É assim que Ted Metellus, diretor de produção de eventos e diretor de prova da New York Road Runners, descreve o desafio de organizar muitas das corridas da cidade de Nova York.
Você planeja para o que é conhecido. Prepara-se para o desconhecido.
A distância é conhecida. O percurso é conhecido. O clima, porém, não.
Você se prepara da melhor maneira possível", disse Metellus.
Ele supervisiona a produção e a logística de dezenas de corridas todos os anos, incluindo a TCS New York City Marathon.
O clima está "no topo da lista" do planejamento, disse Metellus, e o calor vem recebendo atenção cada vez maior, sobretudo depois de uma maratona excepcionalmente quente em 2022.
Aquela prova foi um caso atípico: na chegada no Central Park, as temperaturas estavam cerca de 12 graus Celsius acima das registradas no ano anterior. O tempo médio de conclusão foi 11 minutos maior, segundo dados da Road Runners.
Metellus afirmou que a prova de 2022 trouxe uma lição importante para a organização, levando-a a ampliar os preparativos, inclusive com o aumento do número de estações de nebulização prontas para serem instaladas, independentemente da temperatura.
A Maratona de Nova York já havia enfrentado o problema antes, com consequências mais extremas. Entre 1976 e 1985, a prova foi realizada no fim de outubro. Durante a maratona de 1984, a temperatura chegou a 26 graus Celsius, com umidade acima de 90%.
Das 16. 315 pessoas que largaram naquela prova, 14. 590 cruzaram a linha de chegada. O The New York Times informou que centenas de corredores haviam recebido atendimento por problemas relacionados ao calor.
A prova também registrou sua primeira morte. Jacques Bussereau, um corredor francês, desmaiou no Queens depois de percorrer cerca de 22,5 quilômetros e morreu mais tarde, vítima de parada cardíaca.
Fred Lebow, fundador e diretor da prova, descreveu aquela maratona como "o desastre de 1984.
Neste ano, a previsão é de céu predominantemente nublado e tempo seco, segundo o escritório de Nova York do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos.
Mas as temperaturas devem ficar anormalmente altas para o início de novembro, com máximas próximas de 21 graus Celsius no Central Park no domingo.
Então, que tipo de condição permite aos corredores alcançar seu melhor desempenho.
Pesquisas constataram que as temperaturas associadas aos melhores desempenhos em maratonas variam de acordo com o sexo dos corredores e com o fato de serem atletas de elite ou amadores.
Um estudo de 2012 analisou quase 1,8 milhão de concluintes e examinou como as condições ambientais afetavam o desempenho em seis grandes maratonas: Berlim, Boston, Chicago, Londres, Paris e Nova York.
Os pesquisadores analisaram a temperatura, assim como a umidade, o ponto de orvalho e as condições atmosféricas. Eles constataram o que muitos corredores já sabiam: a temperatura do ar exerce "grande influência" sobre a capacidade humana de correr e sobre a forma como os corredores se adaptam às condições no dia da prova.
Entre o 1% mais rápido dos corredores homens, a temperatura ideal associada ao melhor desempenho foi, em média, de 4 graus Celsius; entre as mulheres, foi de 10 graus Celsius.
As temperaturas mais favoráveis para corredores amadores foram mais semelhantes: 6 graus Celsius para os homens e 7 graus Celsius para as mulheres.
Chris Tyler, professor associado de fisiologia ambiental da Universidade de Roehampton, em Londres, disse que a diferença se devia, em parte, à quantidade de calor produzida internamente pelos corredores.
Corredores mais rápidos se movimentam em maior intensidade e geram mais calor dentro do corpo; por isso, têm melhor desempenho em condições mais frias, afirmou.
Corredores mais lentos produzem menos calor e, portanto, toleram melhor temperaturas ligeiramente mais altas. Assim, quanto maior a temperatura externa, mais a temperatura interna se torna um problema para o desempenho.
Mike Tipton, professor de fisiologia humana e aplicada da Universidade de Portsmouth, que estuda como o corpo reage a ambientes extremos, disse que o organismo responde ao calor enviando mais sangue para a pele, por onde o calor pode ser dissipado, ao mesmo tempo que tenta continuar abastecendo os músculos em atividade.
À medida que o fluxo sanguíneo para a pele aumenta, menos sangue chega aos músculos em atividade, reduzindo o oxigênio disponível para eles.
Em números
- Um estudo de 2012 analisou quase 1,8 milhão de concluintes e examinou como as condições ambie
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