O Partido Democrata dos Estados Unidos, de oposição a Donald Trump, conquistou uma vitória expressiva nas chamadas midterms, as eleições para renovar parte do Legislativo dos EUA e eleger governadores.
- Itamaraty convoca representante da Embaixada da Argentina após Flávio cruzar fronteira do Brasil com o país vizinho e fugir para os EUA.
- Brasileiros concorrem nas eleições dos EUA e fazem oposição a Trump; saiba quem são.
O resultado pode ter reflexos na permanência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no país.
Antes dos resultados, com pesquisas projetando vitória dos democtratas, brasileiros vinham pedindo nas redes sociais que políticos do partido atuem pela deportação de Flávio, que chegou aos EUA na semana passada, após fugir do Brasil.
A hashtag #DeportTheBolsonaros ficou entre as mais compartilhadas do X no Brasil na semana passada.
Mas como as midterms podem afetar a permanência de Flávio, aliado de Trump, no país.
Mas as Casas poderiam abrir uma investigação para apurar um possível envolvimento das autoridades norte-americanas na fuga do senador brasileiro e se houve algum favorecimento na concessão de vistos para ele e sua família.
Além disso, ainda na visão dos especialistas, eventuais investigações e cobranças públicas poderiam ampliar a pressão política sobre o governo Trump e influenciar uma possível decisão das autoridades norte-americanas sobre a permanência de Flávio no país.
As midterms recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial.
Imprensa dos EUA afirma que assessores de Trump e Milei ajudaram na fuga de Flávio Bolsonaro.
Apesar dessa possibilidade, a avaliação é de que a situação de Flávio não deve estar entre as prioridades dos democratas caso conquistem a maioria no Congresso.
A tendência, segundo eles, é que a oposição concentre esforços em limitar as ações de Trump, especialmente na política econômica e em questões internas, como o custo de vida da população, além de se preparar para a eleição presidencial de 2028.
O Congresso pode expulsar Flávio Bolsonaro dos EUA.
Desde a chegada de Flávio ao território norte-americano, o membro do partido democrata e comentarista político Isaiah Martin tem afirmado nas redes sociais que, com uma maioria democrata no Congresso, o senador seria deportado.
Contudo, como avaliam os especialistas, essa possibilidade é remota.
Vitelio Brustolin, professor do departamento de Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF), ressalta que a concessão ou a revogação de vistos é uma atribuição do Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio.
Apesar disso, os democratas poderiam usar a maioria no Congresso para pressionar o governo de Trump a prestar esclarecimentos sobre a entrada e a permanência do senador brasileiro no país.
Uebel avalia que esse tipo de cobrança poderia aumentar o desgaste político do governo Trump e influenciar decisões das autoridades responsáveis pela situação migratória do senador.
No entanto, ressalta que o caso brasileiro dificilmente ocupará um lugar central na agenda dos democratas.
Tomaz Paoliello, coordenador do mestrado em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais na PUC-SP, por sua vez, também reconhece a capacidade de pressão política do Congresso, mas considera pouco provável que ela resulte em medidas concretas contra Flávio.
Investigação sobre atuação do governo Trump.
A maioria democrata no Congresso poderia abrir investigações para apurar se autoridades do governo Trump ofereceram algum tipo de favorecimento a Flávio Bolsonaro e sua família.
As apurações poderiam aumentar a pressão política sobre o Executivo e influenciar uma possível decisão sobre a permanência do senador no país, embora não tenham o poder de determinar sua deportação.
Segundo Brustolin, uma comissão parlamentar poderia investigar se houve tratamento excepcional na concessão de vistos, na autorização de entrada no país ou na manutenção do status migratório do senador.
Uebel avalia que uma das principais medidas poderia ser a convocação do secretário de Estado, Marco Rubio, para prestar esclarecimentos sobre a atuação do governo norte-americano no episódio.
Caso fossem identificadas irregularidades ou abusos de poder, as apurações poderiam dar origem a outras medidas contra as autoridades envolvidas, mas não teriam o poder de determinar a revogação do visto ou a saída de Flávio dos EUA.
Brustolin destaca ainda que o acesso dos parlamentares às informações migratórias não seria irrestrito. Documentos sobre vistos e comunicações do governo podem estar sujeitos a regras de confidencialidade e a questionamentos do Executivo.
Para Paoliello, as eleições de meio de mandato estão concentradas principalmente em questões internas do país, como a economia e o custo de vida da população.
O professor avalia que uma eventual maioria democrata deve dificultar a aprovação de novas leis e propostas orçamentárias do governo Trump. Ao mesmo tempo, os democratas devem buscar apresentar medidas voltadas à população, já de olho na disputa presidencial de 2028.
Roberto Uebel, por outro lado, acredita que a principal prioridade dos democratas será abrir um processo de impeachment contra Trump.
Paoliello discorda dessa avaliação. Segundo ele, as tentativas de destituir o presidente Trump que já ocorreram não deram um resultado político favorável aos democratas já que o republicano voltou ao poder.
🔎Trump já enfrentou dois processos de impeachment durante seu primeiro mandato. O primeiro, em 2019, envolveu acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso após pressionar a Ucrânia a investigar Joe Biden.
O segundo, em 2021, ocorreu após a invasão do Capitólio por seus apoiadores. Em ambos os casos, a Câmara aprovou o impeachment, mas o Senado absolveu o republicano.
O que disseram os democratas sobre a fuga de Flávio.
Após a chegada do senador aos EUA, um grupo de políticos democratas do Congresso questionou, em carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, o papel que o governo Trump desempenhou na fuga de Flávio e no processo de emissão de vistos para ele e sua família.
A carta, obtida pela repórter da TV Globo Raquel Krahenbuhl, foi enviada ao Departamento de Estado norte-americano na noite de quinta-feira (29).
Segundo o site norte-americano Politico, a carta foi assinada por um grupo de 25 democratas da Câmara dos Deputados, liderado pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus.
Entre os signatários estão membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara — o órgão inclusive criticou publicamente a entrada de Flávio Bolsonaro.
A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua saída?", afirmou a carta.
Apesar da mobilização, Tomaz Paoliello avalia que a situação ainda tem pouca relevância no debate eleitoral norte-americano.
Para ele, isso se dá porque as eleições para o Congresso focam mais em questões internas dos EUA do que na posição de Trump em relação a outros países.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…