A derrota por grande margem do Partido Republicano na eleição legislativa de meio de mandato nos Estados Unidos coloca em xeque o futuro das guerras de Donald Trump.
Os conflitos no Irã e na Ucrânia, além do desabrido uso de força na América Latina, passarão por dois meses cruciais.
Em 3 de janeiro, um novo Congresso hostil à Casa Branca assumirá sob controle democrata, o que vai dificultar, mas não impedir o militarismo instável adotado pelo presidente que se vendia como um opositor da guerra.
A nova legislatura pode tornar-se uma fonte permanente de supervisão do até aqui desenvolto presidente, levando suas decisões a julgamentos mais rápidos —elevando até o risco de impeachment eventual; no seu primeiro mandato, ele só não foi impedido porque ainda tinha maioria republicana no Senado.
Acordos como o firmado com Vladimir Putin para a compra do diesel, que ao fim não serviu para baixar os preços de combustíveis e ajudar os republicanos, serão objeto de escrutínio mais imediato.
Os cortes no serviço de satélite à Ucrânia, também.
Mas decisões sobre ações militares diretas seguem sendo largamente privativas do Executivo, que encontra formas de driblar as exigências legais de autorização congressual.
Mas isso pode mudar, caso seja ressuscitada a proposta de limitar os poderes de guerra de Trump, que quase passou no meio do ano.
Como o próprio Trump já disse, contudo, ele pode se tornar o "Senhor Veto". Quaisquer decisões contrárias a seu interesse no Congresso podem ser vetadas, e aí caberá às Casas reunirem 2/3 de maioria para derrubar o não presidencial.
Com a expectativa desses embates paralisantes, a noção de que a janela de dois meses será vital ganha força. Mas seu modelo negocial consagrado é o de alternar pressão extrema e concessões a fim de chegar a acordos que possa vender como vitórias, e isso demanda controle de tempo que ele já não terá.
O Irã é a questão mais premente, dado o papel que o próprio Trump admitiu que o conflito no Oriente Médio teve no fracasso republicano.
A expectativa mais aceita entre observadores era a do recomeço da guerra em termos mais amplos, e houve movimentações militares expressivas iranianas nas últimas semanas, como o posicionamento de aeronaves de reabastecimento no sul de Israel e um aparente recuo de forças mais expostas a retaliação em bases americanas no Golfo Pérsico.
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