O último debate antes das urnas — TV Globo, sexta (23), estúdios no Rio — não entregou um “vencedor” óbvio. Entregou, isso sim, um país vendo de novo o que já conhece: acusações cruzadas, propostas de custo de vida e um momento que a imprensa internacional repetiu em uníssono. Flávio Bolsonaro (PL) disse que Lula “dá com uma mão e tira com nove dedos”. O presidente, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em acidente de trabalho aos 17 anos, reagiu com dureza, chamou o rival de miliciano e cobrou desculpas. Flávio pediu desculpas “de verdade”. O embate seguiu.

Para quem estava indeciso, o gesto pesou. Avaliação qualitativa citada pela imprensa — dez grupos de classes C e D em cinco capitais — apontou a fala dos “nove dedos” como repercussão negativa. Não é pesquisa eleitoral; é termômetro de percepção. Mas, numa disputa de meio ponto, percepção vira combustível do pós-debate.

O que ficou no ar
- Economia: Flávio mirando preço de comida e endividamento; Lula defendendo salário mínimo e políticas sociais.
- Corrupção: menções a Daniel Vorcaro/Master de um lado; inquéritos envolvendo Fábio Luís (Lulinha) do outro.
- Plateia: grito da mãe da menina Ana Clara — “está morta” — ecoou na cobertura da Associated Press.
- Milei: Lula usou a Argentina como espelho negativo; a imprensa argentina notou.
Especialistas: o debate não “virou voto”
Na CBN, Pedro Doria lembrou que raramente se chega a um domingo sem palpite — e que este debate não virou voto ao vivo. Denilde Holzhacker (ESPM) destacou o equilíbrio no estúdio e o peso maior do pós-debate sobre indecisos.
Colunistas do UOL dividiram o placar; quem deu vitória a Lula falou em placar “2 a 1”, sem tratar o programa como sentença do resultado.
BBC, Reuters, AP, Le Monde, El País e jornais argentinos batizaram a noite pelos ataques pessoais. O eleitor brasileiro, às vésperas, tem outra métrica: domingo, urna, voto válido. O debate foi o último grande holofote. A conta, como sempre, é silenciosa.
Por Amin Feres, redator da ULTRA NOTÍCIAS. Apuração: Agência Brasil, BBC Brasil, CBN, UOL, Poder360 e agências internacionais (Reuters/AP/Le Monde/El País).
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