No fim, não foi apenas uma onda. Foi uma aniquilação. Um democrata conquistou uma cadeira no Senado pelo Kansas pela primeira vez desde o governo de Herbert Hoover.
- Eleições nos EUA consagram líderes inéditos e levam minorias ao poder.
- Trump diz que aceitará resultado das eleições e trabalhará com o Partido Democrata.
- Democrata se torna primeiro brasileiro eleito deputado estadual na Flórida.
- James Talarico se torna 1º democrata eleito senador pelo Texas em quase 40 anos.
- Em derrota para Trump, 'onda azul' nas eleições dos EUA é maior que o esperado em projeções.
O partido ganhou cadeiras no Senado pelo Texas, pela Carolina do Norte e pela Carolina do Sul. Os republicanos chegaram a perder em distritos da Câmara no Sul do país onde haviam tentado obter vantagem redesenhando os mapas eleitorais de forma manipulada.
As vitórias avassaladoras dos democratas na noite de terça-feira representaram uma rejeição categórica ao presidente Donald Trump e à agenda agressiva e muitas vezes caótica de seu segundo mandato.
O partido democrata assumiu o controle das duas Casas do Congresso. Os eleitores rejeitaram os republicanos em estados conservadores que haviam apoiado Trump por margens de dois dígitos apenas dois anos antes, em lugares onde não havia eleições competitivas para cargos importantes havia décadas.
Até mesmo alguns democratas ficaram atônitos com a dimensão das vitórias, que incluíram derrotar Greg Abbott, governador republicano do Texas por três mandatos, e Susan Collins, senadora republicana pelo Maine por cinco mandatos.
É um banho de sangue", disse Dan Sena, que foi diretor-executivo do Comitê Democrata de campanha para o Congresso durante a última onda democrata, em 2018. "Os democratas estarão no poder em lugares onde não governavam havia décadas.
Assim, a era do governo de partido único em Washington terminou de forma estrondosa, com os eleitores reagindo aos altos preços da gasolina, a uma guerra impopular no Irã e à inflação persistentemente elevada.
Ao amanhecer de quarta-feira, havia sinais de que o país entrava em um período político novo e incerto, no qual os dois partidos seriam obrigados a pensar em como navegar uma era política pós-Trump.
Embora os democratas não tenham resolvido todos os problemas que lhes custaram a eleição de 2024, suas vitórias foram um poderoso sinal de renovação, à medida que uma nova geração de nomes em ascensão atraía a atenção do país.
Durante anos, os democratas pareceram disputar eleições em um mapa cada vez menor, concentrando-se em menos estados, em cidades democratas e em subúrbios cada vez mais diversos, enquanto tentavam reduzir as perdas na zona rural dos EUA.
Mas os resultados de terça-feira mostraram que os últimos dois anos haviam afastado eleitores até mesmo em redutos profundamente republicanos.
Para os republicanos, as derrotas tiveram dimensão geracional e deram aos democratas uma base a partir da qual poderão construir uma sólida operação política em lugares que por muito tempo estiveram fora de alcance.
No condado de Seward, no Kansas, uma região de maioria hispânica, o candidato democrata ao Senado, Adam Hamilton, venceu por uma margem de dois dígitos. Apenas dois anos antes, Trump havia vencido ali por 40 pontos percentuais.
Em Iowa, um estado de economia predominantemente agrícola, os democratas conquistaram o governo estadual e 1 cadeira no Senado dos EUA, além de tomar 3 das 4 cadeiras do estado na Câmara.
E no sul do Texas, os democratas venceram em três distritos fronteiriços de forte maioria latina que os republicanos haviam redesenhado para favorecer o próprio partido.
Em muitos estados, os democratas lançaram candidatos que apresentavam uma linha política claramente diferente do espírito de "resistência" que caracterizou a resposta do partido ao primeiro mandato de Trump.
Em vez disso, concentraram sua mensagem na profunda ansiedade econômica que tem abalado o país, argumentando que o presidente e seus aliados republicanos enriqueciam enquanto os americanos comuns enfrentavam dificuldades.
Pesquisa após pesquisa mostrou que a maioria dos eleitores —e uma parcela expressiva dos republicanos— avaliava negativamente suas políticas mais emblemáticas: tarifas, repressão à imigração e a guerra no Irã.
Quando Trump assumiu o cargo pela primeira vez, havia uma turbulência constante", disse a governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, cuja vitória no ano passado foi um dos primeiros indícios das conquistas democratas que viriam.
Esses candidatos não se deixaram arrastar por essa turbulência.
Muitos apresentaram suas campanhas como estando acima da política partidária, procurando se distanciar da desgastada imagem nacional do partido para conquistar eleitores em estados republicanos.
Esta vitória não diz respeito ao Partido Democrata nem ao Partido Republicano", disse James Talarico, candidato democrata ao Senado pelo Texas, a apoiadores que comemoravam em sua festa da vitória.
É algo muito maior do que isso. Há algo quebrado nos EUA." Ele acrescentou: "Pessoas de todo o espectro político anseiam por um tipo diferente de política.
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