com atuação principalmente em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina e vínculos com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o PGC (Primeiro Grupo Catarinense).

Entre os 3 irmãos com descendência árabe acusados de liderar a organização está Adel Hassan Haidar, preso hoje em um condomínio de luxo em Ponta Porã.

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