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Política

Viagem do Papa terá maratona por 3 países e “retorno ao lar” no Peru

Pontífice de 71 anos percorrerá 30 mil quilômetros em 12 dias com paradas no Uruguai, Argentina e Peru acompanhado por equipe médica

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Pouco mais de três semanas atrás, a visita mais importante do pontificado do papa Leão parecia estar ameaçada. A cirurgia de câncer no pulmão do pontífice, de 71 anos, levou alguns integrantes do Vaticano a acreditar que a viagem à América Latina seria adiada ou que sua intensa programação seria modificada.

  • Peru diz que Vaticano não tem "opinião definitiva" sobre visita do papa.
  • Data de viagem do papa à América Latina pode mudar, diz presidente do Peru.
  • Como fica a agenda de viagens e eventos do papa Leão nos próximos meses.

Mas Leão XIV seguirá adiante com uma exaustiva visita de 12 dias, que inclui Uruguai, Argentina e um emocionante “retorno para casa” ao Peru, país onde atuou como missionário e bispo por cerca de duas décadas.

Ele percorrerá uma longa distância — cerca de 30. 600 quilômetros — durante a viagem pela América Latina. De 6 a 17 de novembro, o papa tem 14 voos programados (incluindo dois de helicóptero), fará 36 discursos e participará de cerca de 50 eventos, naquela que é uma das viagens papais mais intensas dos últimos anos.

Ele também visitará Cusco, no Peru, cidade situada a mais de 3. 350 metros acima do nível do mar, onde há 35% menos oxigênio a cada respiração. Ao longo de toda a viagem, passará por dez cidades, celebrará grandes missas e vigílias ao ar livre e se reunirá com líderes políticos.

A viagem, especialmente a altitude de Cusco, levantou questionamentos sobre sua saúde e as precauções que serão adotadas. Também voltou os holofotes para uma região que teve profunda influência sobre ele e moldou seu caminho até o papado.

Equipe médica estará à disposição O pontífice passou por uma cirurgia no mês passado para remover um terço do pulmão direito, depois que um pequeno tumor foi identificado durante exames de rotina e posteriormente confirmado como câncer.

Seu cirurgião, Dr. Stefano Margaritora, afirmou depois do procedimento que “não há razões clínicas para que esta viagem não aconteça”, e os médicos disseram que ele não precisa de tratamento adicional.

Autoridades do Vaticano disseram a jornalistas que o papa Leão terá uma equipe médica à disposição durante a viagem, mas ressaltaram que nenhuma medida especial está sendo adotada.

O porta-voz disse, porém, que não entraria em muitos detalhes, já que o papa não tem uma “condição permanente”. Caso a equipe médica do Vaticano precise de ajuda, um dos jornalistas que viajam com o pontífice também é médico.

Montse Alvarado, nova chefe de Comunicação do Vaticano, disse a jornalistas na terça-feira que a “resistência física” do papa é “fantástica” e que “ele terá bastante assistência médica a bordo caso aconteça alguma coisa”.

O Dr. Matthew Triplette, pneumologista do Fred Hutchinson Cancer Center, em Seattle, disse à CNN que o risco de uma emergência médica durante a viagem é “baixo”, mas que ela poderia envolver “um colapso pulmonar ou coágulos sanguíneos”.

Triplette afirmou que o papa pode receber a recomendação de “tomar anticoagulantes em baixa dose ou fazer exercícios ou usar dispositivos de compressão” para reduzir a possibilidade de formação de coágulos nas pernas durante os voos.

Caso se desloquem para os pulmões, esses coágulos podem provocar problemas graves. Ele acrescentou que o pontífice pode sentir mais fadiga durante esforços físicos, especialmente porque há menos oxigênio disponível em grandes altitudes.

Papa Leão fez questão de manter a viagem Após a cirurgia, muitos especularam que a viagem seria cancelada. “Devo confessar que, até poucos dias atrás, eu estava entre os poucos que tinham sérias dúvidas sobre a possibilidade de essa viagem acontecer”, disse a jornalistas na terça-feira Guzmán Carriquiry, ex-funcionário uruguaio do Vaticano que trabalhou com questões latino-americanas por quase 50 anos na administração central da Igreja.

Mas ele também destacou que a equipe médica do papa deu sinal verde para a viagem. “Isso sugere que os médicos acreditam que o papa tem uma constituição física robusta; também é uma prova do desejo ardente e da determinação do papa de sair e encontrar nosso povo”, afirmou.

Carriquiry observou, porém, que teria retirado Cusco da programação se tivesse organizado a viagem. Embora Leão XIV seja conhecido por seu estilo gentil e discreto, ele é determinado.

Ao responder a uma pergunta da CNN, Alvarado disse que o papa “confirmou pessoalmente esta viagem, sem nenhuma alteração” e que estava ansioso para retornar à América Latina.

O continente, e o Peru em particular, ocupam um lugar especial em seu coração. Alvarado afirmou que o papa falará frequentemente de improviso em espanhol, idioma que domina.

Peru está no centro da viagem A etapa peruana da viagem será emocionante, já que Leão chegará ao país “como um irmão adotivo, adotado pelo povo peruano”, disse Carriquiry.

O papa, que continua sendo cidadão peruano, teve três passagens pelo país, para onde chegou pela primeira vez aos 30 e poucos anos. Também foi bispo de Chiclayo, no noroeste do Peru, de 2015 a 2023.

O pontífice voltará a Chiclayo durante a viagem e deve receber uma recepção calorosa. Leão é lembrado com carinho na cidade, onde era considerado um bispo atuante, conhecido por percorrer sua diocese a cavalo.

A expectativa é que Leão atraia grandes multidões no país. Estima-se que cerca de 1,2 milhão de pessoas participem da missa de encerramento da viagem, na Base Aérea Las Palmas, em Lima.

Ele também deve atrair grandes públicos na Argentina, onde mais de um milhão de pessoas são esperadas para a missa em Buenos Aires. A missão inacabada de seu antecessor na Argentina O falecido papa Francisco, primeiro pontífice argentino, nunca visitou seu país natal.

Por isso, a viagem de Leão desperta grande interesse. Francisco nunca deu uma explicação clara para não ter visitado a Argentina. Carriquiry, amigo próximo do falecido papa, disse que isso “continua sendo um enigma”.

A visita de Leão XIV destacará seus planos de dar continuidade às reformas de seu antecessor, mas com um estilo próprio. A viagem ocorre em um momento em que as medidas de austeridade do presidente argentino, Javier Milei, conhecidas como “motosserra”, levaram a cortes nos gastos com assistência social.

Milei também equiparou programas de justiça social conduzidos pelo Estado ao comunismo. Leão, em contraste, colocou os ensinamentos sociais da Igreja e a preocupação com os mais vulneráveis no centro de seu pontificado.

A programação inclui uma visita a um presídio federal em Buenos Aires e uma parada em um centro de atendimento a pessoas com deficiências intelectuais e físicas, em Claypole, afetado pelos cortes de Milei.

Milei e a presidente do Peru, Keiko Fujimori, são figuras de destaque na guinada à direita na América Latina. Ambos também contam com o apoio do governo Trump, com o qual Leão já demonstrou discordâncias públicas, especialmente em questões migratórias.

Um papa missionário em um continente que o moldou Leão XIV não teria sido eleito papa se não tivesse sido enviado ao Peru como jovem missionário agostiniano. Sua passagem pela América Latina o colocou no caminho para ser notado pelo papa Francisco.

Foi Francisco quem nomeou o então padre Robert Prevost bispo de Chiclayo, antes de levá-lo posteriormente a Roma e torná-lo cardeal. Tudo isso o colocou entre os candidatos ao conclave de 2025.

Embora Leão seja o primeiro papa nascido nos Estados Unidos e tenha crescido em Chicago, sua experiência na América Latina influenciou profundamente sua visão de mundo.

No Peru, ele atuou no local de nascimento da teologia da libertação, movimento voltado à ação social e política para ajudar os pobres e oprimidos. Como bispo, era conhecido por organizar assistência prática às pessoas afetadas por enchentes ou que precisavam de equipamentos médicos durante a pandemia de Covid-19.

Ele serviu em uma Igreja no Peru que enfatizava um modelo inclusivo, dando mais espaço a pessoas que não eram ordenadas sacerdotes ou bispos, incluindo mulheres.

Sua passagem pelo Peru também o colocou em contato com as consequências da crise de abusos cometidos pelo clero, incluindo um grande escândalo envolvendo um poderoso grupo católico.

O Vaticano afirma que o papa terá dois encontros com sobreviventes de abusos durante a viagem, um na Argentina e outro no Peru. A América do Sul continua sendo o continente com a maior população católica, embora os últimos anos tenham registrado uma queda no número de fiéis e o crescimento de igrejas evangélicas.

No Uruguai, o papa estará no país mais secularizado do continente. Quaisquer que sejam os desafios à sua saúde, o papa Leão está determinado a realizar a missão internacional mais importante de seu pontificado até agora: retornar ao país que o adotou e à região que ajudou a moldar o homem que se tornaria papa.

https://stories.cnnbrasil.com.br/internacional/papa-leao-retira-parte-do-pulmao-e-tem-cancer-confirmado-diz-vaticano/.

Pontífice de 71 anos percorrerá 30 mil quilômetros em 12 dias com paradas no Uruguai, Argentina e Peru acompanhado por equipe médica.

CompartilharAdicionar CNN Brasil aoPapa Leão 14 no Vaticano • 25 de maio de 2026 REUTERS/Yara Nardi Pouco mais de três semanas atrás, a visita mais importante do pontificado do papa Leão parecia estar ameaçada.

Ele explicou que o papa viajará com a “assistência médica habitual”, incluindo médicos, enfermeiros e uma ambulância, que normalmente acompanha o comboio papal.

Papa Leão fez questão de manter a viagem.

A missão inacabada de seu antecessor na Argentina.

O falecido papa Francisco, primeiro pontífice argentino, nunca visitou seu país natal. Por isso, a viagem de Leão desperta grande interesse.

Um papa missionário em um continente que o moldou.

Sua passagem pela América Latina o colocou no caminho para ser notado pelo papa Francisco. Foi Francisco quem nomeou o então padre Robert Prevost bispo de Chiclayo, antes de levá-lo posteriormente a Roma e torná-lo cardeal.

Em números

  • Estima-se que cerca de 1,2 milhão de pessoas participem da missa de encerramento da
  • Pontífice de 71 anos percorrerá 30 mil quilômetros em 12 dias com paradas no Uruguai, Ar

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