A forte desvalorização do real após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi considerada exagerada por economistas e estrategistas de grandes instituições financeiras internacionais, que veem espaço para uma recuperação parcial da moeda brasileira.
- Três meses: de R$ 4,70 para R$ 5,45.
- Seis meses: de R$ 4,75 para R$ 5,35.
Na avaliação desses profissionais, um ajuste das contas públicas e a presença de um Congresso de perfil mais conservador podem ajudar a limitar uma agenda fiscal expansionista.
Apesar das incertezas, a visão sobre o real permanece, em geral, construtiva.
Desde o último pregão antes do segundo turno, em 23 de outubro, o dólar acumulou alta de 10,33% frente ao real, passando a apresentar leve valorização no ano.
Apenas na primeira semana após a reeleição de Lula, a moeda americana subiu mais de 9% frente ao real, registrando a maior valorização semanal desde o fim de outubro de 2008, no auge da crise financeira global desencadeada pelo colapso do setor imobiliário americano.
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Commerzbank vê correção do dólar e projeta R$ 5,20.
Pfister classifica a depreciação do real como aguda e pondera que pode haver uma correção no curto prazo, à medida que o resultado da eleição seja assimilado pelos investidores.
No médio prazo, o fator-chave para o comportamento da taxa de câmbio será a capacidade de Lula de implementar um ajuste fiscal crível e conduzir uma agenda de reformas econômicas.
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Capital Economics vê Congresso como freio à expansão fiscal.
O economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, trabalha com a perspectiva de uma política fiscal um pouco mais conservadora em 2027.
Ele observa, porém, que o governo discute, por enquanto, “apenas um resultado primário modestamente mais ambicioso”, enquanto o nome do futuro ministro da Fazenda ainda não foi anunciado.
Wells Fargo aposta no real e vê dólar a R$ 5,30.
O estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, Álvaro Vivanco, considera que a reação dos investidores à reeleição de Lula foi “exacerbada”.
Vivanco destaca que o real continua sustentado por contas externas sólidas e por um choque positivo nos termos de troca do Brasil, decorrente da valorização do petróleo e, mais recentemente, da alta dos preços das commodities agrícolas.
Além disso, a moeda brasileira pode se beneficiar de uma postura menos dovish — ou menos favorável à redução dos juros — por parte do Banco Central brasileiro, o que mantém elevado o diferencial de juros que favorece investimentos em reais.
O estrategista também considera que a oposição terá maioria no Congresso Nacional, funcionando como contrapeso ao governo Lula.
Embora avalie o quadro fiscal como “preocupante”, espera que o novo governo promova “um ajuste fiscal suficiente” no início do mandato.
Société Générale evita apostar em nova disparada do dólar.
O estrategista do Société Générale para a América Latina, Brendan McKenna, decidiu encerrar posições vendidas em dólar e euro contra o real que haviam sido montadas após a liderança surpreendente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial.
Ele pondera, contudo, que pode voltar a apostar na moeda brasileira caso haja redução dos riscos institucionais e da volatilidade.
Para McKenna, a depreciação do real deve “manter pontos de entrada atraentes por um período”.
Apesar da cautela no curto prazo, o estrategista afirma que a tendência, neste momento, não é apostar em uma nova onda de desvalorização da moeda brasileira.
Ele argumenta que a composição mais conservadora do Congresso pode conter tentativas de nova expansão fiscal no quarto mandato de Lula.
Goldman Sachs eleva projeções para o dólar após eleição.
O Goldman Sachs também destaca a importância dos próximos passos do governo para determinar a trajetória do câmbio.
Segundo o banco, a experiência de ciclos eleitorais anteriores mostra que a avaliação sobre quanto do prêmio fiscal embutido na taxa de câmbio é justificado depende de decisões como a nomeação do próximo ministro da Fazenda e a aprovação do Orçamento de 2027.
Após a eleição, o Goldman Sachs revisou para cima suas projeções para o dólar em três horizontes.
As revisões refletem a incorporação de riscos fiscais maiores ao cenário cambial, embora as projeções também indiquem espaço para uma acomodação da moeda americana ao longo dos próximos meses.
Em números
- Trader tenta recuperar perdas, faz 85 operações e perde R$ 25 mil em um dia
- Commerzbank vê correção do dólar e projeta R$ 5,20
- Wells Fargo aposta no real e vê dólar a R$ 5,30
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