CompartilharAdicionar CNN Brasil aoSegundo a análise, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados dos últimos tempos • Reprodução/Freepik/MagnificUm relatório internacional publicado nesta terça-feira (27) aponta que, em média, o calor esteve associado a 540.
- Onda de calor brutal matou mais de 50 mil pessoas na Europa, indica análise.
- Tempestades de calor se tornam mais frequentes, atingem 85% do planeta e provocam mortes, incêndios e secas.
- Super El Niño pode provocar 451 mil mortes pelo mundo; Brasil é o quinto país mais afetado da lista.
Levantamento da Lancet Countdown indica que El Niño, relacionado às intensas ondas de calor, pode influenciar e agravar cada vez mais a saúde mundial.
800 mortes por ano entre 2016 a 2023, das quais 68,4% (369. 940) foram atribuídas às mudanças climáticas influenciadas pelo homem. Os dados demonstram ainda que países com baixo IDH (índice de Desenvolvimento Humano) são os locais com as maiores proporções relacionadas aos óbitos.
O levantamento é da Lancet Countdown, iniciativa internacional que monitora as mudanças climáticas e a saúde mundial, publicado na revista The Lancet. Foram analisados dados desde 2016 em meio a 400 referências de estudos internacionais.
Segundo a análise, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados dos últimos tempos. Ondas de calor são frequentemente associadas as secas extremas que, por sua vez, representam uma ameaça à insegurança alimentar.
Em 2025, as secas afetaram 51,8% da superfície mundial.
Paralelo a isso, também houve um aumento da frequência de dias com chuvas intensas, que afetaram 17,2% por ano da superfície terrestre global entre 2016 e 2025.
Os temporais oferecem risco de inundações e deslizamentos de terra.
Os cientistas acreditam que o El Niño, considerado um dos mais devastadores das últimas décadas, influencie e agrave cada vez mais a saúde mundial. O fenômeno começou no segundo semestre de 2026 e deve se estender até o começo de 2027.
Agora, um El Niño severo ameaça agravar os impactos das mudanças climáticas e desencadear crises humanitárias climáticas sem precedentes no mundo todo. Devido às ameaças crescentes na última década, as mudanças climáticas se tornaram uma emergência global de saúde.
Enfrentá-la exige correção urgente de rumo para promover ações coordenadas e baseadas em evidências através das fronteiras, a fim de proteger a saúde e a sobrevivência", aponta o relatório.
Além das mortes por desidratação e insegurança alimentar, o aumento das temperaturas é favorável para a transmissão de doenças como a dengue, visto que o mosquito aedes aegypti (vetor responsável pelo vírus) se reproduz em ambientes mais quentes e úmidos.
Exposição ao calor influencia na perda financeira.
Emissões precisam cair 18% até 2030 para evitar agravamento da clise climática.
Previsões meteorológicas indicam um aumento da temperatura global que deverá atingir o nível crítico de 1,5 °C em 2030. O número soa preocupante uma vez que o Acordo de Paris — assinado em 2015 e que tem como meta a redução das emissões de gases do efeito estufa — previa a redução da temperatura global, com o objetivo de não ultrapassar os 1,5°C acima do período pré-industrial.
Para tentar evitar esse cenário, a ONU indica que são necessários cortes de 18% nas emissões até 2030 e 45% até 2035, bem como a ampliação contínua da remoção de gás carbônico ao longo do século.
Segundo a organização, o aumento da temperatura global influencia para o desequilíbrio de estações climáticas, bem como o aumento de ondas de calor. Todos esses fatores influenciam em mais poluição, que por sua vez desencadeia em mortes e doenças.
As duas organizações reconhecem que houve um avanço em energias renováveis e políticas climáticas em diversos países. A transição para uma energia mais limpa evitou cerca de 400.
000 mortes em 2023 em comparação com 2016, graças à melhoria da qualidade do ar interno.
Mesmo assim, as medidas adotadas pelos países continuam insuficientes para evitar os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população global.
Baseado nos critérios estabelecidos pela ONU, a Lancet apontou seis tópicos que precisam ser analisados e priorizados para evitar impactos catastróficos e que ultrapassem as normas que foram estabelecidas no acordo de Paris.
Em números
- Calor extremo causa mais de 500 mil mortes por ano em todo o mundo, aponta relatório
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