O assassinato do congolês Moïse Kabagambe, em janeiro de 2022, chocou o país. Ele foi espancado até a morte em um quiosque na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
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- Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca: 23 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão.
- Fábio Pirineus da Silva, o Elo: 19 anos, 6 meses e 20 dias de prisão.
- Brendon Alexander Luz da Silva, o Tota: 18 anos e 8 meses.
Segundo a família, Moïse tinha ido cobrar o pagamento de duas diárias de trabalho que estavam atrasadas.
Moïse tinha 24 anos. Ele chegou ao Brasil em 2014 como refugiado político, com a mãe e os irmãos. A família fugia da violência dos conflitos na República Democrática do Congo.
Meu filho cresceu aqui, estudou aqui, todos os amigos dele são brasileiros, mas hoje é vergonha. Morreu no Brasil", disse na época a mãe dele, Ivana Lay.
Moïse trabalhava como diarista em um quiosque na orla da Barra. Na noite de 24 de janeiro de 2022, ele foi atacado por um grupo de homens.
Os agressores disseram que ele estava causando tumulto. Em depoimento, Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca contou que trabalhava no quiosque Biruta, onde Moïse tinha começado a trabalhar três semanas antes, depois de sair do Tropicália.
Aleson afirmou que agrediu Moïse porque ele estaria perturbando havia dias e estaria muito alcoolizado. Ele reconheceu que exagerou nas agressões, mas disse que não teve intenção de matar.
A família contesta essa versão e afirma que Moïse foi ao local para cobrar o dinheiro que lhe deviam.
Câmeras de segurança registraram o crime. Pouco depois das 22h daquela noite, Moïse, de blusa preta e bermuda vermelha, discute com um funcionário do quiosque, que usa camisa listrada.
O funcionário pega um pedaço de pau e se afasta, contornando um freezer amarelo com o nome Tropicália. Moïse pega uma cadeira, abre a tampa da geladeira, pega uma vassoura e depois solta a vassoura e a cadeira.
Moïse, então, abre o freezer e dois homens se aproximam. Um deles derruba Moïse no chão. Outro, com a camisa amarela da seleção brasileira, segura as pernas dele enquanto o primeiro continua a agressão.
Em seguida, um terceiro homem, de regata preta e amarela, chega com um porrete e golpeia Moïse várias vezes. As imagens mostram 14 pauladas só neste momento.
Já imobilizado, Moïse bate três vezes no chão, gesto usado nas artes marciais para pedir rendição. A agressão continua.
Outro homem também bate quatro vezes na vítima.
Em 12 minutos, Moïse levou ao menos 30 pauladas. Segundo a acusação, um dos réus deu o último chute às 22h40, quando Moïse já estava caído e possivelmente morto.
As imagens também mostram os agressores fazendo massagem cardíaca na vítima. Para a promotoria, foi uma falsa tentativa de socorro, feita só para disfarçar.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que Moïse morreu de traumatismo do tórax com contusão pulmonar. O exame também encontrou vestígios de broncoaspiração de sangue.
Tribunal do Júri condena homens pelo assassinato de Moïse Kabagambe no Rio.
Três acusados foram condenados por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, por meio cruel e por não dar chance de defesa à vítima.
Desde 2022, o Rio tem um espaço dedicado à memória de Moïse, no Parque de Madureira. Um quiosque foi cedido à família do congolês, que administra o espaço.
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