Em Campo Grande, Argentina revela que não é preciso ter experiência ou corpo perfeito para entrar no ritmo.
Se você acha que para dançar chamamé precisa ter experiência, dominar passos complicados ou até um “corpinho esbelto”, pode ficar tranquilo. Segundo a argentina Zulma Quintana, que veio da Argentina para o 8º Festival Chamamé, em Campo Grande, o principal requisito é bem mais simples.
Professora aposentada, Zulma e o marido, Marcos Ferreira, são professores de dança folclórica tradicional e vieram de Corrientes, considerada uma das principais referências do chamamé.
Para quem nunca dançou, Zulma explica que o primeiro passo é prestar atenção no compasso. “É simples, é só seguir o compasso da música, neste caso o chamamé”, explica.
E não existe apenas uma maneira de dançar. Segundo ela, há diferentes estilos dentro do próprio chamamé. Entre eles, o balseado, considerado mais rápido, o cangui e o maceta, que mistura dança e sapateado.
O casal apresentou no festival justamente uma dessas variações e também se preparou para ensinar um pouco dos movimentos ao público. “Nós mostramos um pouquinho do que aprendemos e ensinamos.
A proposta combina com o espírito do festival, que reúne representantes de Argentina, Paraguai e Mato Grosso do Sul em uma programação voltada às tradições que atravessam as fronteiras.
De Corrientes, além dos dançarinos, também veio Laura Vallejo, artesã e empreendedora cultural. Ela levou para o evento bonecos que representam o homem e a mulher chamamezeiros da Argentina e também preparou uma comida típica.
A presença dos argentinos também ajuda a mostrar que o chamamé ganhou diferentes formas ao longo do tempo e dos lugares onde passou a ser dançado.
O diretor-geral do festival, Orivaldo Rocha, explica que o próprio Mato Grosso do Sul desenvolveu uma maneira particular de dançar. “Na realidade, o Mato Grosso do Sul tem seu jeito de dançar o chamamé.
Criamos um estilo próprio, que é diferente do jeito que o correntino dança o chamamé”, afirma.
Segundo ele, até mesmo dentro de Corrientes existem diferentes estilos. “O chamamé argentino tem a sua maneira, tem os seus vários estilos, que eles costumam dizer que é o chamamé caté, o chamamé maceta”, explica.
Por aqui, quem quiser aprender não precisa começar preocupado em decorar uma sequência complicada. A ideia é sentir o ritmo e deixar o corpo acompanhar a música.
A cozinheira Cristina Duarte, de 65 anos, também participa do festival e conta que aprendeu a dançar ao lado do marido. Para ela, existe algo de natural na relação com a dança.
No caso da polca, que Cristina apresenta no festival, o ritmo também exige disposição. “O passo é bem corrido. A polca não é uma música lenta, ela é bem corrida.
Na sexta-feira (18), a festa será na Colônia Paraguaia, no Bairro Pioneiros, onde a programação começa às 19h e segue até 1h30. Entre as atrações estão Paulo e Sérgio Arguelo, Enzo e Bianca Alarcon, Fábio Kaida, Jakeline Sanfoneira, Lito Delgado y Conjunto Folclórico e Los Caminantes del Chamamé.
No sábado (19), Dia Estadual do Chamamé, a programação começa ao meio-dia com feira de gastronomia e artesanato. Às 15h, será realizado o Concurso de Dança Chamamé.
Shows e apresentações seguem durante o dia e a noite termina com baile ao som de Danilo da Gaita & Grupo.
O último dia começa às 10h de domingo (20), com a tradicional Enchamigada Chamamezeira. Também haverá feira, almoço com comida de comitiva e apresentações musicais durante todo o dia.
Passam pelo palco Simón Morales, Grupo Chama Campeira, Danilo da Gaita, Desidério Souza e Grupo Fama. O encerramento está previsto para as 20h.
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