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Mato Grosso do Sul

Delcídio Amaral aposta em planejamento, tecnologia e logística para mudar perfil econômico de MS

Delcídio Amaral, candidato ao governo de MS, detalha suas propostas para áreas como planejamento, tecnologia, saúde, segurança, educação e economia, destacando

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Delcídio Amaral aposta em planejamento, tecnologia e logística para mudar perfil econômico de MS

Aos 71 anos, o candidato, que se apresenta como engenheiro eletricista, pecuarista e ex-senador, abriu a entrevista falando da trajetória profissional construída em empresas como Petrobras, Eletrobras, Vale do Rio Doce e Shell, além da passagem pelo Ministério de Minas e Energia.

  • Delcídio Amaral, candidato ao governo de MS, defende planejamento de longo prazo e reorganização administrativa para superar dificuldades fiscais.
  • Propõe manutenção de incentivos fiscais com contrapartidas e atenção a pequenos e médios negócios para geração de empregos.
  • Na área ambiental, busca conciliar desenvolvimento econômico e preservação do Pantanal, com investimentos em logística e mercado de carbono.
  • Sugere que a UEMS atue estrategicamente na formação de profissionais em tecnologia para suprir demanda de grandes empresas.
  • Critica concentração de atendimentos de saúde e propõe regionalização, cadastro único e uso de tecnologia para agilizar diagnósticos.
  • Defende segurança pública com inteligência, uso de câmeras e integração entre forças policiais para combater o crime organizado.
  • No desenvolvimento econômico, visa agregar valor à produção de MS, aproveitando rios, ferrovias, gás natural e mineração.
  • Propõe a criação de um polo tecnológico em Mato Grosso do Sul, aproximando universidades, empresas e centros de pesquisa.

Foi a partir dessa experiência que justificou a candidatura ao governo estadual.

Na área de arrecadação e finanças públicas, Delcídio reconheceu a existência de dificuldades fiscais e defendeu uma reorganização administrativa antes de anunciar medidas isoladas de aumento ou redução de impostos.

Para ele, a primeira tarefa de um eventual governo seria conhecer com precisão a situação financeira e estabelecer prioridades.

O candidato afirmou que os incentivos fiscais devem ser mantidos quando houver contratos que os sustentem, mas defendeu a cobrança de contrapartidas das empresas beneficiadas.

Na sua visão, a política tributária também precisa olhar para os pequenos e médios negócios, que, segundo ele, são importantes na geração de empregos.

Foi nesse ponto que Delcídio apresentou uma das ideias que atravessaram toda a sabatina: a necessidade de planejamento de longo prazo. Ele contou que, nas empresas onde trabalhou, era comum construir cenários para duas décadas, com projeções otimistas, pessimistas e intermediárias.

Para o candidato, essa lógica deveria ser incorporada à administração pública, com um planejamento capaz de definir para onde MS pretende caminhar. A inspiração, segundo ele, veio também de uma conversa com o ex-chanceler alemão Helmut Kohl.

No bloco de meio ambiente e sustentabilidade, Delcídio apresentou uma visão que procura conciliar desenvolvimento econômico e preservação. Como pantaneiro, disse conhecer os ciclos de cheia e estiagem da região e defendeu a utilização econômica do Pantanal dentro de critérios de sustentabilidade.

A logística apareceu novamente como parte dessa estratégia. O candidato citou Corumbá como uma cidade com potencial para se tornar um importante ponto de entrada e saída de produtos e defendeu investimentos no Rio Paraguai e na integração dos modais de transporte.

Ele também mencionou a possibilidade de geração de renda a partir do mercado de carbono, associando preservação ambiental a uma atividade econômica.

Ao ser questionado sobre eventuais impactos ambientais provocados por obras de dragagem no Rio Paraguai, Delcídio defendeu que os projetos sejam avaliados tecnicamente.

Ao mesmo tempo, argumentou que, em determinados trechos, o problema seria principalmente de assoreamento e que intervenções poderiam ser feitas para permitir a utilização da hidrovia.

Sobre a meta de Mato Grosso do Sul alcançar neutralidade de carbono até 2030, classificou o prazo como pouco provável e defendeu uma transição energética gradual, com participação do gás natural antes de uma expansão maior das fontes renováveis.

A educação apareceu na sabatina a partir de uma pergunta de Carlos Guilherme, jornalista de A Crítica, sobre a proposta de tornar obrigatórios os recursos destinados à Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

Delcídio defendeu que a universidade tenha uma participação mais estratégica no desenvolvimento do Estado, principalmente na formação de profissionais ligados à tecnologia.

Para ele, não basta atrair grandes investimentos se os empregos mais qualificados continuarem sendo ocupados majoritariamente por trabalhadores de fora.

O candidato relacionou a questão à chegada de grandes empreendimentos e afirmou que empresas instaladas em Mato Grosso do Sul deveriam estar integradas a políticas de qualificação profissional.

Também defendeu contrapartidas nas áreas de saúde, educação e segurança para empreendimentos de grande porte.

Na prática, sua proposta passa pela criação de uma estrutura que aproxime governo, universidades, escolas e setor produtivo. Como referência, citou Santa Catarina, onde, segundo ele, acompanhou a formação de um ambiente de tecnologia e inovação que estimulou startups e desenvolvimento de software.

No bloco de saúde, Delcídio criticou a concentração dos atendimentos de média e alta complexidade em poucas cidades e retomou a defesa da regionalização. Ele afirmou que a saúde deveria incorporar de maneira mais ampla ferramentas tecnológicas capazes de diminuir deslocamentos e agilizar diagnósticos.

Entre as propostas apresentadas está a criação de um cadastro único dos usuários do sistema estadual de saúde e a utilização de atendimento remoto em determinadas situações.

O candidato também citou a possibilidade de ampliar o uso da robótica em procedimentos médicos.

Para ele, a tecnologia poderia ajudar a reduzir a pressão sobre unidades de saúde e diminuir a necessidade de deslocamento de pacientes do interior para Campo Grande.

Na discussão sobre a Santa Casa, Delcídio afirmou que a situação precisa ser analisada também sob a perspectiva dos atendimentos realizados a pacientes de outros estados e países, especialmente nas regiões de fronteira.

Ele defendeu uma legislação nacional que considere essa particularidade.

Também questionou a estrutura disponível no hospital e citou a necessidade de equipamentos como tomógrafos e de medidas para reduzir custos operacionais, mencionando a possibilidade de utilização de energia solar.

A segurança foi tratada pelo candidato como uma área em que a tecnologia pode ser utilizada para ampliar a capacidade de prevenção e investigação. Delcídio defendeu o uso de câmeras corporais, sistemas de monitoramento e integração entre diferentes forças policiais.

Ele também recuperou a experiência do antigo Centro Integrado de Segurança de Fronteira (CISFRON), que acompanhou durante sua atuação política, como referência para a integração de informações.

Para Delcídio, Mato Grosso do Sul, por possuir extensa faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia, precisa integrar Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal e demais instituições envolvidas no controle territorial.

Questionado sobre a integração das forças estaduais e federais nas fronteiras, afirmou que não considera possível enfrentar organizações criminosas apenas com ações isoladas de uma corporação.

Na visão apresentada na sabatina, o compartilhamento de dados e a utilização de tecnologia deveriam formar uma estrutura permanente de inteligência, capaz de acompanhar movimentações e identificar áreas de maior vulnerabilidade.

No último bloco, dedicado ao desenvolvimento econômico, tecnologia e inovação, Delcídio voltou a defender a agregação de valor à produção de Mato Grosso do Sul.

O candidato citou os rios Paraná e Paraguai, a malha ferroviária, o gás natural e a mineração como ativos que poderiam ser melhor aproveitados.

Ele também questionou por que parte do minério extraído em Corumbá é transportada para outros países antes de receber maior valor agregado. A mesma lógica, segundo ele, deveria ser aplicada ao gás natural.

Para Delcídio, a industrialização precisa caminhar junto com a qualificação da mão de obra e com políticas de inovação. A proposta é criar condições para que profissionais formados no Estado permaneçam aqui e trabalhem em empresas de tecnologia.

A ideia de criar um polo tecnológico em Mato Grosso do Sul apareceu como uma das apostas do candidato. Ele citou Florianópolis como referência e afirmou que o Estado poderia aproximar universidades, empresas, startups e centros de pesquisa para criar um ambiente permanente de inovação.

Ao encerrar a sabatina, Delcídio disse que pretende fazer uma campanha baseada no debate de propostas e afirmou que sua experiência profissional pode contribuir para a administração estadual.

Também declarou que, mesmo diante de uma eventual ausência no segundo turno, pretende contribuir com quem chegar à etapa final.

A sequência de entrevistas continua com os demais candidatos incluídos na rodada. O próximo candidato é o Lucien Rezende (PSOL).

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