Ir para o conteúdo
Mundo Revisado por ULTRA AI

Em 1 dia, gangue mata 47 pessoas, sequestra outras 50 e coloca governo do Haiti em armadilha

Chefe de organização criminosa disse que vai matar todos os reféns se forças policiais avançarem. Sequestro em massa foi um dos maiores já registrados no país.

5 min de leitura
Em 1 dia, gangue mata 47 pessoas, sequestra outras 50 e coloca governo do Haiti em armadilha

Pelo menos 47 pessoas morreram e mais de 50 foram sequestradas depois que homens armados atacaram, no domingo (23), uma comunidade que era considerada tranquila nos arredores de Porto Príncipe, capital do Haiti, segundo a ONU.

O ataque a Kenscoff é considerado um dos maiores sequestros em massa registrados no Haiti nos últimos anos. Um dos líderes de gangue ameaçou matar os reféns caso forças de segurança matem integrantes dos grupos criminosos durante as operações para retomar o controle da região.

O prefeito da cidade, Jean Massillon, disse à Associated Press que as gangues incendiaram 25 casas e mataram dois funcionários do governo. Um deles era primo do gestor e fazia parte da equipe responsável pela segurança dele.

A ofensiva também abalou a percepção de que a segurança no país caribenho vinha melhorando.

Segundo ele, a ameaça de execução dos reféns coloca as forças de segurança em uma armadilha. Caso não ajam, serão acusadas de não proteger as vítimas. Se avançarem e houver mortes, as gangues poderão responsabilizar o Estado.

Marc Paul, de 42 anos, morador de Kenscoff, disse que o irmão, a madrasta, o padrasto e dois primos foram sequestrados. Uma sobrinha de 16 anos também foi levada e estuprada, mas conseguiu escapar e reencontrou a família.

A família já havia perdido a casa em outro ataque de gangues, em janeiro de 2025. Segundo Paul, porém, a violência naquela ocasião foi menor do que a registrada no domingo.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, um líder de gangue ameaçou Vladimir Paraison, diretor da Polícia Nacional do Haiti.

O homem se identificou como Izo 2, em referência a Izo, ou Johnson André, um dos líderes de gangue mais poderosos do Haiti.

Le Cour disse que Izo 2 também é conhecido como “Didi” e comanda o grupo armado em Kenscoff em nome e em coordenação com Izo e outros líderes criminosos.

Kenson Paul, sobrinho de Marc Paul, de 17 anos, disse que conseguiu escapar dos criminosos.

Para Le Cour, o objetivo do ataque pode ter sido obrigar a polícia haitiana e a força de combate às gangues apoiada pela ONU a deslocar ainda mais os poucos recursos disponíveis.

O ataque também pode ter sido uma demonstração de força e um recado ao governo e à polícia do Haiti, que se prepara para realizar eleições gerais em 13 de dezembro, pela primeira vez em mais de uma década.

O primeiro grande ataque contra Kenscoff ocorreu em janeiro de 2025. Desde então, houve ofensivas esporádicas nas montanhas ao redor do centro da cidade. A ação de domingo, porém, foi a maior até agora.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o ataque nesta terça-feira (25). Segundo ele, 22 das vítimas foram executadas em um complexo de uma igreja onde haviam buscado abrigo.

As gangues têm interesse em controlar Kenscoff porque a região permite cercar e controlar Pétion-Ville, uma área nobre da capital, além de rotas alternativas que ligam Porto Príncipe ao sul do país, segundo María Fernanda Arocha, pesquisadora da Armed Conflict Location & Event Data.

Entre janeiro e agosto deste ano, operações de segurança haviam conseguido reduzir a violência em Kenscoff em 66%, antes do ataque de domingo, afirmou Arocha.

Enquanto as forças de segurança concentravam esforços para recuperar o controle de áreas centrais de Porto Príncipe, os grupos criminosos passaram a tentar expandir a atuação para comunidades rurais vulneráveis pela baixa capacidade de resposta da polícia, mas que permanecem estratégicas, segundo a pesquisadora.

Sobreviventes acusaram o governo de não ter oferecido proteção suficiente antes do ataque. A Polícia Nacional do Haiti negou as acusações.

Para Le Cour, caso policiais e veículos blindados realmente estivessem posicionados em Kenscoff antes da ofensiva, a situação gera preocupação.

Homens armados controlam cerca de 70% de Porto Príncipe e grandes áreas da região central do Haiti e de outras partes do país.

A violência das gangues provocou o deslocamento de um número recorde de 1,5 milhão de pessoas no Haiti. Mais de 3. 050 pessoas foram mortas entre janeiro e junho, segundo dados divulgados pela ONU na terça-feira.

A organização também informou que quase 800 estupros foram registrados entre abril e junho. Em 87% dos casos, as vítimas relataram estupros coletivos. No mesmo período, pelo menos 81 pessoas foram sequestradas, segundo um novo relatório da ONU.

O número de sequestros registrados entre abril e junho foi mais de 40% maior do que no trimestre anterior.

Em números

  • Pelo menos 47 pessoas morreram e mais de 50 foram sequestradas depois q
  • A violência das gangues provocou o deslocamento de um número recorde de 1,5 milhão de pessoas no Haiti
  • No mesmo período, pelo menos 81 pessoas foram sequestradas, segundo um novo relatório da
  • Em 1 dia, gangue mata 47 pessoas, sequestra outras 50 e coloca governo do Haiti em

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

Leia também

Mais em Mundo
Mundo — imagem padrão
Mundo

Governo Trump envia acordo nuclear com Arábia Saudita ao Congresso

Segundo o oficial, o presidente americano ainda acredita que, para o tratado avançar, o país saudita deve aderir aos Acordos de Abraão e reconhecer Israel. Anunciado em julho, o acordo permite que Riad enriqueça urânio s

Em Mundo