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Inteligência Artificial

Eles saíram da OpenAI para criar a Anthropic; agora, podem virar bilionários

Sete ex-funcionários da OpenAI deixaram a empresa em 2021 para fundar a Anthropic, companhia responsável pelo chatbot Claude

6 min de leitura
Eles saíram da OpenAI para criar a Anthropic; agora, podem virar bilionários

A saída dos fundadores da OpenAI foi motivada por divergências sobre como desenvolver inteligência artificial (IA) com segurança. Desde então, o grupo construiu uma empresa que se tornou uma das principais concorrentes da antiga empregadora.

Entre os fundadores estão executivos responsáveis pela administração, pela pesquisa científica, pela infraestrutura computacional e pela análise dos riscos e do funcionamento dos sistemas de IA.

Segundo o The New York Times, uma eventual abertura de capital nessa escala poderia transformar os sete fundadores em bilionários. O resultado, porém, dependerá da avaliação efetiva da empresa e da participação acionária de cada um.

Quem são os sete fundadores da Anthropic.

Aos 43 anos, Dario Amodei é o diretor-executivo da Anthropic. Ele está no centro das discussões sobre segurança e controle da IA e, nos últimos anos, entrou em conflito com autoridades do governo dos Estados Unidos sobre o uso de IA em armas letais autônomas e sistemas de vigilância doméstica em larga escala.

Em setembro, Amodei defendeu desaceleração global do desenvolvimento da tecnologia. Poucas semanas depois, participou de jantar privado com Donald Trump e de almoço na Casa Branca com outros líderes do setor.

Sua trajetória acadêmica começou com estudos de física no Instituto de Tecnologia da Califórnia, antes de concluir a graduação em Stanford. Ele fez doutorado em biofísica e neurociência computacional em Princeton e, posteriormente, trabalhou com pesquisas voltadas ao diagnóstico e ao tratamento do câncer.

Em 2014, ingressou na empresa chinesa Baidu como pesquisador. Depois, passou pelo Google e entrou na OpenAI em 2016, onde ocupou cargos de pesquisa e participou do desenvolvimento de grandes modelos de linguagem, como GPT-2 e GPT-3.

Irmã mais nova de Dario, Daniela Amodei tem 39 anos e é presidente da Anthropic. Ela supervisiona as operações empresariais e a liderança executiva.

Antes de entrar no setor de IA, formou-se em literatura inglesa pela Universidade da Califórnia em Santa Cruz (EUA) e trabalhou com desenvolvimento internacional, em Maryland (EUA) e Uganda.

Também participou da campanha eleitoral de Matt Cartwright para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em 2012.

Em 2013, voltou a São Francisco para trabalhar na Stripe, empresa de pagamentos, onde chegou à liderança das operações de risco. Entrou na OpenAI em 2018 como gerente de engenharia e, posteriormente, assumiu funções nas áreas de recursos humanos, segurança e políticas públicas.

A relação entre os irmãos também faz parte da história da companhia. Em uma conversa na Escola de Negócios de Stanford, Daniela contou que os dois aprenderam a lidar com conflitos ao longo de décadas de convivência familiar.

Aos 42 anos, Jared Kaplan é o diretor científico da Anthropic. Ele ajudou a desenvolver o método de treinamento conhecido como IA constitucional, no qual modelos são orientados por conjunto escrito de princípios e políticas.

Kaplan estudou física e matemática em Stanford e concluiu doutorado em física em Harvard. Depois, fez pesquisa de pós-doutorado no Laboratório Nacional de Aceleradores SLAC e trabalhou como professor associado na Universidade Johns Hopkins.

Ele conheceu Dario Amodei em meados dos anos 2000, durante uma viagem para um evento relacionado à bolsa Hertz, que ambos receberam durante a pós-graduação.

Em 2019, Kaplan ingressou na OpenAI como consultor de pesquisa. Sua atuação posterior na Anthropic passou a incluir a pesquisa científica e o desenvolvimento de métodos para orientar o comportamento dos modelos de IA.

Sam McCandlish, de 36 anos, é o arquiteto-chefe da Anthropic e trabalha, entre outras áreas, no treinamento de modelos em grande escala. Antes de assumir o cargo, em outubro, ele era diretor de tecnologia da companhia.

McCandlish estudou matemática e física na Universidade Brandeis, fez mestrado em física e concluiu doutorado em física teórica e matemática em Stanford. Também trabalhou como pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Boston.

Ele entrou na OpenAI em 2018 como pesquisador de segurança e participou do desenvolvimento do GPT-3 e do Codex, ferramenta voltada à programação e à produtividade.

Tom Brown, de 39 anos, é o diretor de computação da Anthropic. Ele supervisiona a infraestrutura computacional utilizada para treinar os modelos de IA da companhia.

Defensor da expansão dos centros de dados, Brown também participou de negociações com o governo federal depois que a administração estadunidense determinou a suspensão do acesso de cidadãos estrangeiros aos modelos mais avançados da empresa, Fable 5 e Mythos 5, segundo o jornal.

Brown cresceu em São Francisco (EUA) e estudou engenharia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), com foco em ciência da computação e ciências cognitivas.

Antes de ingressar na OpenAI, trabalhou em startups e fundou empresas.

Ele entrou na OpenAI em 2016, como um dos primeiros 20 funcionários, saiu para trabalhar no Google e retornou à companhia em 2018, assumindo posição de liderança em engenharia de pesquisa.

Jack Clark, de 38 anos, nasceu em Brighton (Inglaterra) e estudou literatura inglesa na Universidade de East Anglia. Antes de entrar no setor de IA, trabalhou como jornalista de tecnologia para veículos, como The Register e Bloomberg.

Em 2015, conheceu Dario Amodei durante uma conferência. No ano seguinte, ingressou na OpenAI para trabalhar com estratégia e comunicação e, posteriormente, assumiu a direção de políticas públicas.

Na Anthropic, Clark liderou a área de políticas públicas até assumir, em março, a função de responsável por benefício público. Nesse cargo, criou o Anthropic Institute, centro interno de pesquisa dedicado aos impactos sociais, econômicos e de segurança da IA.

Aos 34 anos, Christopher Olah lidera a área de pesquisa em interpretabilidade da Anthropic, dedicada a compreender como as redes neurais funcionam e como seus processos internos podem ser traduzidos em conceitos compreensíveis para seres humanos.

Ele trabalhou em uma startup de impressão 3D, fez estágio no Google e entrou na empresa em tempo integral em 2015. No ano seguinte, cofundou a revista científica Distill, dedicada ao aprendizado de máquina.

Em 2018, ingressou na OpenAI, onde liderou pesquisas de interpretabilidade voltadas a entender e explicar o funcionamento interno e os processos de decisão dos sistemas de IA.

Em maio, Olah participou de um encontro no Vaticano com o papa Leão XIV. Durante a apresentação de uma encíclica que defendeu proteções diante do avanço da IA, ele fez um discurso de sete minutos pedindo maior fiscalização do desenvolvimento da tecnologia e cobrando que os laboratórios sejam alertados quando estiverem falhando.

Por que os fundadores deixaram a OpenAI.

A origem da Anthropic está ligada a divergências sobre os caminhos que o desenvolvimento da IA deveria seguir, especialmente em relação à segurança dos sistemas.

A trajetória dos fundadores ajuda a explicar a estrutura da companhia: enquanto Dario Amodei e Daniela Amodei lideram a gestão, Kaplan atua na pesquisa científica, McCandlish no desenvolvimento dos modelos, Brown na infraestrutura computacional, Clark nas questões de interesse público e Olah na interpretabilidade.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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