Na última terça-feira (3), volta de feriado e primeiro pregão de novembro, os ativos brasileiros tiveram uma sessão de forte aversão ao risco.
O Ibovespa fechou em baixa, perdendo o patamar dos 165 mil pontos no pior momento, pressionado por forte recuo de Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), mas também debilitado por incertezas no mercado sobre o rumo da economia do país.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,42%, a 165. 528,92 pontos, mínima de fechamento desde 19 de janeiro. No pior momento do dia, alcançou 164.
446,53 pontos. Na máxima, marcou 168. 005,46 pontos.
Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,4%, com elevação ante 15,332% da sessão anterior.
O aumento da desconfiança em torno da disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em promover um ajuste fiscal castigou os ativos brasileiros na volta do feriado de Finados.
A descrença em torno do anúncio de medidas para conter os gastos públicos ganhou corpo na semana passada após declarações contrárias ao ajuste fiscal vindas de figuras próximas a Lula.
No fim de semana, relatos de que uma ala do governo estaria disposta a encampar as ideias do economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, de reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública via cortes agressivos da taxa Selic aumentaram o desconforto dos investidores.
Para fazer um ajuste fiscal via redução do serviço da dívida, Resende defende que o Banco Central teria de manter o juro básico em um limite que seria a soma da meta de inflação, atualmente em 3%, com o crescimento potencial da economia, estimado em 2,5%.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou na véspera que haja uma reunião marcada entre os dois e disse que a ideia de Resende é incipiente. Economistas também consideram pouco provável que a proposta seja implementada, mas, de qualquer forma, as discussões pressionaram o mercado.
Estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, Luis Felipe Vital avalia que os rumores sobre estabelecer uma meta para Selic compõem um quadro mais amplo de “vácuo” de sinalizações que tem elevado a aversão a risco.
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De acordo com Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, a dinâmica segue marcada pela incerteza sobre o perfil do próximo governo Lula, pela espera por sinalizações do programa e principalmente dos nomes da equipe econômica.
Conforme Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, mesmo com a Fazenda negando a reunião do governo com Lara Resende e qualquer estudo de tabelamento da Selic, o apoio público de nomes próximos ao presidente à proposta já basta para pressionar o câmbio e a parte longa da curva de juros.
Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados, ressaltou que as propostas de André Lara Resende recolocam em discussão questões importantes sobre o funcionamento da política monetária, o custo dos juros elevados e sua interação com a política fiscal.
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Gestores e economistas avaliam que um corte sem sinalização de ajuste fiscal tende a ampliar o prêmio nos vencimentos longos da curva, já pressionados desde a reeleição de Lula.
Para ele, a preocupação do mercado decorre da possibilidade de que propostas de redução acelerada dos juros sejam interpretadas como sinal de menor compromisso com a estabilidade de preços ou com a autonomia operacional do Banco Central.
Nesse contexto, a reunião do Copom desta quarta, avalia o economista, assume também uma dimensão institucional. O Comitê terá a oportunidade de reafirmar que suas decisões são orientadas por critérios técnicos e pelo cumprimento da meta de inflação.
O desafio, aponta, não é simplesmente baixar a Selic, mas criar condições para que os juros possam cair de maneira sustentável, sem provocar desvalorização cambial, aceleração inflacionária ou aumento dos prêmios de risco.
Em números
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