Ir para o conteúdo

Sexta-feira, 25 de setembro de 2026 | Corumbá - MS | 29°C Céu limpo

Mundo

Dilemas da inteligência artificial na França: o desafio escolar, as urnas de 2027 e a ameaça biológica

As revistas semanais francesas mostram a inteligência artificial como uma força cada vez mais presente e transformadora, capaz de mexer com áreas centrais da so

3 min de leitura
Dilemas da inteligência artificial na França: o desafio escolar, as urnas de 2027 e a ameaça biológica

As revistas semanais francesas mostram a inteligência artificial como uma força cada vez mais presente e transformadora, capaz de mexer com áreas centrais da sociedade — da educação à democracia e à segurança internacional.

A Nouvel Obs aborda o impacto da IA sobre o sistema educacional francês. O uso dessas ferramentas pelos estudantes se tornou tão disseminado que já provoca debates sobre plágio, dependência e o chamado “descarregamento cognitivo”, quando parte do esforço intelectual é transferida para a máquina.

Para os professores, isso cria um problema prático: como avaliar trabalhos feitos em casa quando não é possível saber quanto foi produzido pelo aluno e quanto pela inteligência artificial.

As respostas ainda estão em construção e vão da reformulação dos métodos de ensino à adoção de medidas de precaução. Neurocientistas, por exemplo, defendem que assistentes de IA não sejam usados em sala de aula antes dos 12 anos, para preservar a aprendizagem de competências básicas e o desenvolvimento do pensamento crítico.

A L’Express, por sua vez, analisa o impacto político da IA nas eleições presidenciais francesas de 2027. Uma pesquisa exclusiva mostra o grau de desconfiança dos eleitores: 86% temem que a tecnologia seja usada para influenciar o resultado das eleições, e 40% a consideram uma ameaça direta à democracia.

Apenas 3% dizem que seguiriam a recomendação de uma IA para escolher seu candidato — uma parcela pequena, mas que, em termos absolutos, representa cerca de 1,5 milhão de eleitores.

A pesquisa também revela uma forte exigência de autenticidade, sobretudo entre os mais jovens. Os eleitores rejeitam especialmente o uso da IA em tarefas que envolvem diretamente a responsabilidade política dos candidatos, como escrever discursos ou elaborar propostas.

Já a Le Point chama atenção para outro risco muito grave: o potencial da inteligência artificial para facilitar o desenvolvimento de armas biológicas. A revista relata um experimento coordenado pelo MIT, no qual estudantes conseguiram encomendar fragmentos do vírus da gripe espanhola de 1918 a empresas de síntese genética, expondo falhas nos atuais sistemas de biossegurança.

Com ferramentas de IA cada vez mais sofisticadas, pesquisadores demonstraram que é possível modificar moléculas biológicas perigosas de maneira a preservar suas características nocivas e, ao mesmo tempo, escapar dos mecanismos de detecção utilizados pelas empresas de síntese.

O avanço tecnológico, nesse caso, está ocorrendo mais rapidamente do que a capacidade de governos e empresas de criar mecanismos eficazes de controle.

Apesar dos alertas feitos por nomes importantes do próprio setor de tecnologia, a regulamentação continua fragmentada e não existem, em escala global, controles obrigatórios capazes de rastrear de forma sistemática transações potencialmente suspeitas.

Acompanhe todas as notícias internacionais baixando o aplicativo da RFI.

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.

Em números

  • Er seu candidato — uma parcela pequena, mas que, em termos absolutos, representa cerca de 1,5 milhão de eleitores

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo
Mundo — imagem padrão
Mundo

Bactéria suspeita de matar crias de baleia na Patagónia

Só esta semana, dezenas de crias de baleia mortas foram encontradas em praias da província de Chubut, no sul da Argentina. Os casos têm vindo a ser registados desde junho e afetam uma das principais zonas de reprodução d

Em Mundo