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Resolução genérica sobre guerra marca cúpula dos Brics

Com riviais Irã e Emirados à mesa, texto pede paz no Oriente Médio e critica tarifas, mas não cita os EUA

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Apesar dos pedidos do líder chinês Xi Jinping para que o Brics assuma um papel de protagonista na paz do Oriente Médio, o grupo integrado por Brasil e outros países adotou neste sábado (12) uma resolução apenas genérica acerca da paz na região conflagrada.

O texto final da 18ª reunião anual do grupo, realizada em Nova Déli (Índia), afirmou que seus membros expressam "profunda preocupação" com o conflito, pediu "máxima contenção" dos envolvidos e "uma abordagem multilateral" pela paz.

Nenhuma palavra sobre os beligerantes: Estados Unidos, Israel e Irã, nem sobre os outros 13 países da região afetados pela guerra iniciada por Donald Trump em 28 de fevereiro e ainda inconclusa.

Um dos motivos era a presença de dois deles à mesa: Irã e Emirados Árabes Unidos, principal alvo da retaliação de Teerã contra aliados americanos no Golfo Pérsico.

Nesse sentido, a existência de uma declaração unânime ainda que sem assinaturas foi uma vitória do anfitrião, o premiê Narendra Modi.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também se encontrou com o enviado emirati, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed, às margens da cúpula.

O primeiro-ministro indiano também pôde mostrar uma nova fotografia com o russo Vladimir Putin e Xi, todos de mãos dadas, repetindo a dose do encontro entre os três em setembro de 2025 na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, na China.

Naquele momento, a imagem simbolizava o desafio do trio às políticas dos EUA sob Trump. Agora, cada país tem tido uma abordagem própria em relação ao americano, baseada em seus interesses.

O texto também repetiu críticas já feitas antes pelo Brics a sanções unilaterais, uma mesura à fundadora do grupo Rússia, punida no Ocidente pela Guerra da Ucrânia, e às guerras tarifárias que marcam a segunda gestão Trump.

O tom pouco específico reflete as discrepâncias internas do Brics, que começou em 2009 com 4 membros e chega a 2026 com 10, 5 deles integrados na grande expansão promovida por Xi em 2023 para tentar elevar o status internacional da organização.

Na prática, as divergências ficaram mais explícitas. Com efeito, após não ter sido acertada uma nova expansão em 2024 na Rússia, o encontro de 2025 no Brasil foi esvaziado.

Nesta edição indiana, foi a vez de Lula (PT) não aparecer, no caso por causa da campanha eleitoral.

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