Friedrich Merz diz que fica. Como já havia feito na véspera, quando classificou como "desastre" o resultado de seu partido em eleições estaduais na Alemanha, o primeiro-ministro reiterou que continua à frente do governo nesta segunda-feira (21).
As razões vão muito além da minha pessoa.
No domingo, a CDU, o partido democrata-cristão presidido por Merz, não conseguiu superar a cláusula de barreira de 5% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O resultado deixou a legenda fora de um Parlamento estadual no país pela primeira vez desde 1949.
A AfD recebeu a maior votação no estado, mais do que dobrando sua votação do pleito anterior, em 2021, mas o resultado não foi suficiente para evitar a reeleição de Manuela Schwesig.
A governadora descontou dez pontos percentuais de desvantagem no começo do ano confrontando diretamente a sigla extremista, mas também fazendo duras críticas ao premiê.
Isso tudo a despeito de sua sigla, o D, fazer parte do governo Merz.
A coalizão está mantida, disse o conservador em entrevista, agradecendo publicamente aos sociais-democratas pela sinalização. Schwesig e líderes do D, porém, deixaram claro que Merz e seu partido precisam repensar seu pacote de reformas e o próprio governo.
Em Berlim, a CDU alcançou o segundo lugar na eleição, mas perderá a prefeitura para A Esquerda, que conquistou um quarto dos votos. A AfD permanecerá na oposição, com quase o dobro de sua votação de 2023, em um terreno antes hostil a seus candidatos.
Um Merz "abatido", na descrição da imprensa alemã, afirmou que não houve discussão sobre sua saída da presidência da CDU ou do governo. No domingo, o premiê se reuniu com o comitê executivo da sigla pouco antes de fazer um pronunciamento sobre os resultados eleitorais.
Nem ontem à noite, nem nesta manhã, ninguém levantou essa questão, muito menos se envolveu em qualquer debate sobre mudança. Ninguém", declarou o primeiro-ministro, quando questionado sobre o assunto.
Porém, ao menos um membro sênior da CDU, o líder da sigla em Hamburgo, Dennis Thering, sugeriu uma moção de confiança.
Estamos vivenciando uma profunda polarização", disse Merz aos jornalistas. "Em Berlim, mais de 40% dos votos foram para forças destrutivas, que tentam conquistar as pessoas com soluções radicais e simplistas.
O primeiro-ministro junta na conta os votos de AfD e A Esquerda, que pela primeira vez fará uma prefeita em Berlim, a advogada e filha de imigrantes turcos Elif Eralp.
Os serviços de segurança da Alemanha, contudo, não qualificam a legenda como extremista, como fazem com a agremiação populista de ultradireita.
Ainda assim, A Esquerda, versão atualizada do Partido Socialista, que por sua vez foi herdeiro político do SED, legenda única da Alemanha Oriental, tem integrantes investigados por antissemitismo devido a manifestações de apoio à Palestina e contra as ações de Israel em Gaza.
O que mais me preocupa é que estamos vivenciando um antissemitismo cada vez mais aberto e radical, não apenas em Berlim, mas especialmente em Berlim, onde está sendo quase aplaudido.
Eralp se afastou da polêmica, mas terá que enfrentar o assunto nas negociações de coalizão com Verdes e D para se tornar prefeita, que no caso de Berlim, cidade-estado, também abrange o papel de governadora.
O primeiro-ministro também atacou o plano que Eralp martelou em sua campanha de estatizar grandes empresas imobiliárias para combater o crônico problema de habitação na capital alemã.
Expropriações em massa não são solução", afirmou Merz, prometendo até mesmo uma legislação federal sobre o assunto.
Colíder da AfD, Alice Weidel declarou também nesta segunda-feira que a CDU de Merz é um "antigo partido popular que está se transformando em um partido nanico.
A parlamentar afirmou acreditar que a próxima eleição federal, programada para 2029, será antecipada.
Leif-Erik Holm, principal candidato do partido em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, foi além e afirmou que Merz não chega ao fim do ano no cargo. "Acho que o crepúsculo da chanceler [primeiro-ministro] já começou.
Até o Kremlin tirou proveito da situação, declarando que a Alemanha está procurando "uma alternativa" a Merz. Não à toa. A AfD defende uma reaproximação com a Rússia e a troca da transição energética pelo gás do país, cujo fornecimento é rejeitado como forma de sanção pela guerra da Ucrânia.
Há duas semanas, o partido venceu as eleições em Saxônia-Anhalt e ficou próximo de montar o primeiro governo de extrema direita da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.
Em âmbito federal, a AfD lidera as pesquisas com 29% das preferências.
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