Nós, o Povo". Essas palavrinhas, que aparecem no preâmbulo da Constituição americana, ganham significado especial com a vitória democrata nas eleições de meio de mandato.
Mas, antes, cabe perguntar: o que os constituintes de 1787 queriam dizer com "povo", essa coisa tão abstrata quanto concreta, reiterada na primeira, segunda, quarta, nona e décima emendas.
Lá atrás, a intenção de reunir os filhos de uma nação recém-criada não evitou a exclusão de mulheres, negros, escravizados e criminosos da vida pública. Mais tarde, legisladores procuraram estender a proteção constitucional para grupos sem capacidade de representar a si mesmos.
E assim o povo, fonte emanadora do poder numa democracia, tornou-se essa ideia longeva que nos acompanha.
Pensando nisso, olho para as guinadas eleitorais dos últimos dias. Aconteceram no Brasil, quando o presidente Lula desbancou seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro, por uma diferença de 4,4 milhões de votos.
Essa vantagem numérica tornou-se, ato contínuo, recipiente da vontade do povo brasileiro.
Aconteceram também nos EUA, com a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato. Isso altera o comando das Casas do Congresso, impondo limites a um presidente autoritário, cujo despreparo político e o ego inflado fundem-se numa combinação negativa, geradora de reprovação.
Portanto, seja no Brasil ou nos EUA, guinadas eleitorais expressaram a vontade de um rechaço social, sendo capazes de mudar a cara dos países em questão de dias ou horas.
Em números
- Residente Lula desbancou seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro, por uma diferença de 4,4 milhões de votos
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