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Milei tenta rearmar a Argentina com ajuda de Trump

Impopular e buscando a reeleição, presidente compra caças, blindados e helicópteros após décadas

3 min de leitura
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O apoio de Donald Trump à tentativa do aliado Javier Milei de reeleger-se presidente da Argentina em 2027 vai além do apoio retórico à demanda de Buenos Aires pelas ilhas britânicas Falkland, conhecidas na região como Malvinas.

O republicano tem sido peça central no projeto do argentino de rearmar seu país, após décadas de baixo investimento e descrédito das Forças Armadas. De caças a blindados, passando por helicópteros e munições, a Argentina vive uma pequena corrida armamentista.

O que não está claro é contra quem, dado que não há rivalidades regionais fora dos discursos inflamados de Milei contra Lula (PT) e em apoio a Flávio Bolsonaro (PL), rival do petista na disputa pelo Planalto.

Com a desaprovação em 58% segundo pesquisa de agosto, o presidente contou recentemente com declarações de Trump em favor da revisão do apoio americano à soberania de Londres sobre as Malvinas, um tema que rivaliza com a seleção de futebol em termos de mobilização na Argentina.

A guerra travada pelas ilhas em 1982, quando a moribunda ditadura as ocupou brevemente até ser expulsa, é um trauma nacional. Milei tenta repetir o truque como farsa, aumentando o tom de sua reivindicação até em discurso na ONU, anunciando uma base naval nova e propondo penas a quem explorar petróleo em torno do arquipélago.

Trump, por sua vez, usa a carta das Falkland para pressionar o Reino Unido, que considera um aliado titubeante sob os governos trabalhistas recentes, a gastar mais com defesa.

O segundo lote de seis aviões deve chegar em breve.

A compra não fará da Argentina uma potência, mas ela não contava com Força Aérea operacional. A aquisição foi fechada com um país europeu, mas Trump poderia ter revisto a autorização de reexportação de material de defesa dada pelo antecessor, Joe Biden.

O republicano e Milei são aliados próximos, e o argentino se encaixa no perfil de líder previsto pela Estratégia de Segurança Nacional de Trump: alguém que compartilha seu ideário populista à direita.

Com efeito, a Argentina é integrante de primeira hora da iniciativa Escudo das Américas, grupo de países criado por Trump para assuntos de segurança que declarou o PCC e Comando Vermelho entes terroristas no mesmo dia em que o americano ameaçou novas ações militares na região.

No ano passado, foi a vez do Exército negociar uma compra direta de oito unidades do avançado blindado sobre rodas Stryker, de largo emprego na Guerra da Ucrânia.

Em agosto, assinou acordo para mais 235 unidades, sem custo revelado.

É mais poder de fogo do que toda a obsoleta frota de 231 modelos TAM (Tanque Argentino Médio) do país, que também está sendo modernizada. Como a guerra com o Brasil durante a rivalidade encerrada com o fim das ditaduras nos anos 1980 nunca veio, é de se questionar tal investimento.

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