Andrea Kimi Antonelli chegou à F1 no ano passado cercado de expectativas. Tratado como um prodígio desde as categorias de base, o italiano percorreu a formação em ritmo acelerado, passando diretamente da F4 à F2 antes de assumir, aos 18 anos, uma das vagas mais cobiçadas do grid, a da Mercedes, no lugar do heptacampeão Lewis Hamilton.
Neste domingo (1º), aos 20 anos, ele mostrou que a aposta não era precipitada. Ele nem precisou vencer o GP do México para conquistar o título no circuito Hermanos Rodríguez.
Ele precisava somar apenas dois pontos para entrar para o hall dos campeões, mas cruzou a linha de chegada em terceiro, somou 15, e se tornou o campeão mais jovem da história da F1.
O tetracampeão Max Verstappen, da Red Bull, venceu a etapa mexicana, e o heptacampeão Lewis Hamilton, da Ferrari, cruzou em segundo. Ao todo, 12 títulos mundiais estavam representados no pódio, refletindo também diferentes gerações de campeões.
O holandês tem 29 anos, e o inglês tem 41.
A gente conseguiu", vibrou o italiano após a corrida. "Sem a Mercedes e sem minha família, eu não estaria aqui. Estou muito feliz com esse momento. Era um sonho meu.
Foi uma temporada incrível. Dividir o pódio com Max e Lewis é incrível", acrescentou.
Nascido em 25 de agosto de 2006, em Bolonha, no centro-norte da Itália, Antonelli superou o recorde do alemão Sebastian Vettel, que conquistou seu primeiro título em 2010, aos 23 anos, quatro meses e 11 dias.
O italiano encerra ainda um longo jejum de seu país na principal categoria do automobilismo mundial. A Itália não tinha um campeão desde Alberto Ascari, que conquistou seu segundo título em 1953.
Antonelli assegurou a conquista com quatro provas de antecedência, embora o calendário da categoria ainda possa sofrer alterações antes do fim da temporada. Em razão dos conflitos no Oriente Médio, as etapas do Qatar e de Abu Dhabi, que encerram o Mundial deste ano, podem ser canceladas.
A próxima corrida será o GP São Paulo, em Interlagos, no dia 8.
No México, o italiano chegou a 380 pontos, 119 a mais do que Max Verstappen (261), o segundo colocado do Mundial, e 121 à frente de Lewis Hamilton (259), o terceiro.
Em sua segunda temporada na categoria, o mais jovem campeão da história da F1 acumulou dez vitórias e 16 pódios, com atuações memoráveis. Diante de sua torcida, por exemplo, no GP da Itália, em Monza, ele venceu a corrida depois de sair da 19ª posição.
Antonelli começou o campeonato em segundo lugar, atrás de George Russell, refletindo as posições de chegada do GP da Austrália, na abertura do Mundial. As posições se mantiveram após o GP da China, na segunda etapa.
Com a vitória no Japão, terceira etapa da temporada, o italiano assumiu a liderança e não a perdeu mais nas 15 etapas seguintes até confirmar sua conquista neste domingo.
A trajetória de Antonelli até o título ajuda a explicar por que Toto Wolff, chefe da Mercedes, decidiu apostar no italiano para herdar a vaga de Hamilton e acelerar sua chegada à equipe principal.
Diferentemente de George Russell, que passou pela F3 e pela F2 antes de estrear na F1 pela Williams, em 2019, Antonelli foi promovido diretamente da F2 à Mercedes, sem disputar uma temporada de F3.
A escolha representou uma mudança na estratégia de formação de jovens pilotos da equipe alemã, que tradicionalmente procurava prepará-los gradualmente antes de levá-los ao cockpit da F1.
Antonelli chegou tão jovem à F1 que consciliou sua temporada de estreia na categoria com seu último ano de formação no ensino médio, em um esforço motivado por incentivo de sua mãe.
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