O deputado federal Gilson Marques (NOVO-SC) e o deputado federal Fábio Felix (PSOL-DF) debateram, na quarta-feira (4), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se "as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas midterms, mudam a relação entre o Brasil e os EUA.
- O que virada democrata nos EUA pode significar para Irã, Israel e Ucrânia.
- Republicanos criticarem Trump é teste da legenda, diz especialista.
- Democratas focarão em questões de corrupção e Epstein, diz especialista.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos reacende o debate sobre os possíveis impactos na relação entre Washington e Brasília.
Com discussões em aberto entre os dois países — como o tarifaço e a classificação de organizações criminosas como terroristas —, parlamentares brasileiros divergem sobre a real dimensão das mudanças que o novo cenário político americano pode trazer.
Gilson Marques: mudança provisória, sem impacto diplomático direto Para Gilson Marques, o resultado das midterms representa uma alteração conjuntural, e não uma transformação ideológica profunda do eleitorado americano.
O fato dos americanos terem escolhido mais democratas do que republicanos, inclusive em lugares históricos como Kansas e Texas, não significa que essas pessoas mudaram ideologicamente daquilo que elas sempre pensavam", afirmou.
Segundo ele, conforme dados da Reuters, 90% dos eleitores americanos apontaram o custo de vida como o principal problema do país, o que tornaria o movimento nas urnas algo "provisório e não duradouro.
Marques também defendeu que o desvio de foco dos americanos em relação à América Latina pode ter um efeito positivo para o Brasil. "Ele vai precisar agora resolver o problema interno dele e talvez não se meter muito lá no Irã, na América Latina, entre outras coisas", disse.
O parlamentar ainda ressaltou que as tarifas impostas não prejudicam apenas os brasileiros, mas também os próprios consumidores americanos, que passam a pagar mais por produtos importados do Brasil.
Na visão de Marques, a diplomacia está mais ligada à presidência da República do que ao Congresso, o que limitaria o impacto direto dos novos parlamentares eleitos.
Fábio Felix: recado histórico contra o trumpismo Fábio Felix classificou o resultado das midterms como um recado histórico da população americana. "Não acontece uma mudança tão forte no Congresso americano desde 2006", afirmou.
Para ele, os democratas chegaram ao seu cenário mais otimista, com maioria tanto na Câmara quanto no Senado, e isso representa uma mensagem clara contra o que chamou de autoritarismo e trumpismo.
Felix destacou que temas como o alto preço da moradia e o corte de políticas sociais foram centrais na campanha. "Trump cortou o financiamento de política social, como política de saúde para as pessoas em situação de vulnerabilidade social, assistência social, não há política de moradia", disse.
O parlamentar também mencionou a eleição de Alexandria Ocasio-Cortez e do primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos, Abdul El-Sayed, como sinais do fortalecimento da ala mais à esquerda do Partido Democrata.
Para Felix, o resultado americano seria parte de um movimento mais amplo, que teria começado no Brasil com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): "o Brasil acabou sendo o prenúncio desse processo.
Divergência sobre o significado das urnas O debate entre os dois parlamentares também revelou visões opostas sobre o que significa uma derrota eleitoral. Marques argumentou que medidas impopulares, ainda que corretas, tendem a custar votos, e que isso não deve ser interpretado automaticamente como um erro de governo.
Às vezes é preciso fazer o que precisa ser feito, ter a pessoa grande, honesta e corajosa no governo que faça o que precisa ser feito, ainda que impopular", disse.
Felix, por sua vez, rebateu afirmando que Trump descumpriu suas próprias promessas de campanha. "Trump cometeu um dos maiores estelionatos eleitorais da história política recente americana.
Ele falou que não faria guerras, estava fazendo guerra, falou que não ia se envolver em conflitos internacionais, se envolveu da pior forma possível", afirmou. O parlamentar acrescentou que, com a retomada do Partido Democrata no Congresso americano, haveria mais condições para investigações e enfrentamentos ao governo Trump, o que, segundo ele, teria impacto tanto na política interna quanto na política externa dos Estados Unidos.
Divergência sobre o significado das urnas.
Fábio Felix: recado histórico contra o trumpismo.
Fábio Felix classificou o resultado das midterms como um recado histórico da população americana. "Não acontece uma mudança tão forte no Congresso americano desde 2006", afirmou.
Para ele, os democratas chegaram ao seu cenário mais otimista, com maioria tanto na Câmara quanto no Senado, e isso representa uma mensagem clara contra o que chamou de autoritarismo e trumpismo.
Felix destacou que temas como o alto preço da moradia e o corte de políticas sociais foram centrais na campanha. "Trump cortou o financiamento de política social, como política de saúde para as pessoas em situação de vulnerabilidade social, assistência social, não há política de moradia", disse.
O parlamentar também mencionou a eleição de Alexandria Ocasio-Cortez e do primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos, Abdul El-Sayed, como sinais do fortalecimento da ala mais à esquerda do Partido Democrata.
Para Felix, o resultado americano seria parte de um movimento mais amplo, que teria começado no Brasil com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): "o Brasil acabou sendo o prenúncio desse processo.
Gilson Marques: mudança provisória, sem impacto diplomático direto.
CompartilharAdicionar CNN Brasil ao Midterms mudam a relação entre Brasil e EUA? | O GRANDE DEBATEO deputado federal Gilson Marques (NOVO-SC) e o deputado federal Fábio Felix (PSOL-DF) debateram, na quarta-feira (4), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se "as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas midterms, mudam a relação entre o Brasil e os EUA.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos reacende o debate sobre os possíveis impactos na relação entre Washington e Brasília.
Com discussões em aberto entre os dois países — como o tarifaço e a classificação de organizações criminosas como terroristas —, parlamentares brasileiros divergem sobre a real dimensão das mudanças que o novo cenário político americano pode trazer.
Para Gilson Marques, o resultado das midterms representa uma alteração conjuntural, e não uma transformação ideológica profunda do eleitorado americano.
O fato dos americanos terem escolhido mais democratas do que republicanos, inclusive em lugares históricos como Kansas e Texas, não significa que essas pessoas mudaram ideologicamente daquilo que elas sempre pensavam", afirmou.
Segundo ele, conforme dados da Reuters, 90% dos eleitores americanos apontaram o custo de vida como o principal problema do país, o que tornaria o movimento nas urnas algo "provisório e não duradouro.
Marques também defendeu que o desvio de foco dos americanos em relação à América Latina pode ter um efeito positivo para o Brasil. "Ele vai precisar agora resolver o problema interno dele e talvez não se meter muito lá no Irã, na América Latina, entre outras coisas", disse.
O parlamentar ainda ressaltou que as tarifas impostas não prejudicam apenas os brasileiros, mas também os próprios consumidores americanos, que passam a pagar mais por produtos importados do Brasil.
Na visão de Marques, a diplomacia está mais ligada à presidência da República do que ao Congresso, o que limitaria o impacto direto dos novos parlamentares eleitos.
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