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Polícia

Tribunal de Justiça de MS nega pedido de internação de adolescentes investigados no caso da menina de 13 anos

Decisão do desembargador Waldir Marques mantém liberdade dos cinco menores após fim da medida cautelar

3 min de leitura
Tribunal de Justiça de MS nega pedido de internação de adolescentes investigados no caso da menina de 13 anos

Na última sexta-feira (25), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) tomou uma decisão que pode mudar o rumo de um dos casos mais polêmicos do estado. O desembargador Waldir Marques, relator do recurso, negou o pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para que cinco adolescentes fossem reimprisionados após o fim da medida cautelar que os mantinha sob custódia.

Contexto do caso

Em 22 de julho, uma menina de 13 anos veio a óbito na casa onde vivia em Naviraí. Inicialmente catalogado como suicídio, o caso foi reavaliado pela Polícia Civil, que apontou sinais de manipulação e coação por parte de um grupo virtual. A investigação, denominada Operação Lívia, contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e da Segurança Pública e envolveu autoridades de vários estados e até de outros países.

Na primeira fase da operação, cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, foram detidos e mantidos em custódia até 16 de setembro, quando a medida cautelar expirou. Eles foram libertados, mas o MPMS recorreu ao TJMS na esperança de que a Justiça mantivesse a internação até o fim do processo.

Decisão do tribunal

O desembargador Waldir Marques avaliou que, no momento, não há elementos suficientes para justificar a retomada da privação de liberdade dos menores. A decisão foi proferida em caráter liminar, mas o juiz deixou claro que a análise não está encerrada.

O relator determinou que as defesas dos adolescentes sejam intimadas a apresentar manifestação. Ele também indicou que a questão será reexaminada após a formação do contraditório e, em seguida, encaminhada à Procuradoria-Geral de Justiça para emissão de parecer.

Reação do Ministério Público

O MPMS argumenta que a gravidade dos fatos, a complexidade das investigações e a proximidade da sentença justificam a manutenção da internação. O órgão destaca que o caso envolveu a atuação de grupos organizados em plataformas digitais e que a vítima foi alvo de ameaças, manipulação e coação.

Segundo o Ministério, a Operação Lívia identificou o uso de perfis falsos para conquistar a confiança de crianças e adolescentes nas redes sociais, caracterizando o que a polícia chamou de “escravização virtual”.

Próximos passos

Com a decisão liminar, os adolescentes permanecem livres, mas o caso não está encerrado. O tribunal aguardará as manifestações das defesas e o parecer da Procuradoria-Geral de Justiça antes de decidir se a internação será retomada. Enquanto isso, o Ministério Público continua a pressionar por medidas que garantam a segurança e a justiça para a família da vítima.

O processo segue em curso, com a expectativa de que a Justiça de Mato Grosso do Sul avalie novamente a necessidade de manter os menores sob custódia enquanto o caso se desenrola.

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