Um dos pioneiros da cena country texana, Bowen celebra dois álbuns: um recém-lançado e outro que completa 20 anos: ‘Eu estava me esforçando muito para provar meu valor como compositor’.
Quando Wade Bowen entrou no estúdio de Sean McConnell em 2020, estava passando por um momento difícil. O ano anterior o havia colocado à prova, pessoal e profissionalmente, de maneiras que ele nunca tinha vivenciado em seus 20 anos de carreira.
Problemas crônicos nas cordas vocais e uma cirurgia posterior o obrigaram a cancelar uma longa sequência de shows, incluindo uma turnê europeia. Ele estava de luto pela morte de seu sobrinho Chase Cavender, integrante da equipe de turnê, que morreu por suicídio em 2018.
Nesse contexto, o álbum que fez com McConnell ficou cru, sem polimento e pesado. A pandemia agravou a situação. “Simplesmente não era o momento certo para ele”, relembra Bowen.
Assim que ele e McConnell terminaram o disco, engavetaram o projeto inteiro.
Desde então, Bowen lançou dois álbuns de estúdio — o mais recente, Flyin’ (2024) —, além de seu segundo disco em parceria com Randy Rogers, Hold My Beer, Vol. 2 (2020).
Morador de New Braunfels, no Texas, o cantor manteve uma agenda frenética de turnês, como atração principal em grandes casas de shows texanas e salões de dança de médio porte por todo o país, com apresentações ocasionais em arenas ou anfiteatros abrindo para Koe Wetzel.
Então, em 2025, cinco anos depois de gravar aquele álbum com McConnell, Bowen voltou a ouvi-lo.
McConnell fez uma nova mixagem do álbum e — seis anos depois da gravação — Bowen lançou The Version of Me You Get (2026) em setembro. Na época, era um diário aberto de Bowen enquanto ele tentava se orientar em meio à confusão mental, mas, em retrospecto, o álbum de 10 faixas é o retrato de um compositor ampliando seus limites musicais e de escrita.
Desde o início da carreira, em 1998, Bowen chegou ao topo da cena country texana com uma mistura de canções de amor, como “Who I Am”, e músicas para dançar a dois, como “Saturday Night”, mas seu repertório sempre foi country, muitas vezes na vertente honky-tonk.
The Version of Me You Get, porém, acrescenta uma pegada inegavelmente roqueira à voz rouca e ao sotaque texano arrastado de Bowen. O verso de abertura de “Rain”, a primeira faixa — “Foi uma baita tempestade.
Quase não sobrevivi, queria tanto que tivessem me avisado” —, expõe a angústia que deu origem ao disco.
A faixa-título dá destaque ao piano enquanto Bowen lamenta pelos amigos e familiares que estiveram ao seu lado ao longo da carreira. Em “Turpentine”, ele pede uma bebida mais forte do que a maioria dos bares consegue servir.
Já a assombrosa “Weight on the Levee” é uma colaboração com Dan Tyminski, cuja versão de “Man of Constant Sorrow” foi usada no filme E Aí, Meu Irmão, Cadê Você.
(2000). Tyminski e McConnell haviam composto “Weight on the Levee”, e foi McConnell quem sugeriu convidar o artista de bluegrass para participar.
Em novembro, Bowen estará envolvido na divulgação de dois álbuns ao mesmo tempo. Seu disco Lost Hotel (2006) — que o consolidou como um dos maiores nomes da música texana na época — completará 20 anos, e Bowen celebrará a data com uma edição de luxo que reúne faixas de estúdio inéditas, gravações ao vivo e versões demonstrativas.
A carreira que Bowen acabou construindo é algo que a maioria dos artistas nunca alcança. Ele contou com McConnell e com o saudoso Keith Gattis na produção de alguns de seus discos mais importantes.
Wetzel o cita como influência. Ele e Rogers ainda saem em turnê juntos com frequência, e Bowen participou da turnê de reunião do Cross Canadian Ragweed em 2025, abrindo um show com ingressos esgotados no McLane Stadium, em Waco, no Texas, em agosto daquele ano.
Em novembro, será a atração principal do intimista festival Hill Country Reserve, em Fredricksburg, no Texas. Ele também produziu o EP de retorno que Bleu Edmondson lançou no ano passado.
Agora com 47 anos, Bowen diz que esse legado é o que o motiva. Ele sabe que provavelmente nunca terá um sucesso no topo das paradas nem será atração principal em arenas, mas encontrou, em vez disso, uma arte à qual tem prazer em se dedicar e que está satisfeito em continuar fazendo.
Josh Crutchmer é jornalista e autor. Seu próximo livro, Sonoran Sounds, tem lançamento previsto para março de 2027 pela Back Lounge Publishing.
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