Em menos de nove meses, o Brasil sediará a Copa do Mundo feminina de futebol, com 32 países. A competição promete ser um sucesso de público, com estádios cheios e os jogos da seleção brasileira lotados.
- Palmeiras 0 x 0 Santos (1ª fase) R$ 136,2 mil (Nubank Parque, em São Paulo).
- São Paulo 1 x 0 Flamengo (Semifinal) R$ 108 mil (Brinco de Ouro, em Campinas-SP).
- Bahia 0 x 0 Palmeiras (1ª fase) R$ 104,4 mil (Fonte Nova, em Salvador).
- São Paulo 1 x 1 Corinthians (volta da final) 49.405 (Morumbi, em São Paulo).
- Corinthians 1 x 2 São Paulo (ida da final) 21.451 (Itaquerão, em São Paulo).
- Botafogo 0 x 3 Bragantino (1ª fase) 37 (Nilton Santos, no Rio).
- Juventude 0 x 0 Atlético-MG (1ª fase) 32 (Homero Saldatelli, em Flores da Cunha-RS).
- Bragantino 0 x 3 Grêmio (1ª fase) 22 (Benitão, em Rio Claro-SP).
- Bahia 3 x 1 América-MG (1ª fase) 20 (Pituaçu, em Salvador).
Baseio-me na Fifa, que projeta mais de 2 milhões de torcedores. Se ocorrer, a média por partida será superior a 31 mil pessoas.
Caso esse cenário se concretize, e sendo brasileiros a maioria dos presentes –haverá muitos torcedores estrangeiros, porém em menor número–, estará comprovado que nos encantamos com um grande evento, com algo fora do trivial.
E há interesse especial pela seleção, mesmo sem que se saiba o nome das jogadoras. Tem a Marta!, dirão. E eu digo: a Marta todo mundo conhece!, mas só ela. Ou você sabe quem foi a artilheira do Campeonato Brasileiro que acaba de acabar.
Não é vergonha não saber. No dia a dia, o futebol feminino, o dos clubes, vive na obscuridade. Quem esteve ligado nos jogos da final Corinthians x São Paulo, cravará: você está errado, os estádios, em Itaquera e no Morumbi, tiveram respectivamente mais de 20 mil e quase 50 mil torcedores, estavam festivos, baita sucesso.
Baitas exceções. Fiz um levantamento demorado, consultando o boletim financeiro de cada uma das 167 partidas do Brasileiro da Série A, e cheguei a estas conclusões: 1) é um torneio deficitário e 2) com amplo desinteresse do torcedor em ir às arenas.
PARTICIPANTES DO BRASILEIRO FEMININO DE 2026.
Arenas, frise-se, é modo de dizer. Várias das praças esportivas nas quais as jogadoras se apresentam são básicas, com muros e/ou árvores, não arquibancadas, atrás dos gols.
Caso da bucólica Frimisa, em Santa Luzia, na Grande Belo Horizonte, onde o América, da capital mineira, mandou três partidas. O número de torcedores nelas? Zero.
Portões fechados, não por punição, mas por opção, a fim de reduzir custos operacionais (seguranças, faxineiros, porteiros, bilheteiros etc.). Abrir um estádio é caro.
Jogos do Brasileiro com maior prejuízo, segundo boletins da CBF.
Com raras exceções, desprestígio. Teve Fla-Flu (Fla-Flu!) para 208 torcedores no estádio Luso-Brasileiro. Teve Bahia x América-MG, no Pituaçu, para 20 fãs, ou menos que as 22 jogadoras em campo.
A média da fase classificatória, tirando os jogos com mando do Corinthians (a Fiel sempre vai em várias centenas), foi de 358.
É bom ter mais gente no sofá? Sim, nada contra. Mas qualquer um que tenha ido a um estádio sabe que a emoção não se compara. Para a confederação, cabe aos clubes empreender ações que estimulem os torcedores a comparecerem.
Respondendo à pergunta feita parágrafos atrás, a artilheira do Brasileiro de 2026 foi Marília Furiel, do Cruzeiro, com 11 gols em 18 partidas. Pronto. Se você só conhecia a Marta, tem um nome para guardar até a Copa.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Em números
- Baseio-me na Fifa, que projeta mais de 2 milhões de torcedores
- Se ocorrer, a média por partida será superior a 31 mil pessoas
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…